22 junho 2006

Bola ao pé

Nosso envergadoiro doutor não costuma assistir a jogos de qqer espécie e até quase já registrou em cartório q não torce pra nenhum time, muito pelo contrário. Mas, ligado q está nos eventos do mundo, soube recentemente q o Brasil é um dos candidatos num torneio internacional, algo q aparentemente traz ao populacho grandes emoções com hora marcada.

O Adam Gopnik, num artigo da New Yorker qdo do torneio na França, mostrou q o futebol só pode ser esse sucesso todo entre a plebe ignara pq é uma metáfora inconsciente da vida: uma baderna de gente tropeçando e trombando, parcamente controlada por regras simples amiúde violadas, e cujo placar final é zero a zero.

Mas, além do q já disse sobre o papel preponderante da sorte no esporte, o Dr Plausível vai deixar pra depois a demonstração de como o futebol na verdade humilha o Brasil. Então vc já pode parar de ler isto aqui e ir lá ver seu jogo, vai.

13 junho 2006

Folga

O paulista é um povo trabalhador. Só três coisas detêm um paulista em sua marcha incansável rumo ao progresso: feriadão, futebol e PCC.

01 junho 2006

A norma estulta, essa incompreensiva

Pra entender grande parte do q segue, é preciso ler os comentários ao post anterior, onde gerou-se uma polêmica. Um leitor respeitado por aqui, o Pracimademoá, tem uma opinião contrária à deste blogue no q diz respeito à gramática e à norma estulta. É em respeito às objeções dele q dou aqui a resposta final, redigida em tandem com o Dr Plausível. O Pracimademoá certamente foi atacado pelo vírus da hipoplausibilose gramática. Não é caso de rir, e o Dr Plausível leva essa coisa de gramática a sério, principalmente qdo se trata de alguém inteligente e sóbrio como esse leitor.

Pracimademoá,
Pela última coisa q vc disse, me dá a impressão de q não consegui explicar nada. Vou tentar resumir tudo aqui, só pra q vc não fique pensando coisa feia de mim ou do doutor.

Toda "regra" gramatical é uma codificação inferida a partir dum fenômeno natural. A gramática normativa é um disparate porque a língua não é uma invenção humana, mas um fenômeno humano, ou seja, algo q já tem "regras" naturais. Ninguém precisa ficar fuxicando.

O português é uma das línguas q foram surpreendidas no século 19 pela repentina evolução em todos os ramos do conhecimento justamente numa época em q se tentava, através das academias, consolidar e codificar certas línguas baseando-se nisso q vc chamou de "refinamento do entendimento e das manifestações humanas". Vc poderia argumentar q as próprias academias foram parte dessa evolução, mas o buraco da língua é sempre mais embaixo. A língua é sempre vários graus mais complexa do q qqer refinamento do entendimento possível numa normatização.
Sorry. Quem normatiza uma língua tem o plano "vamos codificar a língua da maneira mais racional e refinada possível pra termos um instrumento sólido e coerente com o qual poderemos realizar a contento todas nossas interações." Mas ninguém tem bola-de-cristal, e muito menos uns lexicógrafos e gramáticos inferindo regras numa sala fechada, abafada e empoeirada. Não dá pra prever quais conceitos, quais tecnologias, quais modos de interação vão ser criados, o q é q a mente humana vai produzir – seja através dos gênios, seja através do povão. Assim, não dá pra prever quais novos fenômenos surgirão e portanto quais "regras" naturais a própria língua vai criar pra se adaptar a eles. Por exemplo, ¿quem iria prever a internet, onde a língua escrita vem tentando se acelerar, disseminando abreviações perfeitamente coerentes, claras e cabíveis como 'vc', 'pq', &c? Eu só não grafo 'qual', 'quais', 'quem' e 'quaisquer' com 'ql', 'qs', 'qm' e 'qsqr' pq sei q muita gente retrógrada iria bobamente fazer questão de não me ler.

É gritante a inépcia do português no mundo de hoje. A revolução industrial, por exemplo, jamais poderia ter acontecido num país de língua portuguesa.
Sorry. Impensável. O português de ontem e hoje simplesmente não tem a ginga, a abertura, a sutileza, a precisão e a nitidez de línguas como o inglês, o alemão e o japonês, q lhes permite sustentar e agilizar o intercâmbio de idéias, a ampliação diária de novos horizontes. Mas o povo (todos nós) sente o empurrão do tempo, e constantemente, dia após dia, frase atrás de frase, tenta puxar o português pra uma maior ginga, uma maior abertura, uma maior elasticidade e criatividade; e o tempo todo, quaisquer novidades lingüísticas (q são concepções, conceitos novos) são inapelavelmente censuradas pela tutelaria de plantão, esfregando a gramática normativa no nariz das criações necessárias. Fala-se muita merda, claro. Mas um dos resultados mais nefandos da norma estulta é q pouca gente realmente gosta do português, do jeito, por exemplo, q os ingleses gostam do inglês, se divertindo, se emocionando e se esclarecendo: ninguém se diverte com o português depois de passar pelo corredor polonês q é a escola. Papo de brasileiro é, via de regra, ou chato ou chulo ou chucro (e eu aprendi a fazer isso com o inglês). Por causa da normatização, o uso do português, q deveria fluir naturalmente, é atormentado por inseguranças, vergonhas, arrogâncias e desperdício.

É claro q nada do q está dito acima deve ter a mínima importância pra alguém q acha necessário colocar sela e arreios na língua pra conquistar o Oeste. Mas é bom q se lembre q na mente e no coração das pessoas existem mais coisas do q prevê a vã gramática.