02 maio 2006

El imperio cuentra-alpaca

Estava lá o Dr Plausível dando consultoria plausibilógica na sucursal brasileira duma firma euaense, a central regional dessa firma na América Latina, qdo de repente o telefone tocou. Seu cliente atendeu e descambou num portunhol apenas passável, falou disso e daquilo, negociou um detalhe e desligou. Ligação do Equador. Nosso embasbacante doutor ergueu o sobrolho.
"¿O equatorenho estava falando portunhol também?" perguntou educadamente.
"Ah, não. É difícil pra eles," disse o cliente. "É mais fácil quem fala português entender quem fala espanhol do q quem fala esp..."
O doutor já estava gargalhando.

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Hmm.

Peraí. Deixa eu ver como é q vou dizer isto.

Hmm.

¿Q porra? ¿Por que caralho o equatorenho não fala português? ¿Pq é q o brasileiro tem q aprender inglês pra falar com euaense e tem q aprender espanhol pra falar com equatorenho? O Brasil virou 'el imperialista de Latinoamérica', mas ¿é só pelo tamanho? ¿A língua portuguesa não tem intrínsecamente a mais mínima força pra se impor sobre o espanhol?

É uma história irônica, a do português. Por natureza uma língua periférica, uma simplificação imediatista dum dialeto marginal do espanhol, na extremidade da Europa um pouco aquém do fim do mundo, o português, por várias incongruências entre a geografia política européia e a novomundana, em quinhentos anos se tornou a língua do país mais rico, populoso e produtivo da América Latina. Mas parece q nada, nem mesmo o poder econômico brasileiro, nem mesmo o carisma do povo brasileiro, nem mesmo a disseminação da música brasileira, nem mesmo a beleza da mulher brasileira, nem mesmo o poderio bélico do exército brasileiro, nada consegue fazer o desgraçado do equatorenho fazer um esforcinho pra aprender a língua de seus superiores.

O doutor se pergunta: ¿será isso conseqüência duma fraqueza na essência da língua, ou será resultado da simpatia natural do povo brasileiro, esse povo bonzinho? ¿será uma vantagem pro brasileiro, q diversifica e flexibiliza seu cérebro poliglota, ou será apenas mais uma cagada na longa série de desvalorizações da identidade e cultura brasileiras?

O doutor sinceramente não sabe. De maneira alguma isso lhe impede de gargalhar, pela ironia, mas admite q não sabe.

5 comentários:

Marcus disse...

Coitado do Brasil, não tem vocação pra ser imperialista...

Também não sei se isso é bom ou é ruim...

Pracimademoá disse...

Nosotros somos un bando de bunda-mueles.

Permafrost disse...

¿Será q o Lula vai invadir a Bolívia e derrubar a estátua do Morales?

¿¡¿Será q vai ter terroristas suicidas bolivianos no Brasil?!?

¿¡¿¡¿OS BOLIBOMBAS?!?!?

Herpes da Fonseta disse...

kakakakaka

Mas o Equador não é um só. 98% do resto da América Latina TAMBÉM fala espanhol. O Brasil está em minoria, na verdade. Se você exigir que o equatorenho fale português, ele chama seus 20 "irmãozinhos" pra te encher de porrada.

Paulo disse...

Acho que me precipitei: vc é bem inteligente e já deve ser bem maduro.. e parece que ganha alguma coisa em especular acerca "da realidade".

Observação sobre português x espanhol: muitas palavras do espanhol existem em portugês embora não sejam usadas. Acho que a recíproca não é verdadeira. Isso facilita nosso entendimento. E também o espanhol era tida como a "língua certa" (os escritores portugueses do século XVI escreviam também em espanhol) enquanto o português era um mero dialeto. Uma coisa que me chama a atenção é que é mais fácil compreender espanhol do que português arcaico, o que deve indicar que a evolução da língua portuguesa teve como norte constante o espanhol. Mas o fato é que eles não entendem mesmo. Eu perguntei pra uma garçonete em Madrid se no andar de cima eles também serviam e ela olhou na minha cara e disse: "I don't speak arabic" se fiando só na minha aparência. E como essa tenho outras histórias.

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