10 abril 2006

O prefato

Nosso emulável Dr Plausível sempre se diverte andando de táxi por SPaulo. É só aparecer um semáforo com a luz verde queimada, uma placa num lugar errado, uma cratera na rua, e o taxista logo diz algo como "E esse prefeito q taí, hem? Vergonha!"

Entendo bem a diversão do doutor. Só pode ser coisa de mitômano achar q as vidas de 17 milhões de habitantes sofram alguma influência dum gato pingado qqer q desembocou na prefeitura a caminho do ostracismo ou duma eleição pra governador ou presidente. A prefeitura de SPaulo não é um cargo; é um degrau – pra cima ou pra baixo, geralmente pra baixo. Agora um tal de José Serra q, eleito pra 4 anos como todo mundo, se sentiu especificamente especial o bastante pra renunciar após 15 meses pra tentar manter o partido no governo do estado.

A lógica é mais ou menos assim:
(a) se o prefeito faz uma boa administração, é pouco criticado; ele então se considera popular e renuncia pra se candidatar ao governo do estado;
(b) se faz uma administração, é muito criticado; ele então se considera impopular e portanto sem chances, e aí cumpre seu mandato.

?!?!?

'Prefeito' deve originar de algo como 'pré-feito' ou 'pré-fato'; porque não é possível, ¿né, dona-de-casa?

3 comentários:

odair josé disse...

Pena que o Ostracismo não seja mais uma instituição viável na sociedade atual devido principalmente á impresa que não nos deixa esquecer - nem deixa prá lá - mesmo os tipos mais abjetos.
Se o Ostracismo voltasse a ser viável, metada da programação televisiva seria colocada fora do ar.
Pensando bem, eu também até certo ponto teria sido banido do convivio social devido ás minhas músicas.

oxyurus disse...

O comentário em questão lembra-me o saudoso Adoniran Barbosa: "vamos almoçar conversando sobre isto e aquilo, coisas que a gente não entende..."
Algum dos nobres colegas já tentou administrar e gerar resultados com alguma coisa um pouco maior do que a si mesmos???
Como dizem os gringos: Talk is cheap;
ou melhor ainda: Don´t talk the talk if you can´t walk the walk.

Permafrost disse...

Perfeito, Odair. O próximo passo é instituir a PIPOPI - Política Internacional em Prol do Ostracismo de Pessoas Inúteis.

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