24 abril 2006

O astropauta

Muita gente no espaço crítico brasileiro (também conhecido como Sala Portnoy) vem reclamando dessa melenga toda sobre o cosmonauta nascido no Brasil. Reclamam dos (dependendo da versão) 10 ou 12 milhões de doletas do contribuinte brasileiro gastos pra pagar o projeto pessoal dum funcionário, do Lula q medalhou o cara, dos jornalistas q não põem o cara na parede, etcétera. O Dr Plausível fez umas considerações, gargalhou à larga, e foi ler o dicionário romeno-francês no banheiro. Eis um resumo do q disse:

Jornalista é alguém pago pra dizer o q não sabe sobre um assunto q não conhece. Mas nenhum jornalista vai pôr em risco o leite das crianças fazendo essas perguntas ao astropauta, pois, num aspecto, o jornalista é igualzinho a um profissional de qqer outro ramo: sua prioridade número um é tirar o cu da reta.

Também é essa a prioridade do presidente, seja ele quem for. O Lula chegou aonde está porque tira o cu da reta melhor do q ninguém. Ele é o Grão-Mestre Nacional de Esquivamento Anal; e ele é q deveria ser motivo de orgulho aos brasileiros, não esse pelego Mark Bridges.

Em assuntos como esse do programa espacial, o Lula é como qqer outro presidente: pegou o bonde andando e nem viu q linha era. Ele fez, em seu estilo necessariamente peculiar, exatamente o q qqer outro gato-pingado faria em seu lugar; e também pensou o mesmo: "Taquipariu, vou ligar o piloto automático nesta solenidade, e depois eu volto ao q interessa."

10 abril 2006

O prefato

Nosso emulável Dr Plausível sempre se diverte andando de táxi por SPaulo. É só aparecer um semáforo com a luz verde queimada, uma placa num lugar errado, uma cratera na rua, e o taxista logo diz algo como "E esse prefeito q taí, hem? Vergonha!"

Entendo bem a diversão do doutor. Só pode ser coisa de mitômano achar q as vidas de 17 milhões de habitantes sofram alguma influência dum gato pingado qqer q desembocou na prefeitura a caminho do ostracismo ou duma eleição pra governador ou presidente. A prefeitura de SPaulo não é um cargo; é um degrau – pra cima ou pra baixo, geralmente pra baixo. Agora um tal de José Serra q, eleito pra 4 anos como todo mundo, se sentiu especificamente especial o bastante pra renunciar após 15 meses pra tentar manter o partido no governo do estado.

A lógica é mais ou menos assim:
(a) se o prefeito faz uma boa administração, é pouco criticado; ele então se considera popular e renuncia pra se candidatar ao governo do estado;
(b) se faz uma administração, é muito criticado; ele então se considera impopular e portanto sem chances, e aí cumpre seu mandato.

?!?!?

'Prefeito' deve originar de algo como 'pré-feito' ou 'pré-fato'; porque não é possível, ¿né, dona-de-casa?

07 abril 2006

L'esprit d'escalier

-Alô?
-¡Bom dia!
-Bom dia...
-Por gentileza, ¿o responsável da linha?
-Sou eu.
-E ¿seu nome, por favor?
-Ãã... F... Joaquim. ¿De onde é?
-Bom dia, senhor Joaquim. Eu sou do Banco de Dados.
-¿Banco de Dados daonde?
-Da Folha de São Paulo.
-Ah não, brigado. Eu não leio jornal.
-¿O senhor não lê jornal?
-Não.
-E ¿qual o motivo?
-Ãã... É q, sabe, qdo eu era criança, a gente tinha um cachorro (ele chamava Pufe), e qdo ele fazia cocô na sala, meu pai enrolava um jornal e dava na cabeça dele umas dez vezes, aí ele foi ficando deprimido, deprimido (porque ele não entendia, né?, o motivo de meu pai cair de porrada nele), até q ele morreu; aí eu botei a culpa em meu pai, lógico, e teve uma briga homérica lá em casa, e meu pai então quis provar q a pancada de jornal enrolado não doía, e avançou pra mim pra me bater na cabeça, aí eu recuei um pouquinho e tropecei num pufe q minha irmã tinha usado pra... pras brincadeiras dela, né, aí eu caí e bati a cabeça na quina da mesa, fui pro hospital, o maior escândalo, mas tirei raio xis e não deu nada, mas foi um trauma, viu?
-O senh...
-Aí depois, qdo eu tinha uns doze anos, eu tava descendo uma rua ali perto da Quintino Bocaiúva e passei ao lado duma banca de jornal e o jornaleiro saiu de repente e começou a gritar comigo dizendo q era eu q todo dia passava lá e esfregava meleca de nariz na Gazeta Esportiva q ficava ali pendurada de mostruário e ele queria me espancar ali mesmo, e umas senhoras q tavam ali perto não deixaram, e eu dizia q não, q eu nunca passava por ali, q eu morava em Cruzindanga, mas o jornaleiro não queria acreditar e dizia q sim, q era eu mesmo, q eu tinha cara de melequento, malandro e...
-pu pu pu pu pu pu
-Ninguém nunca me dá atenção...

02 abril 2006

Uma sugestã

Sesdias, com a cara-de-pau q lhe é peculiar, a secretária de estado Condoleezza Rice, em visita à Inglaterra, abriu um sorriso deste tamanho pra uns manifestantes e até deu tchauzinho. Um repórter da BBC lhe perguntou o q achava da questão q os manifestantes reclamavam e ela, com a petulância sorridente peculiar aos políticos acuados na estranja, disse algo como "Não é a primeira manifestação q vejo, nem será a última."

Nunca participei de manifestação, e muito menos o Dr Plausível. De políticos, soldados, filósofos e outra pessoas armadas: distância. Mas volta e meia me pergunto por que os manifestantes mantêm aquele respeito todo perante gente não q lhes dá a menor bola. Fazem cara de criança mimada e ficam gritando frases feitas, tipo:

"¡Aumento!"
"¡Fora, fulano!"
"¡Queremos justiça!"
"¡O povo unido jamais será vencido!"

Essas coisas já viraram pano de chão velho: não lava nem o rodo. Pena q nenhum manifestante jamais consultou o Dr Plausível. Seu conselho seria simples, eficaz e muito mais a propósito: os manifestantes se juntam em silêncio de mão no bolso perto de onde o político atacável vai passar; assim q ele aparecer, eles fincam os olhos nele, fazem cara de ódio e berram em uníssono, uma só vez:

"¡Idiota!"

¿Não seria mais legal? E surtiria mais efeito.

(Tanto político merecedor e ¿vc foi logo pensando no Lula?)