22 março 2006

O radóstico agnical

Não é segredo q tanto nosso engalanado Dr Plausível qto eu somos agnósticos radicais.

Mas vira e mexe me aparece nos comentários alguém q, achando entender o termo 'agnóstico radical', impunemente improvisa impropérios impugnantes imputando imperfeições imperdoáveis. A crítica comum aos agnósticos é a de q são ateus covardes, egoístas preguiçosos e pensadores vacilantes.

HAHAHAHAHAHAHAHAHA

É bem possível q haja agnósticos q combinem com essa descrição. Não, contudo, os radicais. Os radicais são aqueles pra quem a questão da providência, criação e existência dum deus não fede nem cheira: ninguém sabe nada de nada. Porém, a um nível mais profundo, a expressão "crer em Deus" nem sequer faz sentido prum agnóstico radical. Vejam a mesma pergunta posta a um crente, a um ateu, a um agnóstico e a um agnóstico radical:

¿Deus existe?
crente: Sim.
ateu: Não.
agnóstico: Não sei.
agnóstico radical: ...?!?!?

Eis aqui um diálogo típico entre um fuçador e um agnóstico radical:

F: ¿Deus existe?
AR: ...?!?
F: Então vc não crê em Deus.
AR: ...?!?!?
F: Ué, ¿vc crê ou não crê?
AR: ...?!?!?!?

Aos ouvidos do AR, o 'diálogo' soa assim:

F: ¿Vbznñglfng mnhfns?
AR: ¿O quê? ¿Como?
F: Então vc não blmpqrkgñ em vnzlms.
AR: ¿Como? ¿Quê? ¿Hein?
F: Ué, ¿vc fngzbljnmñpxs ou não xzbvfnglrtspfñgl?
AR: ¿Ué o quê? ¿Como? ¿Que disse? Ãã?

Pro AR, a existência ou inexistência de Deus, a transcendência ou destranscendência dos dogmas, a necessidade ou desnecessidade das tradições são questões q não fazem a menor diferença, cosmicamente falando: a ignorância da gente é tão vasta, q tanto crer como descrer são apenas atos de soberba e presunção.

De fato, as crenças recebem um ajuda especial da soberba e da presunção. O agnóstico radical às vezes desconfia q a expressão "eu creio" significa na verdade "eu quero":

Eu quero em Deus (viver bem, não sofrer, ir pro céu, ter vida eterna, q meus inimigos se ferrem, &c).

... e não admira q as religiões todas procurem negar precisamente aquilo q mais as promovem: ao mesmo tempo em q se valem de laços familiares e étnicos mais q de atributos dogmáticos pra se manter e crescer (Eu quero em Deus q tudo dê certo pra mim, meus familiares e meus semelhantes.), buscam cinicamente sustentar q 'crer' é uma expressão de altruísmo capaz de congregar todas as raças e classes. Hmm. E é melhor vc começar a crer , senão vc não consegue nada do q quer – muito pelo contrário, vai levar na cabeça muita coisa q não quer. Ou seja, ao crer, tua alma vai realizar todos os desejos e anseios de tua animalidade. – ...?!?!?

Mas tem um detalhe q pouca gente pesca no termo 'agnóstico radical': pro AR, a questão da (in)existência de deuses é uma questão secundária dum sub-assunto piquititico do conhecimento. Bilhões de pessoas neste mundinho se definem idiotamente a partir de suas crenças, qdo o q na verdade define o indivíduo e o distingue dos outros são seus conhecimentos – e o q vc sabe é TUDO q vc sabe: vc sabe falar português, vc sabe o q teu pé esquerdo tá sentindo agora, vc sabe o q fez ontem, vc sabe o q dizem os textos religiosos, vc sabe q a água congela no frio e evapora no calor &c &c &c &c &c. Os próprios crentes sabem intuitivamente q o conhecimento é mais definidor pois, afinal, crer é uma expectativa de saber: a fé é uma confiança num saber futuro: o crer almeja o saber: questões de crença são avassaladoramente menos relevantes do q questões de conhecimento. Mas nem os q se auto-definem 'ateus' percebem isso: a cada vez q pensam em crença como defininte, tão jogando o jogo insípido e bocó dos teístas; a cada vez q se definem como ateus, tão entregando a bola de bandeja pro time adversário. Se o saber é multivezes mais relevante do q o crer, então não faz sentido se definir a partir do crer. Pois pensa bem, leitor, se vc não tem uma coisa quase imperceptível, tal como a unha dum dos dedos médios do pé, vc não se define como 'não-unhático'; porém, se é IMPOSSÍVEL vc ter uma coisa super defininte da aparência, tal como cabelo, faz sentido vc se dizer 'careca'.

Então. ¿Sabe QDO ateus e teístas vão enxergar q a crença é um definidor quase irrelevante do indivíduo? Nunca. O hipoplausivírus os viciou nos argumentos circulares da crença.

E ¡ó dogmas defensivos! ¡ó tótens truculentos! não me venham dizer q estou aqui promovendo uma visão de mundo melhor q as outras. Só estou explicando o q quer dizer 'agnóstico radical'. Quem tendeu, tendeu. Quem num tendeu, num tende mais.

13 comentários:

M4rcoS disse...

Eu me considerava um "ateu não praticante".
Agora sim, tenho uma definição perfeita:
Agnóstico Radical.

M4rcoS disse...

Eu me considerava um "ateu não praticante".
Agora sim, tenho uma definição perfeita:
Agnóstico Radical.

Obrigado Dr.

Permafrost disse...

Mais um serviço do Dr Plausível.

Amigo disse...

O que vejo é que as pessoas se especializaram em interpretar. Jesus dizia:" Quem tem ouvidos para ouvir, ouça". Vale dizer: Entendeu de cara, beleza. Não entendeu, vai prá casa. Buda deixava claro: Cessa o raciocínio, não a imaginação.
Nenhum deles dizia que quem crer vai obter graças, bens ou favores.
Admito que o erro começou com os próprios crentes, distorcendo a Verdade para satisfazer suas vontades e convicções. Isso abre caminho para o fogo contrário.
Exemplo claro: "O Senhor é meu Pastor, nada me faltará". Distorção!! Afinal, o que não nos falta na vida?
"O Senhor é meu Pastor, de nada sentirei falta". Aí matou a pau.
Afinal Deus não vai parar o cosmos para satisfazer caprichos bobos de um qualquer. É por isso que tem tanta oposição. Tudo foi interpretado, distorcido. Aí o ateu, ou o agnóstico, como o senhor, que têm muito menos culpa do que os pseudo-crentes, só podem cair de pau. Mas por favor, não o faça contra Deus. Eu sei que você me entende, pois é inteligente.
Muito obrigado.

Permafrost disse...

Amigo,
Aproximar o Cristianismo do Budismo é sempre tentador aos cristãos pensantes.

O agnóstico radical, no entanto, nunca diria, como vc: "Afinal, o q não nos falta na vida?" (presumindo a resposta 'tudo'); diria, ao contrário, "Afinal, o q nos falta na vida?" (presumindo a resposta 'nada').

Na tua fórmula, crer é um calmante contra o querer. Na fórmula agnóstica, não há crer nem querer: a vida e a consciência são bem-vindas tal como ela são.

Pracimademoá disse...

Nossa, mas se os meus inimigos todos se ferrassem pra mim já estaria bom demais! Pra quê querer mais?

Permafrost disse...

E, no entanto, os há quem mais queira.

benhe disse...

Benhe
O Dr faz limpeza étnica no blog?
Benhe
O Dr deleta os comentários inconvenientes?
Benhe
Não tá na hora de chamar o pessoal do Censura Nunca Mais?
Benhe
Não está na hora do Dr duelar no nível intelectual e não da tesoura quando receber comentários que não lhe agradem?

Permafrost disse...

¿Quê? ¿Tas derivando?

Pracimademoá disse...

Calúnia! O Dr. nem mexe no blog, como poderia apagar alguma coisa?

O Pablo também não apaga nada. Basta ver que assim que você posta, o comentário já é imediatamente publicado. Ao contrário de muito blogue bunda mole por aí, que esconde o comentário até o dono decidir que não tem nada "impróprio" nele.

Benhe
Não sei o que dizer no blogue do Pablo hoje.
Benhe
Você tem alguma idéia? QUALQUER COISA serve.

Deus ex-machina disse...

Interessante o debate sobre religião neste blog.
De um lado alguém que graceja com as religiões mercantilistas estabelecidas e arranha a expressar a sua Teosofia em particular.
De outro lado gente que não consegue enxergar além do véu das suas convicções adquiridas pelo adestramento religioso.

É fato que discussões sobre religião acabam sendo quase sempre rebaixadas a um nível de preferência por time de futebol ou de política partidária, mas não deixa de ser engraçada a veemencia com que cada lado se agarra ás suas convicções com cada novo ataque.

O blogueiro talvez mereça aparecer qualquer dia naquele programa da TV Cultura o PROVOCAÇÕES.

Em tempo: Periga haver mais discussão sobre Teologia aqui neste humilde blog do que no Vaticano inteiro.

Permafrost disse...

Deus ex machina, please. Menos. Chamar isso aqui de 'debate' é como chamar uma vilinha de 'avenida'.

Pode ser q um ou outro gato-pingado às vezes entre aqui e tente expor sua teosofia. O Dr Plausível, por seu lado, não debate: só ri. Qto a mim, qdo venho a público (3 ou 4 leitores) pra apontar algum surto hipoplausibilético, é sempre uma questão de somar 1+1=2, aplicando o senso comum. Às vezes, como no texto em questão, só estou definindo alguma coisa - no caso, um tipo de pessoa. (Uma das crenças mais hipoplausibiléticas é a de q existe um tipo de pessoa q pode e deve servir de modelo pra todo o resto do mundo. Sorry. Qdo digo it takes all sorts to make a world, não estou sendo irônico.)

Não se impressione com o contador de visitas lá embaixo. A enorme maioria dessas visitas contadas são de serviços automáticos de atualização de bases de dados de buscadores. (Uma frase com 18 palavras, 1/3 das quais são 'de'. Mmm.)

Ícono disse...

Vamos imaginar um átomo com seu núcleo e dez elétrons ao redor. Vamos imaginar também que, ao lado desse átomo haja outro átomo com seu núcleo e outros dez elétrons ao seu redor. Entre um átomo e outro há vácuo e, se pudéssemos diminuir de tamanho e ser um "habitante" de um elétron de um desses átomos, veríamos que esse vácuo é gelado e escuro, como ocorre entre os planetas do sistema solar. Agora vamos imaginar que o sol e seus planetas são um mísero átomo de um pedaço de alguma coisa, para nós incompreensivelmente grande, e nós diminutos e insignificantes seres, muito mais insignificantes que as formigas pequeninas que esmagamos diariamente ao pôr os pés no chão, pra lá e pra cá. Finalmente, vamos imaginar que essa coisa incompreensivelmente grande é um míserabilíssimo átomo de uma outra coisa igualmente incompreensivelmente grande e assim ad nauseam. Pergunta-se: por que cargas d'água o ser humano acha que é alguma coisa tão importante nessa imensidão finita, depois da qual vem outra imensidão finita, depois da qual vem outra imensidão finita, depois da qual vem outra imensidão finita, depois da qual... Por favor, esse papo de criador e criatura tá pra lá de passado, serviu pra fins escusos na idade média e só pra esses fins ainda serve hoje, mas só praqueles que acham que ao morrer vão pra algum lugar, desde que sejam bonzinhos e façam o sinal da cruz toda vez que passar defronte a uma igreja. É só prestar bem a atenção nesse pessoal pra ver que, em seguida ao hipócrita sinal da cruz, vem logo um comportamento típico da lei de Gerson. Tá mais que provado que "quem inventou o mundo FODEUS!".

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