22 setembro 2005

O bardo e a berda

Nosso evocante Dr Plausível ministra cursos de desimplausibilamento em todo o território nacional há mais de 30 anos, e às vezes se sente despoluindo o rio Pinheiros com um filtro Melitta. Por que ¡não é possível, né, meu povo?

Ontem, ficou sabendo q rola na internet um texto de umas 700 palavras começando com "Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma"... ai ai ai... Logo de cara – idéias de terceira mão, texto visivelmente traduzido do inglês – já viu q ia dar alguma meleca.

E não deu outra. Pois ¡¿¡¿como é possível q alguém neste mundo leia esse amontoado de clichês de auto-ajuda, esse compêndio de Lair Ribeiro pasteurizado, esses minutos de sabedoria de almanaque, esse pastiche regurgitado da matraca de mil avós, e achar q saiu nada mais nada menos q da pena de "William Shakespeare"?!?! ¿William Shakespeare, aquele do bigodinho e barbichinha?

????

Ô, povo, bastava uma pesquisinha. O texto original foi escrito por uma tal de Veronica Shoffstall circa 1998 – ainda em seus tenros anos de faculdade decerto depois duma cabeçada ou dum pé na bunda –, e foi emendado várias vezes por duendes ajudantes de Papai William, q acharam 160 palavras muito pouco pra toda a profundeza de seus corações...

E nestes risonhos lindos campos, algum inquilino de mentes alheias meteu-se a traduzir essa gororoba – em vez de criar sua própria – e, sabe-se lá por que catso, achou por bem atribuí-la a "William Shakespeare"...

¿Não é de empastelar os miolos?

Uma das muitas páginas com o texto duendizado é esta, com direito a musiquinha de fundo (q muita gente neste mundo injusto há de atribuir a Mozart...). O poema original está aqui. Note qto trabalharam os duendes...

17 setembro 2005

Inunde seu coração de lágrimas por mim

Uma coisa engraçada sobre essa diáspora causada pelo Katrina vem do fato de os EUA serem considerados por seus próprios habitantes como um grande paizão solidário q não vai deixá-los sofrer, não!

Tivesse o sinistro ocorrido em outras épocas, qdo havia mais iniciativa individual, menos fobias promovidas pelo estado e menos presteza em distribuir culpas, talvez já estivessem todos os habitantes da região voltando pra casa, limpando seus quintais e dando um jeito de voltar à normalidade.

¿Ou não? ¿Ou eu estou enganado e quem não concorda comigo não está?

hmf

15 setembro 2005

A esperança como negócio (3)... Premeditando o cheque

¡Baita gargalhada!
¡¡¡¡HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HAR!!!!...

¿Viram só a final do festival de música da tv curtura?

¡¡¡¡BLARG-BLARG-BLARG-BLARG-BLARG!!!!...

¡O ganhador é filho do apresentador!...
¡Q coisa feia...! Parece festival em cidadezinha do interior...

¡¡¡¡BRUHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHcófcófââââ!!!!...

A música vencedora tem até vários méritos, e a consagração pode ter até rolado na maior honestidade. Mas – nosso espontâneo Dr Plausível sempre ensina – é possível agir honestamente e ao mesmo tempo sem ética nenhuma. O engraçado nem é a marmelada goiabenta de chuchu q foi essa final, e sim o fato de q tanto o paizão curuja qto os outros quatro apresentadores simplesmente se es-que-ce-ram de mencionar essa, digamos, importante informação nepo-genética na biografia do contemplado. Aliás, na final, o genitor esteve estranhamente ausente da telinha...

Pois é. wandi doratiotto, fundador do Premê, bastião da tv curtura e apresentador do festival, é pai de danilo moraes, ganhador do festival, cujo prêmio totaliza 200 mil reais. ¡Vá ser real assim lá no Brasil, sô!

¡Sonoras gargalhadas!

¡¡¡BLASTOFAPAPALABARATAQUAPATAPA!!!...

E o rapaz não só é filho do apresentador, como já trabalhou prà tv curtura. Além disso, sua música também ganhou o prêmio de "melhor arranjo", feito por um cara ('ironicamente' escolhido por sabe-se-lá-quem da própria tv curtura), q é amigo e colaborador do dito cujo apresentador.

¡Junto com o Mensalão, agora temos o Festivalão! ¡CPI já!

¡¡¡BRABRABRABRABRABRABRABRABRAcófcófpffffhhh!!!...

¡Vai lucrar assim com a esperança alheia lá no Brasil, sô!

10 setembro 2005

O esprit de corps das plantas

Nosso endossado doutor não costuma se meter com filósofos. Aliás, nem com filósofos nem com qqer outra espécie de gente armada. ¡Êitcha tchurminha, viu?

Mas tem um tal de não-sei-das-quantas Carvalho q viaja na maionese mais q o normal, e o Dr Plausível às vezes perde alguns minutos por ano pra desatar longas gargalhadas lendo a produção do indivíduo. E tome Hellmann's. HAHAHAHAHAHAHA Esse cara deve ter duas mãos direitas. Porque não é possível alguém se achar tão no centro dum atualissíssimo e importantessizíssimo debate nacional sobre o sexo dos anjos e a 4ª Internacional Comunista. ¡Cada um q me aparece! ¿Será q ninguém percebe q a inteligência absurda desse camarada é um subproduto de sua paranóia? pfffffrrrrrrrhhhh....

Outra: ¡vai gostar de estadunidense assim lá em São Francisco! HA! É só um peidar q ele já chama de perfume. Pra ele, o Bush é pouco menos q um herói. Esse é um sintoma q o colocaria numa Clínica de Repouso Dr Plausível à força, fosse este um mundo justo.

Porque, vejam bem, ¿não é de espatifar os neurônios q um Carvalho venere um Arbusto?

08 setembro 2005

Latrina e suas lausas

Hoje de manhã fui chamado às pressas ao aeroporto pra ir buscar o Dr Plausível. Segundo me informaram, nosso entretente doutor não parou de rir um segundo durante todo o vôo de regresso. Sua gargalhada cristalina e saborosa contagiou os passageiros, as aeromoças, até o piloto. Chegando ao aeroporto, todos ali foram parando de trabalhar pra sentar e rir até q um bóingue quase errou de pista e o doutor foi colocado num contêiner à prova de som.

Isso acontece toda vez q ele vai aos EUA, mas desta vez foi demais. O vírus da hipoplausibilose tbm se propaga pelo ar, e essa Katrina deve ter espalhado trilhões de litros dele por todo o país. Porque ¡vai fazer estrago assim lá na basa do baralho, viu!

Passa um furacão e ¡alguém tem q levar a culpa! ¿Esse pessoal não sabe o q quer dizer 'desastre natural'? ¿E 'imprevisto', será q eles conhecem? HAHAHAHAHAHAHAHA

Se fosse só isso, já estava de bom tamanho. Mas o furacão fez estragos hipoplausibiléticos no mundo todo. O doutor previu, e agora aconteceu: já tem insignes representantes de várias religiões dizendo q o furacão foi uma punição contra os EUA, seja pela invasão do Iraque, seja pelo preconceito contra o Islã, pela desjudiação de Gaza, ou pela bomba de Hiroshima, e já deve ter alguém dizendo q toda aquela região era uma Afro-Gomorra e merecia umas porradas bem dadas.

HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HARFfff
QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÓ-qüé-quiquiki-ki-i-ifffff...

¡Toma vacina, gente! Só quem conhece o Dr Plausível sabe dos fatos: O Bush está louvando a Deus e a Alá diariamente, rezando de joelhos toda manhã e lambendo o chão em agradecimento ao Ser Supremo por não ter enviado a Katrina duas semanas mais tarde, no dia 11 de setembro. ¡Imagine o q os muçulmanos não diriam!

FUÓ-FUÓ-FUÓ-FUÓ-FUÓ-FUÓ-FUÓÓóóó...
HUARK-HUARK-HUARK-HUARK-HUARK-HUARK-HUARKhhh...
BLARF-BLARF-BLARF-BLARF-BLARF-BLARF-BLARFFFffff....

tsc tsc tsc

(¡Ei, mas ainda estamos no dia 8! Ooooohhhh!)

06 setembro 2005

A esperança como negócio (2): uma réplica

Um caro leitor, sem dúvida vitimado por um ataque passageiro de hipoplausibilose, enviou este comentário sobre o artigo anterior:

O crescimento resolve mais problemas do que cria – principalmente o desemprego e a distribuição de renda – e não depende apenas do crescimento populacional. ... Algumas coisas dependem do "desenvolvimento", que é um passo além do crescimento, representando mais questões qualitativas do que quantitativas. ... o doutor aponta entre fatores externos e a pobreza uma relação de causa e efeito mais destacada do que a dos fatores internos.

A hipoplausibilose pode causar danos irreparáveis. Não consegui contactar nosso epistêmico doutor, q está em férias no Alabama. Mas é num espírito de solidariedade pós-Katrina q me disponho aqui como paramédico a utilizar suas técnicas plausoterápicas pra tentar minimizar o estrago na mente inundada desse leitor.

O vírus atacou em três flancos: o leitor (1) acha q o crescimento econômico não depende apenas do crescimento populacional; (2) acha q o desenvolvimento resulta em melhoras qualitativas mais q quantitativas; e (3) viu no artigo anterior uma certa demonização da Zoropa como promotora de pobreza no terceiro mundo. Vou tratar dos sintomas em ordem inversa.

(3) A Zoropa não pode "causar" a pobreza do terceiro mundo - pelo simples motivo de q a pobreza é, como já foi dito aqui, o estado natural da humanidade, e portanto não pode ser "causado" por coisa alguma.

(2) O famigerado "crescimento econômico", no entanto, por se valer de aprimoramentos cada vez mais minuciosos em ribombocas de parafusetas cada vez mais diminutas e ao mesmo tempo cada vez mais repetitivas, depende da produção incansável de bebês pobres pra q estes, ao crescerem, cuidem de detalhes cada vez mais liliputianos, mais numerosos e comparativamente menor remunerados, e adquiram (coletivamente) cada vez mais produtos cada vez mais padronizados. Ou seja, os detalhes vão ficando cada vez menores e mais numerosos, e seu volume aumenta, e portanto é preciso haver cada vez mais pessoas q se vejam forçadas a cuidar deles: ou seja, os pobres esperançosos.

(1) O "desenvolvimento" é outra falácia q nada mais é q um resultado fortuito do aumento populacional: qto mais gente há no mundo, há mais invenções e descobertas. No entanto, mesmo em número ou relevância, as invenções e descobertas nunca reduzirão a aceleração da criação de problemas, pelo simples motivo de q um problema precisa primeiro aparecer pra depois ser resolvido, e qto maior o número de pessoas, tantos mais problemas novos são criados. Além disso, no q diz respeito à relação entre desenvolvimento e aumento da população pobre, vale o plus ça change, plus c'est la même chose: a Zoropa, as patentes e os royalties de hoje são os nobres, feudos e tributos de ontem, só q com um aumento estapafúrdio nos níveis de encheção de saco e de degeneração do mundo natural.

Tente vc mesmo este reductio ad absurdum: imagine uma tribo de digamos 500 humanos na Idade da Pedra. ¿Vc consegue imaginar essa tribo, mantendo sua população estável ao longo de 100 mil anos, atingir, unicamente por inteligência, sabedoria e empenho, o nível de desenvolvimento, bem-estar e conforto médio dos dias de hoje? Difícer, né?

Em resumo, se em mil-setecentos-e-pedrada a população mundial era x, e hoje um número igual ("x") de pessoas vive bem e confortavelmente, ¿pode-se em sã consciência dizer q houve desenvolvimento, se no interim criou-se um número y=1000.x de pessoas, 100.x das quais têm vida análoga à dos pobres de mil-setecentos-e-pedrada, e sendo q em termos absolutos a distância entre o mais rico e o mais pobre aumentou na mesma proporção?

O Dr Plausível deve estar se divertindo às pampas no Alabama.