18 agosto 2005

A esperança como negócio

Esse Festival da Cultura está precisando urgentemente duma consulta com o Dr Plausível: já colocou várias pulgas atrás da orelha de nosso epifânico doutor - e é ali onde ele tem mais cócegas. Basta uma pulga pôr a patinha no lóbulo e ele já começa a rir. Ontem, houve rebuliço na vizinhança qdo alguém chamou a polícia pra fazer o doutor parar de gargalhar, depois q à meia-noite subiu ao palco da "nova música do Brasil" um rapeiro q imitava absolutamente tudo dos originais estadunidenses. Mas vá lá alguém dizer pro rapeiro q o rap só faz sentido com a fonética e a prosopopéia do inglês, q por sua vez não tem nada a ver com a fonética e a prosopopéia do português... Vá lá alguém dizer... Como eu já comentei aqui, imitar é uma coisa q brasileiro não faz bem. Não faz bem e nem devia fazer e nem precisava fazer. O próprio fato de alguém pensar num festival ostensivamente pra divulgar e promover a música brasileira já passa um atestado de pé-atrás, de atitude defensiva, de vamos-salvar-a-pobrezinha. E aí convidam um rapeiro... Das duas uma: ou o vírus da hipoplausibilose galopa nas veias desse festival, ou essa 'proteção' é só pràs câmeras.

Uma outra pulga é a do prêmio. O FesCul convidou compositores de todo o Brasil a inscrever uma canção por compositor. Ou seja, presume-se q se trate duma competição entre canções: um cantor de Cabungo do Norte q inscreve sua única porém genial composição deveria ter a mesma chance de ganhar o primeiro prêmio q um afamado músico de Jabá do Sul q inscreve sua milésima porém igualmente genial composição. ¿Não é? Assim pensaram todos: inscreveram-se mais de 5mil compositores, cada um com sua cançãozinha. ¿Como é então q a grandessíssima maioria dos 48 escolhidos é composta de gente já conhecida no meio musical, ou gente associada a gente conhecida? O doutor começa a tiritar.

Mas aí olhe o primeiro prêmio; aliás, preste atenção no primeiro prêmio: R$200mil, sendo q R$50mil em dinheiro e o restante pra produzir um CD, um DVD e um programa especial com o compositor vencedor. De repente tudo começa a fazer sentido: pois ¿q espécie de CD, DVD ou programa musical (perguntou-se a comissão julgadora) pode-se realizar com aquele cantor de Cabungo do Norte q só compôs uma música em toda sua vida? ¿Sabe qdo eles iriam se arriscar a q ganhasse a canção dum joão-ninguém?

HARHARHARHARHARHARHARHARHARHARQÜÉÉÉÉéééé...

A comissão julgadora de qqer festival nesse modelo e desse porte deve funcionar na verdade como uma comissão pré-julgadora. Certamente, no caso do FesCul, das 5mil canções peneiraram-se anomimamente digamos as 200 melhores. Daí pesquisaram-se os currículos dos compositores dessas 200, perguntando-se quais entre eles teriam potencial pra um CD, um DVD e um programa.

Ou seja, o próprio prêmio invalida as inscrições da grande maioria dos esperançosos.

BLARG-BLARG-BLARG-HAHAHAHAHAHAhhhfff...

¿Isso tudo pra maquiavelicamente inflar o número de inscritos? Será? Naaah... O Dr Plausível acha apenas q esse modelo de festival sofre de hipoplausibilose já ao nível genético.

Quéqué. Haja Neocid.

3 comentários:

Pracimademoá disse...

Hmm... Mas eu não vejo nada de hipoplausibilético num bando de empresários armando mais uma parada com fins comerciais e lucrativos a nível de grana enquanto capitalismo envolta em um boa lábia, fogos de artifício e efeitos especiais. Se alguém precisa de tratamento nessa história, é quem se inscreveu.

Ou não?

Permafrost disse...

Já eu, acho q um festival se faz pra q todo mundo saia ganhando, uns com o trabalho dos outros, e com o apoio financeiro e venerante do público pagante. A hipoplausibilose do FesCul e de outros similares está na frase em itálico, e realmente parece - como vc deve suspeitar - plantada como se por alguém q se faz de bobo.

Radical e pronto disse...

festival é coisa de viado. E pronto.

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