22 agosto 2005

A esperança como negócio (2)

Alguns dias atrás, um leitor defendeu o "crescimento da economia". Haja esperança, hein?

Basta o vírus da hipoplausibilose mostrar sua carinha, q nosso esterlino terapeuta se empapola duma comiseração quase avuncular pelo infectado. Pois ¿como é possível um animal racional defender uma balela tão patética? Nem preciso dizer q concordo com o doutor qdo declara q "o crescimento econômico é o aprendiz de feiticeiro Mickey em pânico vendo a proliferação de vassouras, q ele mesmo causou".

À primeira vista, o crescimento econômico parece bom e saudável. Pois ¿não é o pogréssio o q permite q mais e mais pessoas vivam bem e produtivamente? Durante o governo FHC, um dono de construtora conhecido meu sempre ralhava contra a política de moradia. Pra ele, um governo q não estimula a construção civil tbm não estimula o crescimento, pois "quem casa quer casa, e quem tem casa compra geladeira, fogão, movéis, telefone, todas essas coisas q são a economia; ou seja, estimulando a construção civil, estimula-se toda a economia" até a fábrica de alfinetes Smith.

Mas o Dr Plausível ri às bandeiras despregadas de tudo isso: esse papo de crescimento da economia é tudo papagaiada hipoplausibilética. A economia não cresce: ela aumenta. O "crescimento" da economia depende da produção incansável de bebês pobres, q vão paulatinamente virando adultos e acumulando produtos. O problema da pobreza nunca vai ser solucionado pois o desenvolvimento depende da existência permanente dum lastro de população carente e esperançosa, e esta sempre será mais numerosa q o resto.

(Tbm sempre vai haver quem diga, "mas olha a Zoropa: o "crescimento" da economia Zoropéia foi muito maior q o aumento populacional no continente Zoropeu". O doutor sorri: "É claro, meu netinho, a Zoropa terceirizou a produção de bebês pobres pro terceiro mundo. HAHAHAHAHAHAHAHA" E eu adiciono: a Zoropa cinicamente disseminou desejos de consumo de produtos Zoropeus. Pois olhem bem pro Brasil, senhoras e senhores: nada do q dá dinheiro aqui foi criado aqui. Olhe a tua volta, minha senhora; veja se descobre algum produto q tenha sido idealizado, criado e desenvolvido no Brasil. Não os há. Olhe lá fora na rua, meu senhor; veja se encontra algo industrializado q não pague ou não tenha pago royalties a europeus, estadunidenses ou japoneses. No los hay. Tire a Zoropa do mapa e o terceiro mundo volta ao século XIX. Tire o terceiro mundo do mapa e a Zoropa abre falência. O terceiro mundo nunca vai ter um desenvolvimento comparável pois não há um quarto mundo a descobrir e explorar, e onde terceirizar os bebês.)

O pogréssio q se vê hoje foi unicamente em função do aumento populacional: tem cada vez mais gente suando a camisa pra comprar produtinhos cada vez mais padronizados e desbastados de longevidade. O único motivo de hoje haver mais gente 'bem-sucedida' é q há mais gente no mundo, simplesmente.

E acho q todos sabemos o q significa, pra cada um de nós pessoalmente, o "crescimento" econômico: mais gente, mais apinhação, mais devastação, mais mediocridade, mais caos, mais desrespeito, mais arbitrariedade, mais barulho, mais epidemias, mais ignorantes, mais emporcalhação, mais desordem, mais canalhices, mais erros, mais cagadas homéricas, mais animais extintos, mais ruídos, mais calhordas, mais neuroses, mais congestionamentos, mais drogas, mais conflitos, mais invasões, mais propagandas, mais destruição, mais insanidade, mais desaforos, mais acidentes, mais esnobes, mais buzinaços, mais lixo, mais desflorestamento, mais baderna, mais ladroeira, mais cretinos, mais vícios, mais disputas, mais medos, mais sujeira, mais trapalhadas, mais incêndios, menos áreas livres, mais tráfico de animais, mais confusão, mais gritaria, mais pobres, mais sacanagens, mais arruaças, mais obscenidade, mais gente burra, mais rojões, mais divergências, mais mentiras, mais distância entre o Estado e o Povo.

O Dr Plausível, em sua benevolência de vovô, tem dó de gente.

21 agosto 2005

A morte do redator

Aí um anúncio de não-sei-o-quê me vem com o slogan "Tem amor até no preço."

Ah tá, o preço deve estar pela hora da morte...

RARARARARARARARA...ssss

Tem gente q não se dá ao trabalho, né?

20 agosto 2005

A trapalhada

E por falar em esperança, eis q, estando nosso eufemístico doutor à tv, aparece-lhe o Renato Aragão pedindo doações para o nobre Criança Esperança, dizendo:

-Acabou. Hoje é o último dia. Não deixe pra depois. É sua última chance.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

¿Como é q alguém pode deixar pra doar depois se esta é sua última chance?

Não há dúvida de q o CE tem a nobre missão de compensar algumas negligências dum sistema relapso e cretino, mas pô, ¡alimenta melhor esse redator!

18 agosto 2005

A esperança como negócio

Esse Festival da Cultura está precisando urgentemente duma consulta com o Dr Plausível: já colocou várias pulgas atrás da orelha de nosso epifânico doutor - e é ali onde ele tem mais cócegas. Basta uma pulga pôr a patinha no lóbulo e ele já começa a rir. Ontem, houve rebuliço na vizinhança qdo alguém chamou a polícia pra fazer o doutor parar de gargalhar, depois q à meia-noite subiu ao palco da "nova música do Brasil" um rapeiro q imitava absolutamente tudo dos originais estadunidenses. Mas vá lá alguém dizer pro rapeiro q o rap só faz sentido com a fonética e a prosopopéia do inglês, q por sua vez não tem nada a ver com a fonética e a prosopopéia do português... Vá lá alguém dizer... Como eu já comentei aqui, imitar é uma coisa q brasileiro não faz bem. Não faz bem e nem devia fazer e nem precisava fazer. O próprio fato de alguém pensar num festival ostensivamente pra divulgar e promover a música brasileira já passa um atestado de pé-atrás, de atitude defensiva, de vamos-salvar-a-pobrezinha. E aí convidam um rapeiro... Das duas uma: ou o vírus da hipoplausibilose galopa nas veias desse festival, ou essa 'proteção' é só pràs câmeras.

Uma outra pulga é a do prêmio. O FesCul convidou compositores de todo o Brasil a inscrever uma canção por compositor. Ou seja, presume-se q se trate duma competição entre canções: um cantor de Cabungo do Norte q inscreve sua única porém genial composição deveria ter a mesma chance de ganhar o primeiro prêmio q um afamado músico de Jabá do Sul q inscreve sua milésima porém igualmente genial composição. ¿Não é? Assim pensaram todos: inscreveram-se mais de 5mil compositores, cada um com sua cançãozinha. ¿Como é então q a grandessíssima maioria dos 48 escolhidos é composta de gente já conhecida no meio musical, ou gente associada a gente conhecida? O doutor começa a tiritar.

Mas aí olhe o primeiro prêmio; aliás, preste atenção no primeiro prêmio: R$200mil, sendo q R$50mil em dinheiro e o restante pra produzir um CD, um DVD e um programa especial com o compositor vencedor. De repente tudo começa a fazer sentido: pois ¿q espécie de CD, DVD ou programa musical (perguntou-se a comissão julgadora) pode-se realizar com aquele cantor de Cabungo do Norte q só compôs uma música em toda sua vida? ¿Sabe qdo eles iriam se arriscar a q ganhasse a canção dum joão-ninguém?

HARHARHARHARHARHARHARHARHARHARQÜÉÉÉÉéééé...

A comissão julgadora de qqer festival nesse modelo e desse porte deve funcionar na verdade como uma comissão pré-julgadora. Certamente, no caso do FesCul, das 5mil canções peneiraram-se anomimamente digamos as 200 melhores. Daí pesquisaram-se os currículos dos compositores dessas 200, perguntando-se quais entre eles teriam potencial pra um CD, um DVD e um programa.

Ou seja, o próprio prêmio invalida as inscrições da grande maioria dos esperançosos.

BLARG-BLARG-BLARG-HAHAHAHAHAHAhhhfff...

¿Isso tudo pra maquiavelicamente inflar o número de inscritos? Será? Naaah... O Dr Plausível acha apenas q esse modelo de festival sofre de hipoplausibilose já ao nível genético.

Quéqué. Haja Neocid.

14 agosto 2005

A nova música do Brasil

Ué?

04 agosto 2005

Os fajutos, rádio novela

Ontem, ao ouvir pelo rádio uma tal de Simone Vasconcelos ser entrevistada numa CPI enquanto cagava, nosso elogiável luminar descambou a rir e logo descobriu q cagar e gargalhar são duas ocupações incompatíveis.

Após duas horas ouvindo o "questionamento" de cá e o "depoimento" de lá, o doutor se perguntava, "Ué, ¿essa gente não faz lição de casa?" E foi aí q a verdade estalou no elegante cérebro do Dr Plausível: toda aquela gente - os q perguntam, os q respondem, os q pairam, os q bundam - está ali apenas pra contemporizar o inabafável. Já q uma das muitas maracutaias submersas agora veio à tona na imprensa, é preciso queimar algum infeliz. Estão ali ganhando tempo enquanto nos bastidores se decide quem será sacrificado.

Mas a imprensa não vai se contentar com isso. Os cepeintes estão todos envolvidos na sagrada atividade de tirar o fiofó da reta. Quem tem culpa no cartório está ali pra tirar o fiofó da reta; quem não tem culpa está ali pra q não o confundam com quem quer tirar o fiofó da reta, e portanto também quer tirar o fiofó da reta. Mas a imprensa quer porque quer fiofó na reta, e não vai se satisfazer enquanto o próprio Lula não for humilhado em praça pública. ¿Tá pensando o quê? Peão tem q ralar.

O pior é q o script da CPI não se sustenta nem como drama nem como comédia. Ô escritorzinho fajuto. Duas horas é o máximo q o doutor escuta de "rêidjo daráma" de terceira.

01 agosto 2005

Realismo político

Já disse aqui q "em política, o Dr Plausível discorda e duvida de tudo, e portanto sempre tá com a razão". Às vezes, até chega a parecer aquele meteorologista q respondia toda indagação sobre o clima dizendo "vai chover" e, logicamente, sempre previa certo. Pouco depois da posse de Lula, nosso essencial doutor previu q ia chover; e choveu mesmo, só q muito antes do q achava. Leia aqui. Mas ¡longe de tomar partido! O doutor acha engraçadíssimo q política gere tanta controvérsia e sectarismo, mas mesmo assim eu não acredito q a cúpula petista sempre coniviu com a corrupção.

O PT conseguiu chegar à presidência depois q sua cúpula caiu na real e aceitou q as barafundas da política brasileira tão longe de ser um terreno favorável onde se possa plantar, cultivar e fazer frutificar ideais. A cúpula quis fazer uso dum recém-descoberto 'realismo político' e aí se ferrou de verde e amarelo. Pois nesse campo, os petistas ainda jogam com bola-de-meia. Acharam q tinham q fazer o jogo dos veteranos e agora engolem um gol atrás do outro.

São calouros e receberam o tratamento q todo calouro recebe: o trote.

Tão engraçado quanto o PT, é o povario q idealiza e apóia a oposição ao PT, insistindo q a governança deveria ser entregue a gente "experiente". Se não fossem tão ingênuos qto os peteiros, veriam q seu idealismo, qdo aplicado à política brasileira, tem conotações ocultas. Essas conotações, se expressas abertamente, seriam mais ou menos assim: "O principal é não desestabilizar o mercado. Portanto, o bom corrupto é o corrupto oculto. Pra se ocultar com eficiência, o corrupto tem q ser politicamente realista. Ora, realismo político não é coisa pra novato. O cara tem q ter crescido com isso, desde o berço vendo seu avô e seu pai corrompendo, subornando e lucrando ao ignorar a justiça e a decência. Realismo político se aprende com a experiência; não se pega duma hora prà outra."

Às vezes, ser simplesmente plausível não é suficiente.