21 junho 2005

O guia de quem se acha

Essa foi de matar pedra.

Nosso esmerado doutor é um fã incondicional de The Hitchhiker´s Guide to the Galaxy, do Douglas Adams. Já ouviu o programa de rádio da BBC, q originou toda a saga, já leu os livros, já tudo. Aliás, diga-se de passagem q, mesmo ao ser fã incondicional de alguém, o doutor permanece fiel a seus princípios plausibilógicos, pois é fã dum autor já falecido... Acontece q tbm eu sou fã dele, então sempre temos assunto pra conversar. Leia a seguir, uma parte uma transcrição de minha conversa de ontem com o Dr Plausível:

EU: ¿Vc já viu q saiu o filme do Hitchhiker's no Brasil?

ELE: Ah. Já estava esperando. Eu aguardei com um certo interesse a estréia do filme - só q já sabendo q alguém ia cagar em algum ponto do processo. pfâ... Mas outro dia li a crítica do Anthony Lane numa New Yorker q achei na rua, e fiquei mais animado.

EU: Olha, se lá ninguém cagou, não faltou quem cagasse aqui.

ELE: Ah é? HAHA! Eu já sabia q a evidência fecal não tardaria. E o q foi, desta vez?

EU: Bom, pra começar, eles preferiram manter a gafe no título traduzido da versão brasileira do livro.

ELE: Ah, claro! No Brasil, The Hitchhiker´s Guide to the Galaxy virou "O Guia do Mochileiro das Galáxias". HAR-HAR-HAR-HAR-HUÁ É hilariante a imprecisão desse pessoal...

EU: É, né? pois logo de cara, a dúvida se instala: ¿será q é um "guia do mochileiro" das galáxias, ou será q é um guia do "mochileiro das galáxias"? HA!

ELE: HAHAHAHAHAR-pfâ ¿Ou será q é um guia escrito por ou um mochileiro qqer q é das galáxias, ou será q é um guia de propriedade do único mochileiro em todas as galáxias? HARHARQUAR... Um boné véio, como se constata. pfu

EU: Aparentemente ninguém pensou em "Guia das Galáxias para Mochileiros".

ELE: Ou pior: se pensou, descartou. pfâfff... Foi como seria traduzir o Gay Guide to New York como o "Guia do Gay de Nova Iorque", como se fosse de propriedade dum gay nascido em Nova Iorque, e mais ninguém.

EU: Bom, é provável q os produtores brasileiros da tradução do filme tenham preferido respeitar os fãs brasileiros da tradução brasileira (com certeza não muitos) e portanto tenham mantido a bêtise do tradutor brasileiro. O fato é q resolvi dar um chego com a patroa num cinema e ver se valia a pena recomendar o filme pra vc ver. Mas já fui com um pé atrás, porque num texto de jornal sobre o filme, o nome "José Wilker" apareceu inexplicavelmente. Alguma coisa sobre dublagem...

ELE: Não creio no q ouço. ¿Fizeram uma versão dublada pra benefício do público infantil?

EU: Foi o q eu achei. Eu perguntei prà caixa do cinema se o filme era dublado, e ela disse "Não q eu saiba." Aí compramos os exorbitantes, entramos e... e...

ELE: E...?

EU: Vimos um total de 17 segundos de filme. Foi só a voz do JW soar q o cinema inteiro (aliás, uma mera sala de projeção num chópim), o cinema inteiro me ouviu ganir "¡Ah, nãão!" Levantamos e fomos embora. Aí perguntei pro porteiro qdo passava a versão legendada, e ele disse q essa é a única versão; só q o narrador é dublado pelo Zé Wil e a ação é legendada.

ELE: ¡¿¡QUÊ?!? ¡¡AAAAAAAAAAAAA-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ....!! ¡¡¡Virou um documentário da GNT!!! ¡E o Zé Wilker pra fazer o livro!...? ¡O Professor Emérito da Escola Victor Mature de Artes Contábeis!

EU: Colega do Tarcísio Meira...

ELE: Total miscasting. E a julgar pela tradução do título, vc fez muito bem em sair do cinema. ¡Q vergonha!

EU: ¡Q ridículo!

ELE: ¡Q engraçado! pfffffff-hâhâhâhâhâhâhâ....

EU: Não tem humor na voz, na dicção, na entonação, no timbre... e colocam o cara pra narrar o livro... Q perda de tempo...

ELE: E q desperdício de talento. ¿Onde é q esse pessoal tem essas idéias? Prêssionante... ¿Devolveram o dinheiro?

EU: Pelo menos isso.

ELE: Aí vc pode usar pra alugar o dvd qdo sair.

EU: É.

12 junho 2005

É bom ter um tipo de coisa assim de vez em quando

Nosso emulsificante doutor dá muita risada vendo tv. Mas às vezes aparece algo q presta. Ontem numa matéria na BBC sobre um concerto pacifista na Zoropa, eis q lhe aparece o Robert Plant (do Led Zeppelin) declarando seu apoio à causa pacifista com as seguintes palavras:

I´d say, don´t spend another dollar on weapons ... I mean, how many different ways of dying can there be?

E ¿não é q o Dr Plausível gostou?

09 junho 2005

¡Afunda, trouxa!

Mal ligou a tv pela primeira vez em meses, e o Dr Plausível já contribuiu pra purificar o ar de São Paulo com sua cristalina gargalhada.

¿Já viram um reclame de filme fotográfico em q um náufrago numa ilha deserta acha uma câmera e vai tirar uma foto de si mesmo? ¡Q trapalhada q esses reclameiros fizeram, hein? É prova de q a hipoplausibilose é um fenômeno global, visto q se trata dum anúncio importado.

No momento em q o náufrago vai se fotografar, uma equipe de resgate pendurada dum helicóptero aparece por trás dele, só pra aparecer na foto, e depois vai embora deixando o barbudo pra trás. Nesse ponto vem o slogan: "Com os filmes Fodak, todo mundo vai querer aparecer na foto." Até aí, tudo bem. Mas os reclameiros não resisitiram e quiseram melhorar uma piada q já estava boa. O desgraçado passa o resto de seus dias sozinho na ilha, febrilmente tirando uma foto após outra de si mesmo na esperança de q outra equipe de resgate apareça.

¡Êta tampa!

¿Será q ninguém da agência ou do cliente percebeu q assim a mensagem do anúncio fica exatamente o oposto do slogan: "Com os filmes Fodak, ninguém mais vai querer aparecer na foto."? HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HÓÓÓÓÓRRrrr

A tchurma de propagandengos q perdoe nosso exímio doutor; mas vá errar feio assim lá em Itaparica.

08 junho 2005

Careful with that axe, Gregory

Muitos leitores têm me perguntado sobre o paradeiro de nosso estimado Dr Plausível. E aqui vai a resposta. Nos últimos meses, o elucubrável doutor esteve rodando o mundo cumprindo uma agenda de vários congressos, simpósios, conferências e feiras de Plausibilética Avançada, como faz a cada dois anos. Ao todo foram 47 eventos e 11 participantes, contando os 9 da produção. Um sucesso sem precedentes. Se depois dessas palestras as moscas continuarem a empestar tanta gente, será porque não prestaram a mínima atenção.

E foi só botar o pé de volta em São Paulo e tomar um táxi q mais um taxista iluminou seu dia com a risada fulgurosa de nosso embasbacante humanista. Pois ¿não é q o rádio estava ligado na Antena 1 e passou um anúncio de (¡pasmem todos!) CDs de sucessos populares em canto gregoriano.

¡¿?!¡?¡!¿?¡!¡¿!¡?¿¡?¡!¿¡?!¿

¿uadafâc?

¡E faz o maior sucesso!

Diz q um produtor inglês chamado Frank Peterson teve a idéia de botar um coro masculino cantando em únissono músicas dos Beatles, da Celine Dion, Pink Floyd e o baralho a buatro, botar uma banda acompanhando e pronto: canto gregoriano.

Qta má fé, não?

Porque se juntar uns boludos pra entoar umas melodias fáceis em uníssono configura canto gregoriano, então qqer bando de marmanjos cantando samba em bar da Freguesia do Ó se qualifica. O produtor inglês devia ter aprendido com seus compatriotas do Monty Python. No "Crunchy Frog Sketch", o inspetor Praline avisa o fabricante de bombons de sapo: "I must warn you that in future you should delete the words 'crunchy frog', and replace them with the legend 'crunchy raw unboned real dead frog', if you want to avoid prosecution." Esses CDs deviam ser vendidos como "Grupo de homens fantasiados de monges cantando em uníssono arranjos pasteurizados de sucessos comerciais, com acompanhamento".

E digo mais: o objetivo mais nobre q pode almejar um pastiche desse quilate é causar risadas fulgurosas no Dr Plausível. Pra isso bastava um CD só, não cinco.

Mas parece infindável, a variedade deste mundo...