29 dezembro 2005

Kant e sua nêmesis

Segue abaixo o q Immanuel Kant teve q ouvir do primeiro editor a quem mostrou sua "Crítica da Razão Pura".

Editor: Esse teu texto vai confundir o leitor. (confundir = causar confusão na mente de alguém)
Está confundinte; quem ler vai entender tudo errado. (confundinte = q confunde)
Vc precisa reduzir a confundintez desse texto, se não, não vai dar. (confundintez = qualidade daquilo q confunde)

¿Por que confundintizou esse assunto? ¿Quer q ninguém entenda? (confundintizar = tornar algo capaz de confundir)
Vc perdeu muito tempo na confundintização desse texto e agora está com preguiça. (confundintização = ato de confundintizar)
O confundintizamento desse assunto só pode ter resultado de tua inépcia. (confundintizamento = efeito da confundintização)
Esse assunto é muito confundintizável; teria sido melhor nem escrever sobre ele, pois será difícil não confundir o leitor. (confundintizável = q se pode tornar capaz de confundir)
A confundintizabilidade desse assunto deve ser o motivo de pouca gente escrever sobre ele. ¿Por que não desiste? (confundintizabilidade = qualidade do q se pode tornar capaz de confundir)

¿Quer fazer o favor de desconfundintizar esse texto? Do jeito q está, eu não publico. (desconfundintizar = reduzir a confunditez de algo, torná-lo mais claro)
Se quiser, eu até pago pela desconfundintização desse teu texto. (desconfundintização = ato de desconfundintizar)
Vc só vai conseguir publicar isso se chegar a um desconfundintizamento razoável. (desconfundintizamento = efeito da desconfundintização)
Acho até q esse texto está desconfundintizável; faça um esforço, q vc consegue torná-lo menos confundinte. (desconfundintizável = q se pode desconfundintizar)
Se não fosse a desconfundintizabilidade desse texto, eu já teria desistido de publicá-lo. (desconfundintizabilidade = qualidade do q se pode deixar mais claro)

¿Criptografar? ¿Tá maluco? Se vc criptografar o texto, vai indesconfundintizá-lo de vez. (indesconfundintizar = tornar impossível a desconfundintização de algo)
¿O quê? ¿Vc quis a indesconfundintização desse texto? E ¿onde é q o leitor fica nessa? (indesconfundintização = ato de indesconfundintizar)
Mas vejo q vc não fez o serviço completo. O indesconfundintizamento não foi total. Ainda há esperança. (indesconfundintizamento = efeito da indesconfundintização)
Kant: Sinto muito, mas esse assunto é indesconfundintizável: ou vc entente ou não entende. (indesconfundintizável = q não se pode tornar capaz de causar menos confusão)
Editor: Bem, se vc acredita na indesconfundintizabilidade desse texto, acho melhor não publicar. (indesconfundintizabilidade = qualidade do q não se pode deixar mais claro)

21 outubro 2005

Travessuras de gramãticos

Em país lusófono, sempre dá pra contar com os gramáticos pra raciocinar tudo atravessado e destrambelhar as cabeças de gado q seguem as regrinhas cagadinhas. Sesdias, o Dr Plausível, ao ler numa legenda a frase "Não aceito mais má-criações do seu filho", sinceramente sentiu dó.

Pois ¿não é q o dicionããrio não glosa 'malcriação'?

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Q ridículo.

Qqer besta de carga pode raciocinar q a locução 'má criação' (tal como numa frase como "Os maus modos à mesa são indício de má criação.") resultou na locução adjetiva 'mal criado' e então no adjetivo 'malcriado', e daí resultaram os substantivos 'malcriação' e 'malcriadez', ora pois não?

Mas depois de relegar 'malcriação' e 'malcriações' ao Cemitério das Boas Criações do Português, lá vêm os gramããticos dizer q o certo é 'má-criação' com o plural 'más-criações' e ¡PASMEM TODOS! também 'má-criações'.

Se vc encontrar uma só pessoa q diz unselfconsciously 'má-criações' em todo o planeta Terra e mais três luas, o Dr Plausível jura q faz o curso de Fascismo Avançado da Universidade Mussolini de Berlin.

15 outubro 2005

P1b: preconceitos sem ibope [2/3]

Abaixo, um resumo da segunda parte da palestra do Dr Plausível sobre a preconceitada toda. Leia a primeira parte aqui.

« Em filmes, por exemplo, o herói não pode menosprezar gente de raças diferentes da dele e deve tratar a mulher com respeito e equanimidade. Mas qdo o mesmo herói faz careta ao receber atenções de mulher feia, burra ou chata, a cena é tratada comicamente. Enforcar negros/judeus/índios e queimar/escravizar/espancar mulheres não pode; mas dificultar a felicidade e a reprodução de gente feia/burra/chata pode, né?

« Talvez admire a alguns q o racismo e o sexismo gozem de tanta publicidade, qdo há tantos outros preconceitos mais funestos e odiosos. Mas os motivos pra tanto ibope são simples:

« (1) raça e sexo resultam em preconceitos de vista curta, ou seja, generalizações identificáveis à distância mesmo por quem não enxerga bem; o racismo e o sexismo têm assim uma longa gama de distâncias pra se divertir, enquanto q o burricismo, o feiurismo e o chaticismo (por exemplo) precisam de maior proximidade pra fazer diferença;

« (2) tanto o racismo qto o sexismo se tornaram mais evidentes só recentemente, nos útimos 300 anos, com a multiplicação das interações entre as raças e com a multiplicação das atividades compartilhadas entre homens e mulheres; ou seja, preconceito antigo é tido como "natureza humana" e preconceito 'novo' é tido como ofensa (até 300 anos atrás, a ojeriza contra raças estrangeiras não era de todo infundada).

« Hoje há campanhas enormes, amplamente diluídas em toda a mídia, contra o racismo e o sexismo. No entanto, usar a modernidade dum preconceito como justificativa pra atacá-lo é, no mínimo, uma atitude preconceituosa. É como dizer q a moda de hoje é 'melhor' q a de ontem. Todo preconceituoso, assim como todo lambe-moda, acha q tem mais discernimento q o resto dos mortais; mas quem isola um preconceito pra atacar tbm está sendo preconceituoso: existe sim o preconceitismo - a crença de q o preconceito q vc ataca é mais importante e indigno q os demais. »

continua...

14 outubro 2005

Celebremos o cérebro

O Katrina continua deixando bilhões de neurônios ao relento.

Dia desses, nosso eflorescente doutor depositou as vistas num programa de tv da Rita Lee no exato momento em q sua desnêmesis Baby Consuelo colocou em palavras o seguinte pensamento:

"Nova Orleans era a terra do vudu, e o Senhor tinha q intervir."

QUÁQUÁQUÁQUÁQUÁquáaa....

Prêssionante.

A informação trivial de q acontecem furacões naquela região há pelo menos 100 mil anos (pra não humilhar demais) não deve ter vindo nas embalagens de Ping-Pong.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

La Baby é uma das cantoras mais afinadas do Brasil. Mas ¡ô dó sustenido! ¡ô dó bemol! ¿que mais se poderia esperar da tv, qdo se confunde celebridade com cerebridade?

Agradecimentos a Cam Seslaf, de nosso depto. de pesquisas televisivas.

08 outubro 2005

P1a: preconceitos sem ibope [1/3]

Abaixo, um resumo da primeira parte da palestra do Dr Plausível sobre a preconceitada toda.

« Jendia, 'preconceito' é palavrão. E já faz um tempo. Os mais mencionados – o 'de gênero' e 'de raça' – ganham todo o ibope mas, por outro lado, abundam, florescem e medram sem peias ou freias o preconceito contra a feiúra e o contra a burrice – preconceitos estes muito mais insidiosos, daninhos e generalizados. Tá cheio de gente atacando o racismo e o sexismo, mas nada se diz sobre o burricismo ou o feiurismo, q são valorizados e tomados como prova de bom-senso. Nunca se vê gente bonita defendendo o direito de ser feio, ou gente inteligente se misturando com gente burra. Vem um e diz "beleza é fundamental" e recebe de gente burra louros de poeta. Vem outro e diz "não suporto gente burra" e todos a sua volta meneiam suas caras feias.

« Êta aporréia.

« Dir-se-ia q o maior motivo pra isso é q, bom, 99% da humanidade é burra ou feia, ou burra E feia. Mas ué? Preconceito contra minorias não pode, mas ¿contra maiorias pode? Porque desse quase ninguém se salva. HAHAHAHAHAHA

« Dizem q opinião é q nem cu: todo mundo tem um. Preconceito, então, é q nem peido: todo mundo todo dia solta vários em público mas ninguém admite. »

continua...

06 outubro 2005

Palestras do Dr Plausível

Mês passado, nosso esmeráldico Dr Plausível proferiu uma série de palestras no Hörshbarf Institut de Viena sobre assuntos polêmicos os mais variados. O doutor ia falando e o ambiente ia se iluminando no auditório onde – devido ao intenso calendário cultural desse instituto – suas palestras começavam às 5 da manhã e, por sua maviosa e revelante voz, os compreensíveis bocejos da seletíssima platéia iam gradualmente desaparecendo num confortável silêncio. Aqueles q ouviram tiveram uma bela chance de organizar e disciplinar suas cacholas.

Tentarei, durante as próximas semanas, transcrever e traduzir algumas das palestras mais relevantes, começando pelos seguintes assuntos:

• os preconceitos sem ibope
• o aborto e suas masturbações
• a onisciência divina e o livre-arbítrio humano
• armas ad nauseum et ad absurdum
• o marketing direto ao reto
• a direita, a esquerda e o nocaute da razão

22 setembro 2005

O bardo e a berda

Nosso evocante Dr Plausível ministra cursos de desimplausibilamento em todo o território nacional há mais de 30 anos, e às vezes se sente despoluindo o rio Pinheiros com um filtro Melitta. Por que ¡não é possível, né, meu povo?

Ontem, ficou sabendo q rola na internet um texto de umas 700 palavras começando com "Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma"... ai ai ai... Logo de cara – idéias de terceira mão, texto visivelmente traduzido do inglês – já viu q ia dar alguma meleca.

E não deu outra. Pois ¡¿¡¿como é possível q alguém neste mundo leia esse amontoado de clichês de auto-ajuda, esse compêndio de Lair Ribeiro pasteurizado, esses minutos de sabedoria de almanaque, esse pastiche regurgitado da matraca de mil avós, e achar q saiu nada mais nada menos q da pena de "William Shakespeare"?!?! ¿William Shakespeare, aquele do bigodinho e barbichinha?

????

Ô, povo, bastava uma pesquisinha. O texto original foi escrito por uma tal de Veronica Shoffstall circa 1998 – ainda em seus tenros anos de faculdade decerto depois duma cabeçada ou dum pé na bunda –, e foi emendado várias vezes por duendes ajudantes de Papai William, q acharam 160 palavras muito pouco pra toda a profundeza de seus corações...

E nestes risonhos lindos campos, algum inquilino de mentes alheias meteu-se a traduzir essa gororoba – em vez de criar sua própria – e, sabe-se lá por que catso, achou por bem atribuí-la a "William Shakespeare"...

¿Não é de empastelar os miolos?

Uma das muitas páginas com o texto duendizado é esta, com direito a musiquinha de fundo (q muita gente neste mundo injusto há de atribuir a Mozart...). O poema original está aqui. Note qto trabalharam os duendes...

17 setembro 2005

Inunde seu coração de lágrimas por mim

Uma coisa engraçada sobre essa diáspora causada pelo Katrina vem do fato de os EUA serem considerados por seus próprios habitantes como um grande paizão solidário q não vai deixá-los sofrer, não!

Tivesse o sinistro ocorrido em outras épocas, qdo havia mais iniciativa individual, menos fobias promovidas pelo estado e menos presteza em distribuir culpas, talvez já estivessem todos os habitantes da região voltando pra casa, limpando seus quintais e dando um jeito de voltar à normalidade.

¿Ou não? ¿Ou eu estou enganado e quem não concorda comigo não está?

hmf

15 setembro 2005

A esperança como negócio (3)... Premeditando o cheque

¡Baita gargalhada!
¡¡¡¡HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HAR!!!!...

¿Viram só a final do festival de música da tv curtura?

¡¡¡¡BLARG-BLARG-BLARG-BLARG-BLARG!!!!...

¡O ganhador é filho do apresentador!...
¡Q coisa feia...! Parece festival em cidadezinha do interior...

¡¡¡¡BRUHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHcófcófââââ!!!!...

A música vencedora tem até vários méritos, e a consagração pode ter até rolado na maior honestidade. Mas – nosso espontâneo Dr Plausível sempre ensina – é possível agir honestamente e ao mesmo tempo sem ética nenhuma. O engraçado nem é a marmelada goiabenta de chuchu q foi essa final, e sim o fato de q tanto o paizão curuja qto os outros quatro apresentadores simplesmente se es-que-ce-ram de mencionar essa, digamos, importante informação nepo-genética na biografia do contemplado. Aliás, na final, o genitor esteve estranhamente ausente da telinha...

Pois é. wandi doratiotto, fundador do Premê, bastião da tv curtura e apresentador do festival, é pai de danilo moraes, ganhador do festival, cujo prêmio totaliza 200 mil reais. ¡Vá ser real assim lá no Brasil, sô!

¡Sonoras gargalhadas!

¡¡¡BLASTOFAPAPALABARATAQUAPATAPA!!!...

E o rapaz não só é filho do apresentador, como já trabalhou prà tv curtura. Além disso, sua música também ganhou o prêmio de "melhor arranjo", feito por um cara ('ironicamente' escolhido por sabe-se-lá-quem da própria tv curtura), q é amigo e colaborador do dito cujo apresentador.

¡Junto com o Mensalão, agora temos o Festivalão! ¡CPI já!

¡¡¡BRABRABRABRABRABRABRABRABRAcófcófpffffhhh!!!...

¡Vai lucrar assim com a esperança alheia lá no Brasil, sô!

10 setembro 2005

O esprit de corps das plantas

Nosso endossado doutor não costuma se meter com filósofos. Aliás, nem com filósofos nem com qqer outra espécie de gente armada. ¡Êitcha tchurminha, viu?

Mas tem um tal de não-sei-das-quantas Carvalho q viaja na maionese mais q o normal, e o Dr Plausível às vezes perde alguns minutos por ano pra desatar longas gargalhadas lendo a produção do indivíduo. E tome Hellmann's. HAHAHAHAHAHAHA Esse cara deve ter duas mãos direitas. Porque não é possível alguém se achar tão no centro dum atualissíssimo e importantessizíssimo debate nacional sobre o sexo dos anjos e a 4ª Internacional Comunista. ¡Cada um q me aparece! ¿Será q ninguém percebe q a inteligência absurda desse camarada é um subproduto de sua paranóia? pfffffrrrrrrrhhhh....

Outra: ¡vai gostar de estadunidense assim lá em São Francisco! HA! É só um peidar q ele já chama de perfume. Pra ele, o Bush é pouco menos q um herói. Esse é um sintoma q o colocaria numa Clínica de Repouso Dr Plausível à força, fosse este um mundo justo.

Porque, vejam bem, ¿não é de espatifar os neurônios q um Carvalho venere um Arbusto?

08 setembro 2005

Latrina e suas lausas

Hoje de manhã fui chamado às pressas ao aeroporto pra ir buscar o Dr Plausível. Segundo me informaram, nosso entretente doutor não parou de rir um segundo durante todo o vôo de regresso. Sua gargalhada cristalina e saborosa contagiou os passageiros, as aeromoças, até o piloto. Chegando ao aeroporto, todos ali foram parando de trabalhar pra sentar e rir até q um bóingue quase errou de pista e o doutor foi colocado num contêiner à prova de som.

Isso acontece toda vez q ele vai aos EUA, mas desta vez foi demais. O vírus da hipoplausibilose tbm se propaga pelo ar, e essa Katrina deve ter espalhado trilhões de litros dele por todo o país. Porque ¡vai fazer estrago assim lá na basa do baralho, viu!

Passa um furacão e ¡alguém tem q levar a culpa! ¿Esse pessoal não sabe o q quer dizer 'desastre natural'? ¿E 'imprevisto', será q eles conhecem? HAHAHAHAHAHAHAHA

Se fosse só isso, já estava de bom tamanho. Mas o furacão fez estragos hipoplausibiléticos no mundo todo. O doutor previu, e agora aconteceu: já tem insignes representantes de várias religiões dizendo q o furacão foi uma punição contra os EUA, seja pela invasão do Iraque, seja pelo preconceito contra o Islã, pela desjudiação de Gaza, ou pela bomba de Hiroshima, e já deve ter alguém dizendo q toda aquela região era uma Afro-Gomorra e merecia umas porradas bem dadas.

HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HARFfff
QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÓ-qüé-quiquiki-ki-i-ifffff...

¡Toma vacina, gente! Só quem conhece o Dr Plausível sabe dos fatos: O Bush está louvando a Deus e a Alá diariamente, rezando de joelhos toda manhã e lambendo o chão em agradecimento ao Ser Supremo por não ter enviado a Katrina duas semanas mais tarde, no dia 11 de setembro. ¡Imagine o q os muçulmanos não diriam!

FUÓ-FUÓ-FUÓ-FUÓ-FUÓ-FUÓ-FUÓÓóóó...
HUARK-HUARK-HUARK-HUARK-HUARK-HUARK-HUARKhhh...
BLARF-BLARF-BLARF-BLARF-BLARF-BLARF-BLARFFFffff....

tsc tsc tsc

(¡Ei, mas ainda estamos no dia 8! Ooooohhhh!)

06 setembro 2005

A esperança como negócio (2): uma réplica

Um caro leitor, sem dúvida vitimado por um ataque passageiro de hipoplausibilose, enviou este comentário sobre o artigo anterior:

O crescimento resolve mais problemas do que cria – principalmente o desemprego e a distribuição de renda – e não depende apenas do crescimento populacional. ... Algumas coisas dependem do "desenvolvimento", que é um passo além do crescimento, representando mais questões qualitativas do que quantitativas. ... o doutor aponta entre fatores externos e a pobreza uma relação de causa e efeito mais destacada do que a dos fatores internos.

A hipoplausibilose pode causar danos irreparáveis. Não consegui contactar nosso epistêmico doutor, q está em férias no Alabama. Mas é num espírito de solidariedade pós-Katrina q me disponho aqui como paramédico a utilizar suas técnicas plausoterápicas pra tentar minimizar o estrago na mente inundada desse leitor.

O vírus atacou em três flancos: o leitor (1) acha q o crescimento econômico não depende apenas do crescimento populacional; (2) acha q o desenvolvimento resulta em melhoras qualitativas mais q quantitativas; e (3) viu no artigo anterior uma certa demonização da Zoropa como promotora de pobreza no terceiro mundo. Vou tratar dos sintomas em ordem inversa.

(3) A Zoropa não pode "causar" a pobreza do terceiro mundo - pelo simples motivo de q a pobreza é, como já foi dito aqui, o estado natural da humanidade, e portanto não pode ser "causado" por coisa alguma.

(2) O famigerado "crescimento econômico", no entanto, por se valer de aprimoramentos cada vez mais minuciosos em ribombocas de parafusetas cada vez mais diminutas e ao mesmo tempo cada vez mais repetitivas, depende da produção incansável de bebês pobres pra q estes, ao crescerem, cuidem de detalhes cada vez mais liliputianos, mais numerosos e comparativamente menor remunerados, e adquiram (coletivamente) cada vez mais produtos cada vez mais padronizados. Ou seja, os detalhes vão ficando cada vez menores e mais numerosos, e seu volume aumenta, e portanto é preciso haver cada vez mais pessoas q se vejam forçadas a cuidar deles: ou seja, os pobres esperançosos.

(1) O "desenvolvimento" é outra falácia q nada mais é q um resultado fortuito do aumento populacional: qto mais gente há no mundo, há mais invenções e descobertas. No entanto, mesmo em número ou relevância, as invenções e descobertas nunca reduzirão a aceleração da criação de problemas, pelo simples motivo de q um problema precisa primeiro aparecer pra depois ser resolvido, e qto maior o número de pessoas, tantos mais problemas novos são criados. Além disso, no q diz respeito à relação entre desenvolvimento e aumento da população pobre, vale o plus ça change, plus c'est la même chose: a Zoropa, as patentes e os royalties de hoje são os nobres, feudos e tributos de ontem, só q com um aumento estapafúrdio nos níveis de encheção de saco e de degeneração do mundo natural.

Tente vc mesmo este reductio ad absurdum: imagine uma tribo de digamos 500 humanos na Idade da Pedra. ¿Vc consegue imaginar essa tribo, mantendo sua população estável ao longo de 100 mil anos, atingir, unicamente por inteligência, sabedoria e empenho, o nível de desenvolvimento, bem-estar e conforto médio dos dias de hoje? Difícer, né?

Em resumo, se em mil-setecentos-e-pedrada a população mundial era x, e hoje um número igual ("x") de pessoas vive bem e confortavelmente, ¿pode-se em sã consciência dizer q houve desenvolvimento, se no interim criou-se um número y=1000.x de pessoas, 100.x das quais têm vida análoga à dos pobres de mil-setecentos-e-pedrada, e sendo q em termos absolutos a distância entre o mais rico e o mais pobre aumentou na mesma proporção?

O Dr Plausível deve estar se divertindo às pampas no Alabama.

22 agosto 2005

A esperança como negócio (2)

Alguns dias atrás, um leitor defendeu o "crescimento da economia". Haja esperança, hein?

Basta o vírus da hipoplausibilose mostrar sua carinha, q nosso esterlino terapeuta se empapola duma comiseração quase avuncular pelo infectado. Pois ¿como é possível um animal racional defender uma balela tão patética? Nem preciso dizer q concordo com o doutor qdo declara q "o crescimento econômico é o aprendiz de feiticeiro Mickey em pânico vendo a proliferação de vassouras, q ele mesmo causou".

À primeira vista, o crescimento econômico parece bom e saudável. Pois ¿não é o pogréssio o q permite q mais e mais pessoas vivam bem e produtivamente? Durante o governo FHC, um dono de construtora conhecido meu sempre ralhava contra a política de moradia. Pra ele, um governo q não estimula a construção civil tbm não estimula o crescimento, pois "quem casa quer casa, e quem tem casa compra geladeira, fogão, movéis, telefone, todas essas coisas q são a economia; ou seja, estimulando a construção civil, estimula-se toda a economia" até a fábrica de alfinetes Smith.

Mas o Dr Plausível ri às bandeiras despregadas de tudo isso: esse papo de crescimento da economia é tudo papagaiada hipoplausibilética. A economia não cresce: ela aumenta. O "crescimento" da economia depende da produção incansável de bebês pobres, q vão paulatinamente virando adultos e acumulando produtos. O problema da pobreza nunca vai ser solucionado pois o desenvolvimento depende da existência permanente dum lastro de população carente e esperançosa, e esta sempre será mais numerosa q o resto.

(Tbm sempre vai haver quem diga, "mas olha a Zoropa: o "crescimento" da economia Zoropéia foi muito maior q o aumento populacional no continente Zoropeu". O doutor sorri: "É claro, meu netinho, a Zoropa terceirizou a produção de bebês pobres pro terceiro mundo. HAHAHAHAHAHAHAHA" E eu adiciono: a Zoropa cinicamente disseminou desejos de consumo de produtos Zoropeus. Pois olhem bem pro Brasil, senhoras e senhores: nada do q dá dinheiro aqui foi criado aqui. Olhe a tua volta, minha senhora; veja se descobre algum produto q tenha sido idealizado, criado e desenvolvido no Brasil. Não os há. Olhe lá fora na rua, meu senhor; veja se encontra algo industrializado q não pague ou não tenha pago royalties a europeus, estadunidenses ou japoneses. No los hay. Tire a Zoropa do mapa e o terceiro mundo volta ao século XIX. Tire o terceiro mundo do mapa e a Zoropa abre falência. O terceiro mundo nunca vai ter um desenvolvimento comparável pois não há um quarto mundo a descobrir e explorar, e onde terceirizar os bebês.)

O pogréssio q se vê hoje foi unicamente em função do aumento populacional: tem cada vez mais gente suando a camisa pra comprar produtinhos cada vez mais padronizados e desbastados de longevidade. O único motivo de hoje haver mais gente 'bem-sucedida' é q há mais gente no mundo, simplesmente.

E acho q todos sabemos o q significa, pra cada um de nós pessoalmente, o "crescimento" econômico: mais gente, mais apinhação, mais devastação, mais mediocridade, mais caos, mais desrespeito, mais arbitrariedade, mais barulho, mais epidemias, mais ignorantes, mais emporcalhação, mais desordem, mais canalhices, mais erros, mais cagadas homéricas, mais animais extintos, mais ruídos, mais calhordas, mais neuroses, mais congestionamentos, mais drogas, mais conflitos, mais invasões, mais propagandas, mais destruição, mais insanidade, mais desaforos, mais acidentes, mais esnobes, mais buzinaços, mais lixo, mais desflorestamento, mais baderna, mais ladroeira, mais cretinos, mais vícios, mais disputas, mais medos, mais sujeira, mais trapalhadas, mais incêndios, menos áreas livres, mais tráfico de animais, mais confusão, mais gritaria, mais pobres, mais sacanagens, mais arruaças, mais obscenidade, mais gente burra, mais rojões, mais divergências, mais mentiras, mais distância entre o Estado e o Povo.

O Dr Plausível, em sua benevolência de vovô, tem dó de gente.

21 agosto 2005

A morte do redator

Aí um anúncio de não-sei-o-quê me vem com o slogan "Tem amor até no preço."

Ah tá, o preço deve estar pela hora da morte...

RARARARARARARARA...ssss

Tem gente q não se dá ao trabalho, né?

20 agosto 2005

A trapalhada

E por falar em esperança, eis q, estando nosso eufemístico doutor à tv, aparece-lhe o Renato Aragão pedindo doações para o nobre Criança Esperança, dizendo:

-Acabou. Hoje é o último dia. Não deixe pra depois. É sua última chance.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

¿Como é q alguém pode deixar pra doar depois se esta é sua última chance?

Não há dúvida de q o CE tem a nobre missão de compensar algumas negligências dum sistema relapso e cretino, mas pô, ¡alimenta melhor esse redator!

18 agosto 2005

A esperança como negócio

Esse Festival da Cultura está precisando urgentemente duma consulta com o Dr Plausível: já colocou várias pulgas atrás da orelha de nosso epifânico doutor - e é ali onde ele tem mais cócegas. Basta uma pulga pôr a patinha no lóbulo e ele já começa a rir. Ontem, houve rebuliço na vizinhança qdo alguém chamou a polícia pra fazer o doutor parar de gargalhar, depois q à meia-noite subiu ao palco da "nova música do Brasil" um rapeiro q imitava absolutamente tudo dos originais estadunidenses. Mas vá lá alguém dizer pro rapeiro q o rap só faz sentido com a fonética e a prosopopéia do inglês, q por sua vez não tem nada a ver com a fonética e a prosopopéia do português... Vá lá alguém dizer... Como eu já comentei aqui, imitar é uma coisa q brasileiro não faz bem. Não faz bem e nem devia fazer e nem precisava fazer. O próprio fato de alguém pensar num festival ostensivamente pra divulgar e promover a música brasileira já passa um atestado de pé-atrás, de atitude defensiva, de vamos-salvar-a-pobrezinha. E aí convidam um rapeiro... Das duas uma: ou o vírus da hipoplausibilose galopa nas veias desse festival, ou essa 'proteção' é só pràs câmeras.

Uma outra pulga é a do prêmio. O FesCul convidou compositores de todo o Brasil a inscrever uma canção por compositor. Ou seja, presume-se q se trate duma competição entre canções: um cantor de Cabungo do Norte q inscreve sua única porém genial composição deveria ter a mesma chance de ganhar o primeiro prêmio q um afamado músico de Jabá do Sul q inscreve sua milésima porém igualmente genial composição. ¿Não é? Assim pensaram todos: inscreveram-se mais de 5mil compositores, cada um com sua cançãozinha. ¿Como é então q a grandessíssima maioria dos 48 escolhidos é composta de gente já conhecida no meio musical, ou gente associada a gente conhecida? O doutor começa a tiritar.

Mas aí olhe o primeiro prêmio; aliás, preste atenção no primeiro prêmio: R$200mil, sendo q R$50mil em dinheiro e o restante pra produzir um CD, um DVD e um programa especial com o compositor vencedor. De repente tudo começa a fazer sentido: pois ¿q espécie de CD, DVD ou programa musical (perguntou-se a comissão julgadora) pode-se realizar com aquele cantor de Cabungo do Norte q só compôs uma música em toda sua vida? ¿Sabe qdo eles iriam se arriscar a q ganhasse a canção dum joão-ninguém?

HARHARHARHARHARHARHARHARHARHARQÜÉÉÉÉéééé...

A comissão julgadora de qqer festival nesse modelo e desse porte deve funcionar na verdade como uma comissão pré-julgadora. Certamente, no caso do FesCul, das 5mil canções peneiraram-se anomimamente digamos as 200 melhores. Daí pesquisaram-se os currículos dos compositores dessas 200, perguntando-se quais entre eles teriam potencial pra um CD, um DVD e um programa.

Ou seja, o próprio prêmio invalida as inscrições da grande maioria dos esperançosos.

BLARG-BLARG-BLARG-HAHAHAHAHAHAhhhfff...

¿Isso tudo pra maquiavelicamente inflar o número de inscritos? Será? Naaah... O Dr Plausível acha apenas q esse modelo de festival sofre de hipoplausibilose já ao nível genético.

Quéqué. Haja Neocid.

14 agosto 2005

A nova música do Brasil

Ué?

04 agosto 2005

Os fajutos, rádio novela

Ontem, ao ouvir pelo rádio uma tal de Simone Vasconcelos ser entrevistada numa CPI enquanto cagava, nosso elogiável luminar descambou a rir e logo descobriu q cagar e gargalhar são duas ocupações incompatíveis.

Após duas horas ouvindo o "questionamento" de cá e o "depoimento" de lá, o doutor se perguntava, "Ué, ¿essa gente não faz lição de casa?" E foi aí q a verdade estalou no elegante cérebro do Dr Plausível: toda aquela gente - os q perguntam, os q respondem, os q pairam, os q bundam - está ali apenas pra contemporizar o inabafável. Já q uma das muitas maracutaias submersas agora veio à tona na imprensa, é preciso queimar algum infeliz. Estão ali ganhando tempo enquanto nos bastidores se decide quem será sacrificado.

Mas a imprensa não vai se contentar com isso. Os cepeintes estão todos envolvidos na sagrada atividade de tirar o fiofó da reta. Quem tem culpa no cartório está ali pra tirar o fiofó da reta; quem não tem culpa está ali pra q não o confundam com quem quer tirar o fiofó da reta, e portanto também quer tirar o fiofó da reta. Mas a imprensa quer porque quer fiofó na reta, e não vai se satisfazer enquanto o próprio Lula não for humilhado em praça pública. ¿Tá pensando o quê? Peão tem q ralar.

O pior é q o script da CPI não se sustenta nem como drama nem como comédia. Ô escritorzinho fajuto. Duas horas é o máximo q o doutor escuta de "rêidjo daráma" de terceira.

01 agosto 2005

Realismo político

Já disse aqui q "em política, o Dr Plausível discorda e duvida de tudo, e portanto sempre tá com a razão". Às vezes, até chega a parecer aquele meteorologista q respondia toda indagação sobre o clima dizendo "vai chover" e, logicamente, sempre previa certo. Pouco depois da posse de Lula, nosso essencial doutor previu q ia chover; e choveu mesmo, só q muito antes do q achava. Leia aqui. Mas ¡longe de tomar partido! O doutor acha engraçadíssimo q política gere tanta controvérsia e sectarismo, mas mesmo assim eu não acredito q a cúpula petista sempre coniviu com a corrupção.

O PT conseguiu chegar à presidência depois q sua cúpula caiu na real e aceitou q as barafundas da política brasileira tão longe de ser um terreno favorável onde se possa plantar, cultivar e fazer frutificar ideais. A cúpula quis fazer uso dum recém-descoberto 'realismo político' e aí se ferrou de verde e amarelo. Pois nesse campo, os petistas ainda jogam com bola-de-meia. Acharam q tinham q fazer o jogo dos veteranos e agora engolem um gol atrás do outro.

São calouros e receberam o tratamento q todo calouro recebe: o trote.

Tão engraçado quanto o PT, é o povario q idealiza e apóia a oposição ao PT, insistindo q a governança deveria ser entregue a gente "experiente". Se não fossem tão ingênuos qto os peteiros, veriam q seu idealismo, qdo aplicado à política brasileira, tem conotações ocultas. Essas conotações, se expressas abertamente, seriam mais ou menos assim: "O principal é não desestabilizar o mercado. Portanto, o bom corrupto é o corrupto oculto. Pra se ocultar com eficiência, o corrupto tem q ser politicamente realista. Ora, realismo político não é coisa pra novato. O cara tem q ter crescido com isso, desde o berço vendo seu avô e seu pai corrompendo, subornando e lucrando ao ignorar a justiça e a decência. Realismo político se aprende com a experiência; não se pega duma hora prà outra."

Às vezes, ser simplesmente plausível não é suficiente.

31 julho 2005

A venalidade nua e crua

E ¿q tal esse sub-produto da CPI, essa moça q diz ter sido sondada pra posar nua prà Playboy?

QUA QUA QUA QUA QUA QUAAAAaaa

Qdo lhe contei do causo, o Dr Plausível se arrastou pra debaixo do sofá de tanto rir. Não é pelos dotes em si da moça (q aliás nosso educante cientista nunca viu mais gorda), mas pela tipicidade do gesto, seja lá de quem tenha partido.

É q, em matéria de mulher pelada, o Brasil é um caso totalmente à parte. Em outros países, mulher convidada a posar nua em revista tem um status pouco melhor q de prostituta. Na Playboy original, por exemplo, posam as coelhinhas garçonetes, atrizes pornô e afins. Às vezes, uma ou outra atriz-aberração - tipo Pamela Anderson - ganha a vida mostrando áreas menos bronzeadas da epiderme. Já no Brasil, absolutamente qualquer mulher jovem q ganha alguma notoriedade pode descolar uns trocados expondo as nádegas, os mamilos e pelos pubianos. São "grandes" atrizes da tela e do teatro, boas cantoras e cantoras sofríveis, jogadoras de basquete, vôlei e futebol, jornalistas, e agora... sub-secretárias de canalhas. Próxima da lista: Suzane Richthofen. QUAFQUAFQUAFQUAFQUAFQUAF

O q espanta um pouco é q a notoriedade parece ser o único passaporte para a nudez, e não o contrário. A julgar por isso, a decantada beleza da mulher brasileira deve ser uma enorme e ululante farsa ufanista, divulgada por aí pra fazer o brasileiro ficar contente com o pouco q tem. Pois, ¿cadê as outras?

Em contrapartida, vejam o caso da Xuxa. Se a mulher fica famosa por seus próprios meios, e depois se descobre q ela no começo da carreira posou nua pra ganhar uns trocados, aí não pode. HAHAHAHAHAHA

¡Ó crua vaidade, ó nua veleidade!

21 julho 2005

A plebe em sítio

Ontem, nosso epicêntrico doutor ficou sabendo q em outubro próximo vai ser realizado um plebiscito sobre o comércio e posse de armas de fogo.

Logicamente votaria contra as armas. Mesmo assim, não se furtou a umas risadinhas condescendentes. Pois ¿esse plebiscito não é engraçado? Pois ¿não se diz q o voto é "a arma do povo"? HOHOHOHO

E outra gracinha. O plebiscito é obrigatório; o povo será obrigado a votar nesse plebiscito. HAHAHAHAHA Ou seja, se vc não votar, alguma sanção o governo pode impor sobre sua liberdade ou seu conforto; e pra isso, o governo tem poder - um poder q em última análise emana do armamento bélico e repressor de q dispõe livremente. ¿Não é engraçado? Eu acho.

O Dr Plausível poderia se oferecer pra ensinar o governo a ser menos irônico; mas costuma manter-se distante de assuntos oficiais, pois não é bobo de se meter com gente armada.

21 junho 2005

O guia de quem se acha

Essa foi de matar pedra.

Nosso esmerado doutor é um fã incondicional de The Hitchhiker´s Guide to the Galaxy, do Douglas Adams. Já ouviu o programa de rádio da BBC, q originou toda a saga, já leu os livros, já tudo. Aliás, diga-se de passagem q, mesmo ao ser fã incondicional de alguém, o doutor permanece fiel a seus princípios plausibilógicos, pois é fã dum autor já falecido... Acontece q tbm eu sou fã dele, então sempre temos assunto pra conversar. Leia a seguir, uma parte uma transcrição de minha conversa de ontem com o Dr Plausível:

EU: ¿Vc já viu q saiu o filme do Hitchhiker's no Brasil?

ELE: Ah. Já estava esperando. Eu aguardei com um certo interesse a estréia do filme - só q já sabendo q alguém ia cagar em algum ponto do processo. pfâ... Mas outro dia li a crítica do Anthony Lane numa New Yorker q achei na rua, e fiquei mais animado.

EU: Olha, se lá ninguém cagou, não faltou quem cagasse aqui.

ELE: Ah é? HAHA! Eu já sabia q a evidência fecal não tardaria. E o q foi, desta vez?

EU: Bom, pra começar, eles preferiram manter a gafe no título traduzido da versão brasileira do livro.

ELE: Ah, claro! No Brasil, The Hitchhiker´s Guide to the Galaxy virou "O Guia do Mochileiro das Galáxias". HAR-HAR-HAR-HAR-HUÁ É hilariante a imprecisão desse pessoal...

EU: É, né? pois logo de cara, a dúvida se instala: ¿será q é um "guia do mochileiro" das galáxias, ou será q é um guia do "mochileiro das galáxias"? HA!

ELE: HAHAHAHAHAR-pfâ ¿Ou será q é um guia escrito por ou um mochileiro qqer q é das galáxias, ou será q é um guia de propriedade do único mochileiro em todas as galáxias? HARHARQUAR... Um boné véio, como se constata. pfu

EU: Aparentemente ninguém pensou em "Guia das Galáxias para Mochileiros".

ELE: Ou pior: se pensou, descartou. pfâfff... Foi como seria traduzir o Gay Guide to New York como o "Guia do Gay de Nova Iorque", como se fosse de propriedade dum gay nascido em Nova Iorque, e mais ninguém.

EU: Bom, é provável q os produtores brasileiros da tradução do filme tenham preferido respeitar os fãs brasileiros da tradução brasileira (com certeza não muitos) e portanto tenham mantido a bêtise do tradutor brasileiro. O fato é q resolvi dar um chego com a patroa num cinema e ver se valia a pena recomendar o filme pra vc ver. Mas já fui com um pé atrás, porque num texto de jornal sobre o filme, o nome "José Wilker" apareceu inexplicavelmente. Alguma coisa sobre dublagem...

ELE: Não creio no q ouço. ¿Fizeram uma versão dublada pra benefício do público infantil?

EU: Foi o q eu achei. Eu perguntei prà caixa do cinema se o filme era dublado, e ela disse "Não q eu saiba." Aí compramos os exorbitantes, entramos e... e...

ELE: E...?

EU: Vimos um total de 17 segundos de filme. Foi só a voz do JW soar q o cinema inteiro (aliás, uma mera sala de projeção num chópim), o cinema inteiro me ouviu ganir "¡Ah, nãão!" Levantamos e fomos embora. Aí perguntei pro porteiro qdo passava a versão legendada, e ele disse q essa é a única versão; só q o narrador é dublado pelo Zé Wil e a ação é legendada.

ELE: ¡¿¡QUÊ?!? ¡¡AAAAAAAAAAAAA-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ....!! ¡¡¡Virou um documentário da GNT!!! ¡E o Zé Wilker pra fazer o livro!...? ¡O Professor Emérito da Escola Victor Mature de Artes Contábeis!

EU: Colega do Tarcísio Meira...

ELE: Total miscasting. E a julgar pela tradução do título, vc fez muito bem em sair do cinema. ¡Q vergonha!

EU: ¡Q ridículo!

ELE: ¡Q engraçado! pfffffff-hâhâhâhâhâhâhâ....

EU: Não tem humor na voz, na dicção, na entonação, no timbre... e colocam o cara pra narrar o livro... Q perda de tempo...

ELE: E q desperdício de talento. ¿Onde é q esse pessoal tem essas idéias? Prêssionante... ¿Devolveram o dinheiro?

EU: Pelo menos isso.

ELE: Aí vc pode usar pra alugar o dvd qdo sair.

EU: É.

12 junho 2005

É bom ter um tipo de coisa assim de vez em quando

Nosso emulsificante doutor dá muita risada vendo tv. Mas às vezes aparece algo q presta. Ontem numa matéria na BBC sobre um concerto pacifista na Zoropa, eis q lhe aparece o Robert Plant (do Led Zeppelin) declarando seu apoio à causa pacifista com as seguintes palavras:

I´d say, don´t spend another dollar on weapons ... I mean, how many different ways of dying can there be?

E ¿não é q o Dr Plausível gostou?

09 junho 2005

¡Afunda, trouxa!

Mal ligou a tv pela primeira vez em meses, e o Dr Plausível já contribuiu pra purificar o ar de São Paulo com sua cristalina gargalhada.

¿Já viram um reclame de filme fotográfico em q um náufrago numa ilha deserta acha uma câmera e vai tirar uma foto de si mesmo? ¡Q trapalhada q esses reclameiros fizeram, hein? É prova de q a hipoplausibilose é um fenômeno global, visto q se trata dum anúncio importado.

No momento em q o náufrago vai se fotografar, uma equipe de resgate pendurada dum helicóptero aparece por trás dele, só pra aparecer na foto, e depois vai embora deixando o barbudo pra trás. Nesse ponto vem o slogan: "Com os filmes Fodak, todo mundo vai querer aparecer na foto." Até aí, tudo bem. Mas os reclameiros não resisitiram e quiseram melhorar uma piada q já estava boa. O desgraçado passa o resto de seus dias sozinho na ilha, febrilmente tirando uma foto após outra de si mesmo na esperança de q outra equipe de resgate apareça.

¡Êta tampa!

¿Será q ninguém da agência ou do cliente percebeu q assim a mensagem do anúncio fica exatamente o oposto do slogan: "Com os filmes Fodak, ninguém mais vai querer aparecer na foto."? HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HÓÓÓÓÓRRrrr

A tchurma de propagandengos q perdoe nosso exímio doutor; mas vá errar feio assim lá em Itaparica.

08 junho 2005

Careful with that axe, Gregory

Muitos leitores têm me perguntado sobre o paradeiro de nosso estimado Dr Plausível. E aqui vai a resposta. Nos últimos meses, o elucubrável doutor esteve rodando o mundo cumprindo uma agenda de vários congressos, simpósios, conferências e feiras de Plausibilética Avançada, como faz a cada dois anos. Ao todo foram 47 eventos e 11 participantes, contando os 9 da produção. Um sucesso sem precedentes. Se depois dessas palestras as moscas continuarem a empestar tanta gente, será porque não prestaram a mínima atenção.

E foi só botar o pé de volta em São Paulo e tomar um táxi q mais um taxista iluminou seu dia com a risada fulgurosa de nosso embasbacante humanista. Pois ¿não é q o rádio estava ligado na Antena 1 e passou um anúncio de (¡pasmem todos!) CDs de sucessos populares em canto gregoriano.

¡¿?!¡?¡!¿?¡!¡¿!¡?¿¡?¡!¿¡?!¿

¿uadafâc?

¡E faz o maior sucesso!

Diz q um produtor inglês chamado Frank Peterson teve a idéia de botar um coro masculino cantando em únissono músicas dos Beatles, da Celine Dion, Pink Floyd e o baralho a buatro, botar uma banda acompanhando e pronto: canto gregoriano.

Qta má fé, não?

Porque se juntar uns boludos pra entoar umas melodias fáceis em uníssono configura canto gregoriano, então qqer bando de marmanjos cantando samba em bar da Freguesia do Ó se qualifica. O produtor inglês devia ter aprendido com seus compatriotas do Monty Python. No "Crunchy Frog Sketch", o inspetor Praline avisa o fabricante de bombons de sapo: "I must warn you that in future you should delete the words 'crunchy frog', and replace them with the legend 'crunchy raw unboned real dead frog', if you want to avoid prosecution." Esses CDs deviam ser vendidos como "Grupo de homens fantasiados de monges cantando em uníssono arranjos pasteurizados de sucessos comerciais, com acompanhamento".

E digo mais: o objetivo mais nobre q pode almejar um pastiche desse quilate é causar risadas fulgurosas no Dr Plausível. Pra isso bastava um CD só, não cinco.

Mas parece infindável, a variedade deste mundo...

04 abril 2005

O ranço, o bolor e o mofo

Dia desses, levei a nosso esfuziante Dr Plausível algumas indagações sobre a irracionalidade embutida em diversos dogmas religiosos e muito me aprazei pelas risadas q inspirei. Tipo,

(1) ¿O q faz um muçulmano qdo viaja pro outro lado do mundo ao exato antípoda de Meca? ¿Ele fica desnorteado e reza de cabeça pra baixo?
(2) ¿Qual é a propriedade mística q falta ou sobra à carne de porco pra q um judeu não possa se alimentar dela?
(3) ¿Por que é q uma pessoa com escroto, pênis e mamilos magros pode rezar missa católica e uma pessoa com vagina, útero e mamilos gordos não pode?

É triste mas é verdade q já não há esperança de curar as religiões de suas hipoplausibiloses. O Dr Plausível ri, mas dum riso abnegado. Entre bufadas e escarroteios, ele explica num tom meio melancólico q as religiões mais bem sucedidas são justamente aquelas q têm mais regras e restrições, e q estas foram criadas e disseminadas qdo havia escrita mas não conhecimento, qdo havia tradições mas não ciência. Só podia dar nhaca, pois com tantas regras e restrições, fica óbvio q estas são um fim em si mesmo, ¿ora pois não?

Mas, ¡ó ranço dos ritos! ¡ó mofo das massas!, não há tratamento plausoterápico q resolva isso.

26 fevereiro 2005

Shakespeare acochambrado

Nosso expressivo Dr Plausível é um dos mais entusiásticos defensores, promotores ou enfatizadores da necessidade imperiosa de se cultivar, diversificar e sofisticar a cultura brasileira.

Porque, putzcarraldo, imitar é uma coisa q o brasileiro não faz bem.

Um dos filmes favoritos do Dr Plausível é Shakespeare apaixonado, q ganhou o Plausuto de Ouro no Festival Internacional de Cinema Plausível de 1999. Ele sempre o vê como Shakespeare in love, mas dois dias atrás estava a fim dumas risadas e viu uma versão dublada no canal TNT.

Pausa pra rir.

RARARARARAQUAHAHAHAQUA
HAKAKAKAKAKAcofQUAQUAQUA
QUAHAHAHAHARARARAKAKAKAK...&c

Mprêssionante.

Deu a exata impressão de q alguns adolescentes cariocas com vozes parecidas, malemolência, dicção ruim, zero em modulação vocal, nenhum senso dramático, compreensão nula e dialética inexistente juntaram-se pra se divertir fazendo teatrinho numa tarde nublada, e a idéia de dublar um filme surgiu, mais ou menos assim:

Tátchie: Êi, ¿puorhquiê quiea giêntchie num faij umae dublagein djium fíelmie?
Cadúâ: ¡Goashtêie! Marh ¿quie fielmie, puô?
Tátchie: Ah, sei lá, véi, shcólhi qualqué um aêa.
Berhnarhdjinhuô: ¿Qui tal o Tchietaníquie?
Alíecie: Ah nãoâ, si a gientchie fizé o Tchietaníquie, com cierhtêzae eu vo chorarhh.
Fielíepie: Tão vamo fazê o Cheiquishpíerapaixonáduâ.
Tátchie: ¡Maniêruô! Iêsse aiêa tchinha tuoduo pra dá cérhtuâ.

O resultado ficou uma gororoba de dar dó. Usaram uma tradução até q razoável pra uma encenação colegial. Mas qdo vc põe uma turma dessas pra falar contra o relógio, só pode virar uma maçaroca esvaziada, bisonha e platafórmica. Eles pegaram uma história cheia de subtextos, um texto repleto de minúcias e atuações carregadas de meandros, e simplesmente não viram nada além duma seqüência de palavras. Às vezes alguém dubla mais alto, às vezes mais triste ou mais alegre, e aí está. Foi como ler uma receita dum prato sofisticado, complexo e delicioso, e então jogar tudo num liqüidificador: ¿ué, não é a mesma coisa? - ¿não vai virar tudo bolo digestivo na barriga? Pobre povão brasileiro, q se vê bombardeado por produções estrangeiras esvaídas de sentido e significância por filtros desse quilate. Por isso é q o Dr Plausível ri mas também procura estimular o brasileiro a complexificar a própria cultura, refinando-a e aumentando seus riscos.

Mas ¡ó hirtos histriões! ¡ó chucro cheikspir!, ninguém é de ferro: nosso econômico doutor foi dormir rindo, acordou rindo e passou um dia agradabilíssimo recordando a inocente ignorância de sua vida pregressa.

15 fevereiro 2005

E o doutor ficou sério de repente...

Recentemente, um dos inúmeros leitores assíduos deste blogue perguntou a nosso estratosférico doutor qual é a diferença entre 'inteligente' e 'plausível'. Por alguma razão q me escapa, 'plausível' é comumente confundida com 'coerente', 'verossímil', 'consistente', 'honesto', 'justo'. Há até os leitores q —vítimas da escassez de unidades semânticas abstratas no português corrente e da confusão generalizada sobre o significado útil das existentes— mal-interpretam o atendimento humanitário prestado pelo bom doutor e conseqüentemente ¡nela não vêem benefício algum! Mas esta é a primeira vez q um leitor vai direto à fonte e se pergunta o q haverá de inteligente no plausível e o q de plausível no inteligente. Como se trata dum leitor daqueles q realmente prestam atenção e geralmente não dão bola fora ao comentar, fui perguntar ao próprio Dr Plausível q catso de distinção se pode fazer entre duas coisas tão díspares. Embasbacaram meu entediante cérebro as sábias palavras explicatórias do enlevante pensador —motivo pelo qual as resumo aqui:

Em português, 'inteligência' tem dois sentidos principais, digamos inteligência.1 e inteligência.2. A .1 expressa um fato, a .2 um juízo. Até mesmo um mongolóide pode ser chamado de 'inteligente.1' qdo essa palavra expressa o fato de q ele utiliza computações neuronais pra lidar com o mundo físico, por mais toscamente. Fala-se da inteligência.1 de macacos, golfinhos e cães, e pode-se até calcular o grau de inteligência.1 de formigas e lesmas. 'Inteligência' aqui é uma medida como 'distância' ou 'peso', e se aplica aos seres vivos. É a capacidade de inteligir, verbo este muito utilizado pelo doutor qdo volta de suas caminhadas filosóficas.

O outro sentido de 'inteligência' pretensamente expressa um valor absoluto. Qdo se diz q fulano é 'inteligente.2' ou 'muito inteligente.2', o sentido está mais pra 'arguto' ou 'perspicaz'. Digo 'pretensamente' no mesmo sentido em q palavras como 'distante' e 'pesado' pretensamente expressam valores absolutos. Por exemplo, o Manuel não consegue carregar uma mala e diz: "Tá muito pesado." O Joaquim fica intrigado: "¿Pesado como um trem, como uma montanha, ou como a Lua sobre a superfície de Urano?" E o Manuel esclarece: "Pesado como acima do peso q me permitiria carregá-lo." Do mesmo modo, diz-se q uma pessoa é 'inteligente.2' se seu grau de inteligência.1 lhe permite resolver um problema, e 'muito inteligente.2' se lhe permite resolvê-lo com uma facilidade acima do esperado.

Ora, assim como só pode haver distância onde há espaço, também só pode haver plausibilidade onde há inteligência.1 e comunicação de idéias. Por si só, um fato não tem como ser plausível ou implausível: só se pode diagnosticar a plausibilidade de relatos, crenças e teorias. Estes podem ser explícitos (como num filme) ou implícitos (como num slogan). Relatos, crenças e teorias são plausíveis se são contíguos à realidade, ou seja, se sua continuidade interna é semelhante à continuidade da realidade. Por exemplo, uma história em quadrinhos de ficção científica pode ser inverossímil, incoerente e desonesta. Mas ao mesmo tempo pode ser perfeitamente plausível, contanto q logo de início explicite a moldura mental em q vai se desenrolar e não saia dela: o q acontece num momento tem q levar ao q acontece depois (para a diferença entre 'coerente' e 'plausível', leia aqui). Igualmente com as crenças e teorias. A implausibilidade destas é tanto mais visível qto mais sua estrutura se aproxima da continuidade oleosa da ficção mal feita, daquela lubrificância em q toda questão incômoda escorrega e some.

Plausibilidade nada tem a ver com inteligência.2. Até mesmo um retardado pode produzir relatos ou ter crenças absolutamente plausíveis. No entanto, a detecção de implausibilidades (explícitas ou implícitas, próprias ou alheias), essa sim requer uma certa inteligência.2. No caso das implausibilidades próprias, sua eliminação requer não apenas inteligência.2 mas honestidade, humanismo, e em certos casos conhecimento cru e desentupido. Digo isso porque o q se vê em todas as frentes de comunicação são produtores de grande inteligência vomitando, regurgitando e cagando hipoplausibiloses aos borbotões —às vezes por desleixo, às vezes por desinteresse, mas também às vezes por pura má-fé. A reação de nosso essencial luminar aos efeitos da hipoplausibilose é, dado o poder dos midieiros, a única plausível: gargalhar, destrambelhar-se de rir da empáfia emocional, da petulância cultural e do bolor intelectual q toda essa gente sem escrúpulos, sem cuidado ou sem inteligência.2 pensa q está conseguindo esconder.

06 fevereiro 2005

A passeio com o doutor

Nosso educativo Dr Plausível sempre gostou de caminhar pelas ruas da cidade. É o q fazia regularmente antes de ficar aqueles meses em coma; e agora, caminhar é o q seu médico aconselha. Só q não dá. O coma foi causado pelas gargalhadas irreprimíveis, e pra andar pelas ruas sem gargalhar a cada quarteirão ele teria q morar no Japão, pra não entender os cartazes, anúncios, placas e vitrines.

Domingo passado, saí com ele a passeio e vi q realmente é difícil não rir. Vejam só:

Na vitrine dum restaurante chinês:

HOMENS - 6,00
MULHERES - 5,00
MARMITEX - 5,00

Ã?? ¿Será 'marmitex' alguma gíria chinesa pra homossexual? ¿Vamos regulamentar o casamento marmitex, o casamento vale-tudo enlatado em banho-maria? E se nosso econômico filantropo e eu entrássemos no chinês de mãos dadas e declarássemos nosso desejo por um almoço marmitex, ¿pagaríamos apenas R$10 em vez de R$12? ¡¡QUANG-QUANG-QUANG-QUANG-QUANG!!

No quarteirão seguinte, um bulbo luminoso à entrada dum bar anuncia

Aqui tem
BOHEMIA
Desde 1853

Ãã???? ¿Como é q é? ¿Aquele barzinho fuleiro existe há 150 anos? Cacilda!! E se fosse só esse, seria plausível. Mas acontece q trocentos outros barzinhos de SPaulo "existem" desde 1853. Alguém devia pesquisar pra saber o q fez o governo daquela época pra conseguir incentivar tanta gente a abrir botequins tão longevos.

Mais um quarteirão, e um autidór - q eu nem entendi o q anuncia - diz em letras garrafais

MULHERES, IGNOREM ESTE ANÚNCIO.

Ããã?????? E aí aparece a mensagem do autidór em letrinhas menorzinhas num canto. ¡¿Q é q é isso?! Parece coisa de amador esquizofrênico. Primeiro, q o cartaz pede às mulheres q ignorem algo q já leram até o fim, pois o resto do anúncio parece expediente. Segundo, q é impossível prestar atenção no resto da mensagem, com aquele trambolho lógico estatelado no meio do campo de visão. E por último, ¿quem é q vai ficar lendo letrinhas em autidór, minha gente? ¡Esse pessoal de propaganda parece q bebeu, sô!

O Dr Plausível já estava quase se arrastando pela calçada, qdo veio o golpe de misericórdia q me fez colocá-lo de olhos vendados num táxi e levá-lo de volta pra casa: numa banca um cartaz anuncia q, se vc fizer não sei o quê com o jornal Agora São Paulo, vc ganha um dicionário Michaelis Espanhol-Português. Na borda do cartaz, algum gênio de marketing colocou

PROMOÇÃO VÁLIDA A PARTIR DE 31/1 OU ENQUANTO DURAREM OS ESTOQUES

Ãããã???????? Esse pessoal deve viver num loop do espaço-tempo. Pois ¡¿como é q pode a promoção ser válida a partir daquela data ou até acabar o estoque?! KAKAKAKAKAKA!!

Meu, esses três últimos não são anúncios em cidadezinhas do interior, como aqueles no Anguished English do Lederer: são coisas de Sumpaulo, onde supostamente se encontra o melhor repositório de lógica, perspicácia e sagacidade deste país. Esse pessoal precisa urgententemente começar uma prolongada e exaustiva plausoterapia, pois se esse grau de hipoplausibilose nem é notado, deve ser porque o país está afundando na própria incontinência. Ainda por cima, simplesmente não podem continuar ameaçando assim o bem-estar de nosso efúlgeo doutor. É cruel demais. Aproveitam-se de sua mente epifânica pra minar seu frágil físico. Maldade.

19 janeiro 2005

Ingrêis é essenciar (2)

Tem um tal de "editau de selessão" rondando por aí, pretensamente tirando sarrito do Itamaraty ao fazer um linque mental entre a ortografia 'pobre' do brasileiro médio e o monoglotismo do Lula, prestando lip-service pra essa meléia toda sobre a necessidade ou não de diplomata falar inglês.

O Dr Plausível, como sóe ocorrer em situações hilariantes, hilariou-se.

Primeiro, porque a sátira do "editau" erra feio de alvo. O grande problema do ensino e prática de português não tem nada a ver com ortografia, q é uma questão mais dialetal do q de ensino. Faça o teste: ignore o dialeto ortográfico do texto, e vai ver q ele está muitíssimo bem escrito: todos os raciocínios estão bem concatenados, nada falta e nada sobra. A única razão pra o autor achar q estava satirizando alguma coisa é q entre os brasileiros letrados há uma mentalidade de rebanho q utiliza a ortografia como um ícone unificador e exclusor.

O texto seria mais a propósito se satirizasse outras deficiências dos usuários ignotos da língua - por exemplo, (1) qdo não conseguem escrever três idéias seguidas sem incorrer em non-sequiturs, incoerências, hipoplausibiloses e outros problemas de lógica e bom-senso; e (2) qdo as deficiências vocabulares e estruturais do próprio português são obstáculos contra a expressão de idéias novas. Leia o q já foi dito sobre isso neste blogue.

Segundo, porque nosso enlevado doutor acha tudo isso jogo de gandula. Pra quem já não está encaminhado, o curso do Instituto Rio Branco é q nem programa de calouros ou Casa dos Artistas – esses eventos usados pra promover aspirantes de segundo e terceiro escalão. Programas como a CdA ou o BBB foram criados porque as emissoras são rondadas diáriamente por aspirantes pouco talentosos enchendo o saco pra aparecer na tv como artistas. ¿Q fazer com toda essa gente? Cria-se um programa q os coloca em evidência pra ver se "pegam". Por outro lado, os artistas de real talento ou de robusto cartucho já vão dando lucro às emissoras e gravadoras desde a adolescência, e não precisam fazer provinhas.

O IRB, sinto dizê-lo, é quase a mesma coisa. Existe pra tentar pescar um ou outro aspirante entre os já cartuchados e sabidamente talentosos poliglotas. Além disso, assim como a maioria dos formados em CdA ou BBB saem da notoriedade pro anonimato em menos de um mês, também a maioria dos ditos "diplomatas" do IRB saem de lá pra virar auxiliar de sub-cônsul em países como a Ucrânia, onde só precisa do inglês pra entender filme legendado em ucraniano na tv a cabo. É triste mas é verdade. Pois lo que la naturaleza no da, Salamanca no presta.

Então ¿pra quê todo esse fuzuê? ¿Será q já não bolaram essa alteração na prova pra q a imprensa e o povão incauto associasse tudo ao célebre e mal-falado monoglotismo do braz-prez?