18 dezembro 2004

Refugo

Ontem fiquei horas acalmando o Dr Plausível. Ele ria, ria, ria, e eu perguntava o q era tão engraçado, e ele tentava falar, engasgava de rir, chorava de rir. Fiquei apavorado. Achei q ele ia entrar em coma de novo e aí eu não ia ter mais do q escrever. Só à tarde consegui entender. ¡Ele estava rindo depois de ler um artigo meu em outro blogue! ¡Quanta honra! Ele riu mais da parte em q, falando da pomposidade de quem se acha culto, comparei dois dicionários de sinônimos. Como não tenho nada mais pra dizer, transcrevo aqui o trecho q quase levou nosso doutor de volta à UTI:

POMPA É BOMBA
Comparem as introduções de dois dicionários de sinônimos, o inglês Thesaurus de bolso da Oxford e o brasileiro Houaiss de Sinônimos e Antônimos. Em número de verbetes, são quase análogos: o Oxford tem "150,000 alternative words", e o Houaiss tem "187.000 sinônimos".

Esta é minha tradução da introdução completa do Oxford:

"Um dicionário de sinônimos é feito para ajudar você a encontrar as palavras de que precisa para se expressar com mais eficácia e tornar seus escritos mais interessantes. Este dicionário foi elaborado para combinar o máximo de facilidade com o máximo de auxílio que seu pequeno formato possibilita. A gama de sinônimos e de outras informações incluídas aqui é mais ampla do que seria de se esperar num livro deste tamanho. Os verbetes estão dispostos em ordem alfabética, e a organização de cada verbete é simples e em grande parte auto-explicativa. Geralmente, você encontrará o que quer no verbete em que procurar, mas às vezes será necessário cruzar informações com outros verbetes se você precisar de antônimos, ou se você estiver procurando uma gama maior de palavras.

"Ao utilizar um dicionário de sinônimos, deve-se tomar alguns cuidados. Em primeiro lugar, nenhuma lista de sinônimos pode ser considerada 'completa'. Muitas listas poderiam ser estendidas - algumas quase indefinidamente. Considere, por exemplo, a variedade de palavras que poderíamos usar em lugar de (digamos) bom ou agradável. Em segundo lugar, raramente no inglês duas palavras são totalmente intercambiáveis. Os assim chamados sinônimos podem expressar nuances distintas de significado, ou pertencer a contextos diferentes, ou implicar em sinais diferentes sobre o escritor ou o leitor-alvo - e assim por diante. Espero, portanto, que este volume se torne um recurso útil, mas não somente como um repositório sem vida de "palavras para usar": minha principal esperança é que um dicionário de sinônimos - mesmo um pequeno como este - nos incite a pensar sobre a língua, e nos torne capazes de explorar mais profundamente nosso próprio conhecimento e compreensão de seus complexos processos."
Alan Spooner

Só isso. 280 palavras (na tradução).

Já a introdução do Houaiss, de Mauro de Salles Villar, estende-se por 4½ páginas. Não vou encher vosso saco. Só vou citar algumas partes, pra vcs sentirem o baque:

"Desde a Antigüidade os homens interrogam-se sobre a origem das palavras e sua significação. Heródoto, Platão, Aristóteles, Cícero, Lucrécio, Plutarco, Plotino, e os gramáticos Varrão (que codificou a gramática latina no século I a.C.), Sexto Festo e Nônio Marcelo estão entre aqueles que escreveram sobre tais questões. Foi, porém, Demócrito, pai da teoria atômica do universo e prógono das teorias de indestrutibilidade da matéria e da conservação de energia, quem primeiro registrou, pelo remoto século IV a.C, os fenômenos da polissemia (multiplicidade de sentidos numa só palavra ou locução) e da sinonímia (relação de sentido entre dois ou mais vocábulos ou locuções cuja significação é a mesma ou muito próxima)."

E dá-lhe parágrafos de rocambolices históricas. Mais adiante:

"A noção de SINÔNIMO é polissêmica, e sobre ela escreveu M. Tutescu (Précis de semantique française, Paris, Klincksieck, 1975, citado por D.A. Cruse) tratar-se da "relação semântica que mais tinta fez correr, a relação que o bom senso estima ser clara, mas que os lógicos não cessam de proclamar como martirizante". Sinônimos absolutos denominam-se aqueles capazes de se permutar em qualquer frase, pelo fato de denotarem e conotarem de modo igual a mesma realidade. (...) Na metaliguagem empregada pelos dicionários de tipo semasiológico, por seu lado, a cada unidade léxica deve equivaler uma paráfrase (...) cuja perfeição é medida em relação à sua maior ou menor possibilidade de se permutar em qualquer contexto com a unidade léxica definida."

E por aí vai. 2.400 palavras de chatice totalmente irrelevante pra 99,99% dos usuários do dicionário. É 'sinônimo perifrástico' pra cá, 'valor disfêmico' pra lá. Nenhum comentário simples, nenhuma frase inspiradora, nada além duma secura descritiva, um ar professoral, uma tentativa quase desesperada de mostrar q o assunto tá dominado e q o Houaiss não foi compilado de qqer jeito, não: ¡teve muita pesquisa, muito discernimento, muita seriedade! É tanta demonstração de erudição, tanta asserção de coerência, q até se desconfia o oposto: o Spooner, com sua simplicidade, parece gostar mais de filologia do q o Salles Villar.

É óbvio q não quero comparar a qualidade dos dois dicionários nem a erudição de seus redatores. Mas as perguntas q me faço tbm são óbvias: ¿Q motivo levaria um redator a achar necessário ou apropriado ou oportuno escrever algo q só 0,01% de seus usuários apreciariam devidamente? ¿Por que a editora consentiu a q o redator pavoneasse seus conhecimentos em lugar de servir ao público com uma introdução sucinta e animadora?

As respostas, só eles sabem. Mas arrisco q certamente têm algo a ver com a opinião q eles fazem dos leitores brasileiros, aqueles coitadinhos q precisam dum pouco mais de cultura, q mal sabem juntar três palavras corretamente. É justamente esse um dos principais motivos por que os coitadinhos não leiam mais: a pose do escritor, aquela pose arrebicada q não engana ninguém.

Sobre a introdução do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, melhor eu nem falar. Pra vcs terem uma idéia, tem nela uma palavra usada num sentido q ¡nem sequer consta no próprio dicionário!

13 dezembro 2004

¿De quem são os ovos de Colombo?

Esta é de matar de rir.

A suprema corte da Colômbia determinou q um marido é responsável por qqer filho de sua esposa, mesmo q o barrigudinho seja filho natural de outro homem. Leia aqui.

HAHAHAHAHAHAHA

O argumento é q o filho e as famílias envolvidas têm o direito de não saber da traição da mãe e de sua gestação adúltera. ¡Ah, façam-me o favor!

¡Pois esse pessoal não pensa! Uma coisa q aparentemente favorece a esposa é na verdade sua sentença de morte ou de desamparo. Pois vejam só. Eu, casado com fulana, tenho certeza de q ela me traiu com outro homem e teve um filho dele: o barrigudinho q está aí mamando de meu orçamento. ¿Q faço? Das duas, uma. Ou mato essa vadia desgraçada e seu filho da puta e fujo pro Brasil, ou simplesmente junto tudo q é meu e fujo pro Brasil.

QUAQUAQUAQUAQUAQUA

E ¿q dizer do filho? Lá pelas tantas, qdo ele faz 25 anos, a mãe num ataque de consciência decide revelar-lhe a verdade. O filho, q tinha o direito de não saber, logicamente tem por isso o direito de processar a mãe até o último centavo por lhe causar danos morais irreparáveis.

KAKAKAKAKAKAKAKA

As "supremas cortes" por aí estão dando vexame, hem? A dos EUA instalou o Arbusto na Casa Branca, a do Brasil está num chove-não-molha vergonhoso sobre o feto anencéfalo, e agora vem essa diretamente da Colômbia.

¡Casbófia das Protubálias!

11 dezembro 2004

O bloguipélago

Nosso empenhado Dr Plausível às vezes não tem absolutamente nada pra fazer. Tadinho. Fica ali na bergère no canto da sala relendo Darwin em voz alta, com seu sorriso Walter Brennan.

Mas outras vezes ele quer mais q sorrir, ele quer só rir (ugh!). Aí ele entra na internêta e surfa por blogues e blogues e mais blogues, rindo, gargalhando, casquinando e... e... ¿já notaram a humilhante escassez de verbos de rir no português?

Bem, voltando ao pô. Uma coisa q faz o Dr Plausível casquinar à tripa forra é ver como cada grupelho q junta mais de dez blogueiros se acha o mais iluminado, o mais influente, o mais genial e o mais central de todo o reino. ¡¡HAHAHAHAHA!! Ninguém nesses grupelhos percebe q está numa ilha q está num arquipélago: o bloguipélago. Há centenas de ilhas, e os habitantes de cada uma delas se acham os mais iluminados, influentes, geniais escritores e os mais promissores de toda a safra da inteligência brasileira: cada bloguilhota tem essa impressão de q "aqui, onde eu estou, é o lugar mais esclarecido da internêta." pffff

Os melhores blogues, de longe, são aqueles dos q têm um barquinho q nunca se atraca em nenhuma ilha: botes e jangadas q se cruzam no oceano, trocam algumas palavras, descem a âncora ao largo das praias, passeiam aqui e ali, e depois saem livres, se divertindo. Têm suas preferências, sim. Mas não se sentem agrupados. Já os bloguilhotas em suas ilhas são seres acossados e inseguros q se reconfortam mutuamente. Pois, pensem bem, meninos: só quem tem pavor de se afogar é q se fixa em ilhas, né?

Contra a hipoplausibilose não há vacina: só há tratamento. E demorado.

05 dezembro 2004

Uísque

Êi, ¿alguém aí era uma das outras 10 pessoas no cinema qdo nosso exigente Dr Plausível viu Whisky? ¡Como tem gente nesta cidade, hein! O doutor ficou impressionadíssimo q tanta gente tenha ido ver um filme totalmente plausível, cuidadoso e genial. O níver tá meiorando; a cada década q passa, mais e mais pessoas percebem a importância do detalhe. Já tem umas 20.

Não sei a opinião daquelas outras 10 pessoas, mas nosso envergadoiro entusiasta concedeu a Whisky o Selo de Garantia Dr Plausível, e com louvor.

Mas não é q o filme seja assim TOtalmente plausível. Aquela do cara triplicar a aposta na roleta dum cassino semi-vazio numa cidade uruguaya de veraneio durante o inverno foi abusar um pouco do... ãã... da sorte. Tinha lá uma boa razão de ser no enredo, mas mesmo assim... E nenhum dos atores nem passaria no vestibular prà Escola Superior de Dramaturgia Dr Plausível. Mas nesse filme em particular, isso é o de menos, já q a trama gira em torno da estolidez e do tédio. (Hmm... ¿Será por isso q só havia 10 gatos-pingados no cinema?)

Mas tem gente dizendo q esse é forte candidato ao Oscar de filme estrangeiro. É de matar, hem? ¡¡HAHAHAHAHA!! ¿Sabe quando ele vai ganhar um Oscar? Nunca! O pessoal da Academia vai achar chatérrimo. E ainda tem gente dizendo q ele é candidato porque é uma história sobre judeus. ¡¡HAHAHAHAHA!! Ao ver o Jacobo tendo sorte no cassino, vão querer é censurar o filme.

Tem gente q nem fazendo curso, né?