28 novembro 2004

Amanteigados, não!

Nosso estruturado Dr Plausível é realmente um cara pra lá de prafrentex. Ele não só é feminista (apesar de não-contumaz) mas também apóia todo e qqer capricho, desejo, mania ou legítimo anseio, contanto q protegido e vacinado contra o vírus da hipoplausibilose. Se vc quiser se sentar num formigueiro durante 3 horas sussurrando Manuel Bandeira e logo em seguida amputar vossa perna esquerda, fazer churrasco dela e oferecer o petisco à passarinho pros pobres, o doutor diz "Vá em frente. Só não venha me promover isso como cura prà sinusite." E olha q, dizendo assim, parece estapafúrdio, mas com certeza tem alguém no mundo q poderia ser convencido de q essa é realmente a cura prà sinusite. ¡¡HAHAHAHAHAHA!!

Agora vem a gueizada querer casamento gay. ¡¡HAQUAQUAQUAQUA!! A reação dos reacionários só podia ser a q foi e q é. E isso tudo é porque querem chamar alho de bugalho. É como (e já se disse isso várias vezes aqui) vc chamar margarina de manteiga só pra dizer q usa manteiga. Pois vejam só:

¿A união legalizada e regulamentada entre duas pessoas do mesmo sexo é um um conceito novo? É. ¿Está devidamente vacinado e protegido contra a hipoplausibilose? Está. Então pra que cacete (ops) ficar rechafurdando na mesma lama dum conceito antigo, estabelecido e até, digamos, rançoso? ¡Chama de outro nome!

E é pra q o pobrema seja resolvido o qto antes –e todos os gays e lésbicas possam ser felizes pra sempre numa união legalizada, regulamentada e plausível – q nosso eloqüente doutor oferece a todos, gratuitamente!, o belo, expressivo e plausível termo "parelhamento" pra substituir esse horrendo, inútil, polêmico e desgastado termo "casamento gay". É só chamar dum termo novo, é só aumentar o vocabulário do povaréu, q as coisas vão se ajeitando.

Assim, nos formulários do porvir, no ítem "estado civil", haverá mais duas opções: solteiro, estável, casado, parelhado, divorciado, desparelhado, viúvo.

Vejam q frases lindas de morrer:
-¿Vc quer se parelhar comigo?
-O q Deus parelhou, q ninguém desparelhe.
-Cara, esse é o teu terceiro parelhamento. ¿Qdo é q vai sossegar?
-¡Q parelha linda vcs fazem! ¡Feitos um pre outre!
-¡Mas essa biba não tem jeito mesmo, hem! ¡Só pensa em parelhamento!
-Nosso parelhamento já perdeu aquele encanto de antes.
-¡Não me parelho com essa fanchona mas nem morta!

E esse foi mais um serviço de vosso dedicado Dr Plausível.

26 novembro 2004

Nomencracia

Êi, ¿viram o barraco q está a Ucrânia? Vergonha, hem? O Dr Plausível já tinha avisado, "¡Vai dar urucubaca esse negócio!" Eu perguntei, "Mas ¿qual é o problema?" E a clarividência da resposta só poderia ter brotado do gigante cérebro desse visionário: "¿Como é q não vai dar xabu qdo os dois candidatos se chamam Viktor?"

Dá o q pensar, ¿não dá? ¡Imaginem a guerra civil em q teria mergulhado o Brasil se o Serra se chamasse Polvo!

24 novembro 2004

Frique chou

Aqui no Brasil, poucas pessoas sabem o q é o festival de música do canal Eurovision. Pouquíssimas sabem do EuroJunior, o festival pra crianças de entre 8 e 15 anos. E pouquizíssimas já sabem qual vai ser a nova frente de vendas da indústria de cosméticos. Nosso embasado Dr Plausível sabe as três coisas. Vodzêprucê, ¡ô cara informado!

Este ano ganhou o EuroJunior uma espanhola de 9 aninhos chamada María Isabel: uma artista nata, realmente impressionante, uma fúria no palco, uma voz de flamenco já pronta, um arraso total. A engraçadíssima letra da música vencedora - Antes muerta que sencilla (Antes morta q sem-graça) - foi allegedly escrita pela própria María Isabel. Segundo a ãã autora, a música fala dela mesma, de como é vaidosa, não sai na rua sem maquiagem e não liga pra o q dizem dela. Veja o vídeo e a letra. (Aviso: aos olhos brasileiros, vai parecer um freak show.)

Mas cá entre nós. À parte o seriíssimo e visível talento da moleca, o Dr Plausível só dá risada. Ano q vem, todas as cosmetarias vão lançar produtos pra pré-púberes. Afinal, as meninas também têm todo o direito de se sentir bem consigo mesmas e com seus corpinhos, não? ¡¡RARARARARA!! E o preconceito contra a feiúra das menininhas é muitíssimo mais sério q o contra a das adultas, não é? A crueldade infantil é notória, não é? E se as menininhas de 8 anos podem aumentar seu poder de sedução, melhorar sua auto-estima e potencializar seu diferencial de conquista, ¿por que não? Aprender desde cedo a cuidar de si seria bastante educacional, não? ¡¡pfffrrrRUÁRUÁRUÁRUÁffmmm!!

É pra facilitar a vida dessas crianças q a Lancôme vai lançar um creme hidratante infantil com o revolucionário mXL-09, q não agride a pele pré-púbere, justamente na época da vida em q ela precisa se preparar pràs grandes mudanças q virão... Já a BodyShop vai lançar o desfibrilador facial com glucomostóide de amendoim, o componente ativo nas pinturas faciais das crianças da tribo Finhoquós do Camboja.... E a Clinique vai apostar numa linha completa de cosméticos infantis de última geração q promete amenizar as marcas da idade, preservar a infantilidade da pele e permitir q as meninas brinquem, dancem, chorem e se lambuzem de chocolate sem perder o charme...

Haja saco.

¡E isso q nem falei dos cosméticos masculininhos!

21 novembro 2004

As meia muié

Ei, ¿já viram essas muié emancipada, liberal, intelectualizada, &c q ficam tirando sarro, escrachando e arranhando as feministas? ¡¡HAHAHAHAHA!! ¡Coisa mais implausível, sô!

Nosso embevecente Dr Plausível não é um feminista contumaz. Mas nem é preciso ter faro pro vírus da hipoplausibilose pra sacar q absolutamente toda mulher ocidental de hoje tem muito q agradecer às feministas de ontem. A mulher ocidental de hoje pode votar, pode ter qqer emprego, pode ter propriedades, pode herdar e deixar herdeiros, pode fazer faculdade, &c &c, coisas q 150, 100 ou até 50 anos atrás eram reservadas às pessoas com duas bolas entre as pernas; e isso tudo só foi conseguido porque muita feminista teve q lamber sabão. Ajudou q houve progresso tecnológico, é verdade, mas se aquelas feministas não tivessem fincado o pé, hoje haveria carros, computadores, foguetes, micro-ondas e o escambau, mas as mulheres ainda não poderiam votar, ter empregos e propriedades, não poderiam herdar ou deixar herdeiros, nem fazer faculdade, &c &c. Ou ¿vcs acham q os homens iam dar tudo assim de mão beijada? Quem acha q sim está precisando se consultar com o Dr Plausível. ¡¡HAHAHAHA!!

Mas então ¿por que é q essas meia muié escracham as feminista? ¡Gente mais mal-agradecida! É exatamente como se os negros de repente dessem de xingar os abolicionistas. E as muié pensam q o trabalho das feministas já acabou, q já deu, q já tá bom. Como se, pros negros, já tivesse acabado o racismo. Êita. E aí ficam fazendo pouco, esculachando, chamando as feministas de mal-amadas, dando uma de q sabem mais. Êê, acorda!! Muita mulher q hoje escreve contra as feministas só sabe soletrar porque houve feministas q insistiram pra q ela aprendesse. Se depender dessas emancipetes, a mulher de amanhã não vai ter muito q agradecer às feministas de hoje. Porque ¡vai atrapalhar assim lá na casa do caralho! (Ops!)

18 novembro 2004

As câmera nas câmara

Restabelecendo-se após seu prolongado coma, nosso elástico Dr Plausível não pode ter emoções fortes e deu de ficar zanzando pela casa procurando fios pra forrar, ceroulas pra cerzir e louça pra lavar. Às vezes, qdo precisa descansar dessas fatigantes tarefas, vê-se obrigado a assistir a algum programa sub-sináptico na tv; e é por isso q vez ou outra estaciona nos canais políticos.

Dia desses, lá estava nosso elegante pensador vendo uma sessão da câmara federal, qdo retumbou pela rua uma gargalhada como há muito não se ouvia no mundo. PLAAAH-QUA-QUA-QUA-QUA!! HAHAHAHA!! BLAS-BLA-BLA-BLA-BLA!!!

Não era pra menos. O doutor ficou intrigado por que a câmera teimava em focalizar uma pequena cena de cada vez e nunca abria um plano geral. Pouco a pouco, observando o q rolava à volta de quem tinha a palavra, o motivo disso foi ficando evidente. ¿Alguém aí já assistiu a esses canais por mais de 10 minutos? ¡Não admira q este país não vá prà frente! Aquilo é uma baderna permanentemente à beira do caos total. Há alguns microfones espalhados pelo plenário, e qdo um deputado tem a palavra pra (por ironia) levantar uma "questão de ordem", à volta dele ficam uns gatos-pingados de pé olhando pro nada, conversando, rindo. O deputado dirige a palavra ao presidente da câmara, (por ironia) Inocêncio de Oliveira, q fica sentado ali controlando os microfones, ladeado por dois ou três deputados de aparência totalmente enfastiada. Atrás do presidente, duas, três, às vezes quatro assessores de pé ficam ali desviando a atenção dele, enfiando papéis pra ele assinar, cochichando em seu ouvido, &c. Às vezes passa alguém por trás falando num celular. A câmera só focaliza ceninhas pequenas porque se mostrar o plano geral, deve ser deprimente: um monte de gente distribuída ao acaso num salão enorme, cada um cuidando de sua vida. HAHAHAHAHA!!

A maior gargalhada de nosso excelente doutor aconteceu qdo um deputado mineiro falava no púlpito sobre o perigo de dirigir na estrada de BH até sua cidade natal, e lá no finalzinho mandou ver uma pérola deste quilate: "E sendo hoje 16 de novembro, quero parabenizar minha Luciana belezinha q tanta alegria me dá. ¡Um beijo!" Abriu um sorriso de orelha a orelha e saiu de cena. ¡¡QUA-QUA-QUA-QUA-QUA!! ¡Impressionante, não? Dá até pra ver o nobre deputado negociando sua subida ao púlpito naquele dia,

"Pô, dá uma brechinha aí, ô Inocêncio, é o niversário da minha filhinha."
"Mas ¿vc vai falar do quê?"
"Ah, tem uma estrada lá q o pessoal tá me enchendo o saco pra falar..."
"Tão tá. Sobe lá depois do Fulano, q vai dar uma indireta prà sogra."

O mais engraçado mesmo é q vira e mexe tem alguém chamando aquela paçoca de "parlamento". ¡Ê, peraí, parlamento é coisa organizada! Isso é como chamar margarina de manteiga só pra dizer q vc come manteiga. Aquilo q o doutor viu na tv está mais prum parlapatório.

Mas não é curpa dos deputado. Eles são só as vítima de algum ataque de hipoplausibilose idealista q assolou os constituinte. Só pode ter sido isso. Pois ¿quem, em sã consciência, acharia plausível q uma câmara assim montada seria eficiente?

11 novembro 2004

É pó, é powder, é o Vim no ralinho

Ei, ¿já notou q muitas canções não são mais q listas?

Alguns anos atrás um jornal paulistano com falta de assunto fez uma enquete com várias personalidades da música e outras artes, q responderam à pergunta "¿Qual a melhor canção brasileira?" ou algo assim. Qual não foi a surpresa do Dr Plausível qdo ganhou de lavada aquele monótono paradigma das letras-lista, "Águas de Março" (Tom Jobim) -setenta e oito ítens, um atrás do outro. O doutor achou engraçadíssimo q uma letra q não diz nada, num ritmo semi-hipnótico, sobreposto a uma harmonia q fica girando em círculos, tenha sido a mais citada entre os enquetados. Cada coisa, não? Como música, "Águas de março" é boa, mas pra ser a melhor canção brasileira teria q empilhar muita pedra.

Uma lista de ítens só é plausível se há algum propósito conteudista. Veja "Every breath you take" (Sting): é uma lista plausível exatamente por falar duma obsessão. É só usar o cucuruto –coisa q antigamente se fazia mais amiúde na mpb. Em "Conversa de botequim", por exemplo, Noel Rosa pedia ao garçom pra:

1 trazer
   1a uma boa média
   1b um pão com manteiga
   1c um gardanapo
   1d um copo d'água
2 fechar a porta
3 perguntar o resultado do futebol
4 parar de ficar limpando a mesa
5 pedir ao patrão
   5a uma caneta
   5b um tinteiro
   5c um envelope
   5d um cartão
6 trazer
   6a um palito
   6b um cigarro
7 pedir ao charuteiro
   7a uma revista
   7b um cinzeiro
   7c um isqueiro
8 telefonar pra 344 333
   8a pedir um guarda chuva
9 emprestar algum dinheiro
10 pendurar a despesa

O Rosa teve o bom senso de usar um contexto humourístikü: o fato de a letra ser na verdade uma lista de pedidos é exatamente pra mostrar q o freguês é um abusado. ¿Ou tou errado? Hoje parece q pra produzir um grande sucesso é só começar cada verso com a mesma palavra e terminar com alguma rima. HAHAHAHAHA ¡Bico! O único trabalho necessário é pesquisar num dicionário de rimas. ¡Ê preguiça mental, hem! Olha só "Águas de março":

é pau / é pedra / é o fim do caminho / é um resto de toco / é um pouco sozinho
e assim por diante

[total: 78 ítens]

q tem o mesmíssimo enredo q se fosse:

é um / é dois / é trezentos e nove / é duzentos e quatro / quatrocentos e seis

Isso é uma lista porque a ordem dos fatores não obedece a nenhum propósito semântico ou tramático: misture a ordem dos versos e o conteúdo continuará o mesmo. A ordem dos versos é imposta pelas rimas. ¡Q coisa mais sem nada, sô! Olha outra:

COMEÇAR DE NOVO (Ivan Lins, Vitor Martins)
começar de novo e contar comigo
vai valer a pena ter amanhecido
sem o ítem u-um
sem o ítem do-ois
sem o ítem trê-ês
sem o ítem quatroooo
sem o ítem cinco
sem o ítem se-eis
sem o ítem sete
sem o ítem oitoooo


Olha esta de nosso ministro da curtura:

SE EU QUISER FALAR COM DEUS (Gilberto Gil)
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que fazer assim
Tenho que fazer assado
Tenho que fazer aquilo
e assim por diante

[total: 25 ítens]

Essas duas ainda tinham um certo tino legal, tal como a sacadinha metafísica do Gil terminar dizendo "tenho q caminhar decidido pela estrada que ao findar vai dar em nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada do que eu pensava encontrar". Mas as letras mais recentes q são chamadinhas de geniais, ¡vou te contar! Que vergonha. Veja só:

À PRIMEIRA VISTA (Chico César)
quando o ítem um, blablabla
quando o ítem dois, blablabla
quando o ítem três, blablabla
quando o ítem quatro, blablaaaaaa
e assim por diante

[total: 12 ítens]
Amara, dzaiá, soi, ei, dzaiá, zaia, aiii ingado, rã ã
Oh! Amara, dzaiá, soi, ei, dzaiá, zaia, aiii ingado, rã ã


E esta outra, uma seqüência incoesa de imperativos agrupados pelas rimas:

DO IT (Lenine)
aconteceu o ítem um? faça isto
aconteceu o ítem dois? faça aquilo
aconteceu o ítem três? faça tal coisa
aconteceu o ítem quatro? faça tal outra coisa
e assim por diante

[total: 40 ítens]

¿Quié quié isso, minha gente? fábrica de salsicha? ¡¡HAHAHAHAHA!!

Mas não se engane o leitor: nosso esfíngico doutor tem um respeito quase serviçal por esses compositores. Só q eles fazem composições e composições; e o q o intriga é o gosto por esse tipo de maçaroca em série, essa repetitividade sintática, uma frase após a outra dizendo praticamente a mesma coisa. ¿Será dificuldade de concentração? ¿Déficit de atenção? ¿Será... alguma coisa na língua portuguesa?

Acho q é conseqüência do sucesso fácil. Outros compositores não se rendem assim tão fácil ao público. O Chico Buarque, por exemplo, tbm é um grande listador. Só q ele tem suficiente bom senso pra estruturar muitas de suas listas num todo entrelaçado q parece uma coisa só e muitas vezes não poderia aparecer em outra ordem. Quisera seguissem seu exemplo.

Mas, ¡ó prosaico paralelismo! ¡ó anáforas anencéfalas! ¿Q esperança?

10 novembro 2004

O doutor tira o enfezado da reta

Pra evitar q nosso eclético doutor seja injustamente acusado de ter comparado islâmicos a baratas, é preciso esclarecer umas coisas. O Dr Plausível só disse q o fundamentalismo islâmico é a barata das religiões apenas no aspecto q tanto o islamismo qto as baratas compartilham: a extraordinária capacidade de sobreviver em condições inóspitas. E se o leitor acha q expressar essa opinião é ofensivo, é porque ainda não ouviu a opinião de nosso empático terapeuta sobre as outras religiões originadas naquela terra infértil.

Só pra manter a discussão num apropriado nível entomológico, considere isto:

O cristianismo é o gafanhoto das religiões: de tempos em tempos, sem motivo aparente, o gafanhoto cristão vira uma praga q invade aos milhões uma região qqer do planeta, dizima sua cultura, devora suas riquezas e ainda fica fazendo aquele barulhinho irritante. Daqui a um século, os iraquianos poderão fazer coro com os africanos: "Antes tínhamos a terra e os cristãos tinham as bíblias. Agora temos as bíblias e eles têm a terra."

O judaísmo é a aranha das religiões: estende uma rede invisível em lugares estratégicos, e qqer inseto q entre em seu território tá ferrado. E ai de quem pisar num de seus oito calos.

Mais do q esclarecer esses pontos, é preciso deixar claro algo fundamental: o Dr Plausível, em seu entusiasmado ecumenismo, nunca poderá ser acusado de preconceito, uma vez q sempre insistiu q qqer vítima, absolutamente qqer vítima, da hipoplausibilose merece todo respeito, consideração e tratamento. Como sempre diz, "o bom de ser agnóstico são as gargalhadas". Mas essas gargalhadas são dirigidas ao vasto edifício erigido pela imbecilidade humana pra justificar algumas metáforas sobre o mundo natural, e não às humildes e ignorantes vítimas dessas religiões, q são convencidas a crer, matar e morrer em prol de tantas idéias implausíveis. A essas vítimas, o Dr Plausível só dirige seu mais compassivo sorriso Walter Brennan.

08 novembro 2004

A palestra do doutor

Alguns dias atrás, no auditório do Instituto Internacional para a Erradicação da Hipoplausibilose, o Dr Plausível proferiu uma palestra intitulada "O Fundamentalismo Islâmico e os Portadores de Pênis Alheios", transcrita abaixo:

"Toda religião pretende de algum modo padronizar o viver de seus seguidores, e para isso as religiões em grande parte se pleiteiam como conjuntos de regras. As regras religiosas são, por assim dizer, uma resposta pseudo-mística à imbecilidade humana. Não poderia ser diferente, pois para q qqer grupo heterogêneo de pessoas seja economicamente viável, é preciso haver regras q controlem as atividades de gente burra, desonesta ou mesquinha - ou seja, a maior parte da população, senão toda ela em algum momento. Qqer gerente ou supervisor num acesso de raiva (e muitos a qqer hora) concordaria com essa definição de 'regra'.

"Mas não é qqer tipo de regra q serve às religiões. C Nordberg-Schulz, em seu livro Genius Loci, citando fenomenólogos cujos nomes não recordo, demonstra q as características básicas das diversas religiões são influenciadas por aspectos geográficos dos locais onde se originaram. Por exemplo, as religiões monoteístas se originaram em locais amplos e pouco variados, onde se vê o céu de horizonte a horizonte - locais tais como o Oriente Médio, as geleiras Árticas e as tundras Asiáticas. Em contrapartida, as crenças politeístas se originaram em regiões acidentadas como a península Helênica, ou de muita vegetação como a Índia e os bosques europeus. Se as religiões são maneiras q os grupos encontraram de adaptar suas vidas às condições dos locais onde viviam, então pode-se dizer q uma religião q perdura num local está muito bem adaptada a ele e aos problemas sociais advindos das condições ali reinantes. Os problemas sociais são atenuados com regras, e embora as fábulas religiosas entretenham o povaréu, o q ele gosta mesmo é das regras derivadas dessas fábulas, se essas regras prometem ou ajudam a estabilizar a vida do grupo. Depois q as regras "pegam", elas acabam se tornando ainda mais potentes q as condições geográficas locais ao determinar a identidade e o comportamento do grupo ali instalado. O q acontece depois, qdo as regras se disseminam extra-localmente, é outra história, geralmente absurda ou ridícula: vê-se desde ingleses convertidos ao islamismo até cariocas celebrando um rito mitraico em pleno verão com a imagem dum velhinho vestindo peles e viajando de trenó.

"É irônico ver tantos conservadores reclamando de religiões q "pararam no tempo", mormente fazendo pouco do islamismo, como se conservar fosse uma qualidade e permanecer imutável fosse um defeito. (Vale dizer q não tenho a menor simpatia por ou empatia com essa religião, o qqer outra em particular.) O fundamentalismo islâmico está tão perfeitamente adaptado ao local onde foi criado, q sofreu poucas modificações desde então: não se pode dizer q 'parou no tempo' porque após sua época áurea não precisou mais modificar-se, e só precisará fazê-lo ou se o ocidente invadir de vez aquela cultura, ou se as condições climáticas e geográficas do Oriente Médio se modificarem - algo q ocorrerá se a poluição industrial (que começou no ocidente, diga-se de passagem) confirmar as previsões de aquecimento global. Se, como se sabe, a barata é o animal melhor adaptado às condições deste planeta (até atravessar o caminho dum sapato) e se o Islã é a religião melhor adaptada à imbecilidade humana tal como se manifesta numa região quente e semi-inóspita (até deparar-se com ideais ocidentais) então o fundamentalismo islâmico é a barata das religiões desertícolas - com todo respeito tanto pelos islamitas como pelas baratas. Aliás, se os países islâmicos "pararam" no século XV, qual é o problema? Não faz o menor sentido achar q estamos melhor agora do q antes.

"É até compreensível q o atentado ao WTC tenha sido perpetrado por fundamentalistas islâmicos - se é q o foi - qdo se considera as mudanças quase impostas ao mundo islâmico por um credo estrangeiro e estranho ao Islã: o credo da democracia capitalista industrial. Esta já se transformou em religião no ocidente - e uma religião tão sem nexo, provas ou honestidade como qqer outra. Com a mesma veemência com q religiosos invocam a Deus ou Alá, hoje invoca-se a democracia como um conceito abstrato q vai resolver todos os problemas, qdo ao mesmo tempo todos sabemos q democracia real não existe em lugar algum. Muitos islamitas se sentem traídos.

"O q não se diz sobre o abominável atentado é q cada uma das 50 mil pessoas q trabalhavam no WTC tinham orgulho em participar de alguma forma nas decisões q influenciavam cegamente as vidas, costumes e culturas no mundo inteiro. Pode-se no mínimo dizer q, nascida nos EUA ou não, nenhuma das vítimas se ofendia ao ver um adolescente muçulmano trajando t-shirt e blue-jeans, ouvindo ou fazendo uma adaptação grotesca de rap, comendo cheeseburgers, ou utilizando qqer outro objeto cobrável de aculturação. Cada uma daquelas pessoas se orgulhava em trabalhar num dos maiores edifícios já construídos na história, na q talvez seja a cidade mais influente do planeta. Viam-se talvez a si mesmos como os "Masters of the Universe", na expressão cunhada por Tom Wolfe. O q essas cegas decisões globalizantes ignoram contumazmente é q cada lugar tem sua coisa própria, e q é natural q em toda parte se criem radicais imbecis contrariados, pessoas q se outorgam as rédeas dos acontecimentos. Não admira q um "outside-insider" como bin Laden tenha se revoltado (se foi isso mesmo o q houve); como também não admira o bombardeio da mídia ocidental q há décadas "denuncia" e ridiculariza a cultura muçulmana (¿lembra do Indiana Jones fuzilando o árabe q o ameaçava com a cimitarra?). O ser humano é naturalmente imbecil: torna-se radical qdo seu modo de vida lhe parece superior: torna-se contrariado qdo o impedem de gozá-lo a seu bel-prazer. (Os próprios EUA são um caldeirão de radicais imbecis q só não jogam aviões em outros países porque ainda não estão suficientemente contrariados.) O q temos então é a receita da catástrofe: dum lado o orgulho ignorante, do outro a imbecilidade esclarecida. Só pode dar nhaca.

"Ao tentar modificar forçosamente os costumes de qqer região, o rebote é certo e certeiro. Imagine, por exemplo, q algum estrangeiro venha querer forçar você a concordar q comer com talheres é moralmente (ou politicamente, ou economicamente) impróprio e q o certo é comer com um aparelhinho moderno, prático e higiênico que, veja só, ele mesmo vende por uma bagatela. Se você tem a mídia do mundo contando tua história, você joga propaganda no sujeito. Se você não tem, você joga um avião na fábrica de aparelhinhos. É o q os indígenas tupis e tamoios teriam feito a Portugal se houvessem tido a tecnologia; é o q as baratas fariam às fábricas de sapato se soubessem pilotar aviões; é o q algum estadunidense faria à Bahia se o ACM tivesse meios de forçar o tio Sam a comer vatapá.

"Não querendo de forma alguma ser chulo ou ofensivo, mas apenas valendo-me duma idéia bastante expressiva, classifico eufemisticamente a defesa do ideário dos poderosos estadunidenses por estrangeiros idólatras como 'gozar com o pau dos outros', servir de 'porta-pau'. Os jornais brasileiros são porta-pau qdo publicam anonimamente artigos visivelmente (e often mal) traduzidos de jornais "americanos" ou ingleses; a Veja é porta-pau toda vez q traz na capa o mesmíssimo assunto q a Time da semana; o brasileiro médio é um porta-pau qdo prefere ouvir músicas com letra numa língua q não entende; já o brasileiro ãã culto é um porta-pau qdo assina ou compra a versão "latinizada" da Time; e assim por diante passando por todos os porta-pau em todo o mundo q se sentem maiores, mais potentes, mais penetrantes e mais sedutores toda vez q envergam a verga da envergadura estadunidense."

......

Ao terminar a palestra, o Dr Plausível foi entusiasticamente aplaudido de pé por todos os três ouvintes presentes. (Ãã... bom, o porteiro do auditório já estava de pé.)

05 novembro 2004

Êta...

Como alguns leitores mais dedicados sabem, nosso endiabrado Dr Plausível, após voltar do coma em q esteve desde o dia das mães, foi tratado com uma versão acelerada do tratamento adeuslênin. Conta com uma equipe dos melhores médicos de todo o mundo, q o têm visitado regularmente. Não era pra menos: os dedicados serviços q nosso enobrecido humanista já prestou à medicina mais do q o... mais do q o... (pausa) ué?... Estou procurando uma palavra q expresse o mesmo q entitle do inglês, q significa ´dar direito a´. ¿Não tem essa palavra em português?

(pausa pra procurar em vários dicionários)

Não, não tem.

Hm. Continuando ... os dedicados serviços q nosso enobrecido humanista já prestou à medicina mais do q o jfhxzqlizam a esse tratamento especialíssimo.

Só hoje ele recebeu alta e pôde emitir sua ressonante, fulgurosa gargalhada ao saber do comunicado de bin Laden aos americanos 4 (quatro) dias antes duma eleição q os republicanos tinham pavor de perder. Não foi 4 meses antes, nem 4 dias depois. Foi 4 (quatro) dias antes. ¡¡¡QUAQUAQUAQUAQUAQUA!!!

Convenhamos. Ou esse bin Laden é muito, assombrosamente, humilhantemente BURRO, ou esse cara tá de sacanagem. Porque ¡vá produzir hipoplausibiloses desse tamanho lá na central de novelas! A Globo tem q contratar esse cara: só fala lugares-comuns na hora mais imprópria e tem uma audiência de 54 mihões de bocós. ¡¡HAHAHAHAHAHAHA!! E ainda tem gente q acredita! ¿Pode, uma coisa dessas?

Aliás, o centrão dos EUA tá bem precisando de mais clínicas Dr Plausível. ¡Êta povinho sem simancol!

¿Será q ninguém mais percebeu o sorrisinho de satisfação literalmente na cara do Bush três anos atrás durante a ovação de pé q recebeu do congresso apenas dois dias depois de 9/11? E se alguém percebeu, ¿dirá q era um sorriso até simpático? HAHAHAHAHA!! Cada uma q me aparece.

04 novembro 2004

Um país embuchado

O Dr Plausível acha os EUA um país engraçadíssimo, uma infindável fonte de gargalhadas. Só na história recente, pra citar os casos mais hilários, teve o da Estagiária Otária, o do Eleito Suspeito e o do Pânico Sadânico. Agora o centrão tonto achou por bem re-eleger pra presidente um leitor de discursos. E ¿sabem qual é uma das qualidades mais citadas do suspeito? Q ele parece boa companhia pra tomar umas cervejas no bar da esquina. ¡¡HAHAHAHAHAHAHA!! Como sempre diz nosso espontâneo luminar, "Qto maior o bicho, menor o vírus."

Mas ¿será q nenhum estadunidense percebeu nada estranho comparando os comícios? O Bucho lia tudo q falava (menos nos debates, onde... ãã... deixa pra lá...), com aquela lentidão q seus treinadores acharam por bem incutir nele pra q não se confundisse, e com uma entonação adestrada por um fonoaudiólogo. A julgar pela freqüência com q ele virava as páginas q lia, as letras deviam ser bem grandes e espaçadas, com instruções de pausas, &c. Não é preciso ter o ouvido clínico do Dr Plausível pra certificar-se dessas coisas: basta comparar o Bush de 4 anos atrás com o deste ano. Pode-se dizer do Bush o q se dizia da Xuxa: pelo menos ele aprende.

Já o outro candidato, o senador acostumado a debater idéias e contrapor opiniões, falava o q vinha de seu próprio cérebro. Baita diferença.

No entanto, ganhou o leitor de scripts. ¿Vcs não acham estranho q em anos recentes, três leitores de scripts (dois atores e um pateta) tenham sido selecionados pela cúpula republicana pra se candidatar a cargos executivos? Hmm... Como lá se diz, I smell a rat.

Bom mesmo é o sistema parlamentar britânico: ali, o Primeiro Ministro TEM q ser um cara inteligente e bem acima da média dos parlamentares. O PM tem q contrapor suas opiniões cara a cara com a oposição em debates semanais; alguém sem tino, inteligência, lábia e cultura não teria a menor chance. Um pedestre cerebral do calibre do Bush seria massacrado em menos de meia hora. No entanto, nos EUA, ele é eleito presidente fomentando o medo, a desigualdade, o rancor e a pieguice. ¡Êta bucheiro da peste! Como se diz aqui na terrinha, cada país tem o governo q merece.

Mas ¡ô demora democrata! ¡ô réprobo republicano!, ninguém me escuta...