18 dezembro 2004

Refugo

Ontem fiquei horas acalmando o Dr Plausível. Ele ria, ria, ria, e eu perguntava o q era tão engraçado, e ele tentava falar, engasgava de rir, chorava de rir. Fiquei apavorado. Achei q ele ia entrar em coma de novo e aí eu não ia ter mais do q escrever. Só à tarde consegui entender. ¡Ele estava rindo depois de ler um artigo meu em outro blogue! ¡Quanta honra! Ele riu mais da parte em q, falando da pomposidade de quem se acha culto, comparei dois dicionários de sinônimos. Como não tenho nada mais pra dizer, transcrevo aqui o trecho q quase levou nosso doutor de volta à UTI:

POMPA É BOMBA
Comparem as introduções de dois dicionários de sinônimos, o inglês Thesaurus de bolso da Oxford e o brasileiro Houaiss de Sinônimos e Antônimos. Em número de verbetes, são quase análogos: o Oxford tem "150,000 alternative words", e o Houaiss tem "187.000 sinônimos".

Esta é minha tradução da introdução completa do Oxford:

"Um dicionário de sinônimos é feito para ajudar você a encontrar as palavras de que precisa para se expressar com mais eficácia e tornar seus escritos mais interessantes. Este dicionário foi elaborado para combinar o máximo de facilidade com o máximo de auxílio que seu pequeno formato possibilita. A gama de sinônimos e de outras informações incluídas aqui é mais ampla do que seria de se esperar num livro deste tamanho. Os verbetes estão dispostos em ordem alfabética, e a organização de cada verbete é simples e em grande parte auto-explicativa. Geralmente, você encontrará o que quer no verbete em que procurar, mas às vezes será necessário cruzar informações com outros verbetes se você precisar de antônimos, ou se você estiver procurando uma gama maior de palavras.

"Ao utilizar um dicionário de sinônimos, deve-se tomar alguns cuidados. Em primeiro lugar, nenhuma lista de sinônimos pode ser considerada 'completa'. Muitas listas poderiam ser estendidas - algumas quase indefinidamente. Considere, por exemplo, a variedade de palavras que poderíamos usar em lugar de (digamos) bom ou agradável. Em segundo lugar, raramente no inglês duas palavras são totalmente intercambiáveis. Os assim chamados sinônimos podem expressar nuances distintas de significado, ou pertencer a contextos diferentes, ou implicar em sinais diferentes sobre o escritor ou o leitor-alvo - e assim por diante. Espero, portanto, que este volume se torne um recurso útil, mas não somente como um repositório sem vida de "palavras para usar": minha principal esperança é que um dicionário de sinônimos - mesmo um pequeno como este - nos incite a pensar sobre a língua, e nos torne capazes de explorar mais profundamente nosso próprio conhecimento e compreensão de seus complexos processos."
Alan Spooner

Só isso. 280 palavras (na tradução).

Já a introdução do Houaiss, de Mauro de Salles Villar, estende-se por 4½ páginas. Não vou encher vosso saco. Só vou citar algumas partes, pra vcs sentirem o baque:

"Desde a Antigüidade os homens interrogam-se sobre a origem das palavras e sua significação. Heródoto, Platão, Aristóteles, Cícero, Lucrécio, Plutarco, Plotino, e os gramáticos Varrão (que codificou a gramática latina no século I a.C.), Sexto Festo e Nônio Marcelo estão entre aqueles que escreveram sobre tais questões. Foi, porém, Demócrito, pai da teoria atômica do universo e prógono das teorias de indestrutibilidade da matéria e da conservação de energia, quem primeiro registrou, pelo remoto século IV a.C, os fenômenos da polissemia (multiplicidade de sentidos numa só palavra ou locução) e da sinonímia (relação de sentido entre dois ou mais vocábulos ou locuções cuja significação é a mesma ou muito próxima)."

E dá-lhe parágrafos de rocambolices históricas. Mais adiante:

"A noção de SINÔNIMO é polissêmica, e sobre ela escreveu M. Tutescu (Précis de semantique française, Paris, Klincksieck, 1975, citado por D.A. Cruse) tratar-se da "relação semântica que mais tinta fez correr, a relação que o bom senso estima ser clara, mas que os lógicos não cessam de proclamar como martirizante". Sinônimos absolutos denominam-se aqueles capazes de se permutar em qualquer frase, pelo fato de denotarem e conotarem de modo igual a mesma realidade. (...) Na metaliguagem empregada pelos dicionários de tipo semasiológico, por seu lado, a cada unidade léxica deve equivaler uma paráfrase (...) cuja perfeição é medida em relação à sua maior ou menor possibilidade de se permutar em qualquer contexto com a unidade léxica definida."

E por aí vai. 2.400 palavras de chatice totalmente irrelevante pra 99,99% dos usuários do dicionário. É 'sinônimo perifrástico' pra cá, 'valor disfêmico' pra lá. Nenhum comentário simples, nenhuma frase inspiradora, nada além duma secura descritiva, um ar professoral, uma tentativa quase desesperada de mostrar q o assunto tá dominado e q o Houaiss não foi compilado de qqer jeito, não: ¡teve muita pesquisa, muito discernimento, muita seriedade! É tanta demonstração de erudição, tanta asserção de coerência, q até se desconfia o oposto: o Spooner, com sua simplicidade, parece gostar mais de filologia do q o Salles Villar.

É óbvio q não quero comparar a qualidade dos dois dicionários nem a erudição de seus redatores. Mas as perguntas q me faço tbm são óbvias: ¿Q motivo levaria um redator a achar necessário ou apropriado ou oportuno escrever algo q só 0,01% de seus usuários apreciariam devidamente? ¿Por que a editora consentiu a q o redator pavoneasse seus conhecimentos em lugar de servir ao público com uma introdução sucinta e animadora?

As respostas, só eles sabem. Mas arrisco q certamente têm algo a ver com a opinião q eles fazem dos leitores brasileiros, aqueles coitadinhos q precisam dum pouco mais de cultura, q mal sabem juntar três palavras corretamente. É justamente esse um dos principais motivos por que os coitadinhos não leiam mais: a pose do escritor, aquela pose arrebicada q não engana ninguém.

Sobre a introdução do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, melhor eu nem falar. Pra vcs terem uma idéia, tem nela uma palavra usada num sentido q ¡nem sequer consta no próprio dicionário!

13 dezembro 2004

¿De quem são os ovos de Colombo?

Esta é de matar de rir.

A suprema corte da Colômbia determinou q um marido é responsável por qqer filho de sua esposa, mesmo q o barrigudinho seja filho natural de outro homem. Leia aqui.

HAHAHAHAHAHAHA

O argumento é q o filho e as famílias envolvidas têm o direito de não saber da traição da mãe e de sua gestação adúltera. ¡Ah, façam-me o favor!

¡Pois esse pessoal não pensa! Uma coisa q aparentemente favorece a esposa é na verdade sua sentença de morte ou de desamparo. Pois vejam só. Eu, casado com fulana, tenho certeza de q ela me traiu com outro homem e teve um filho dele: o barrigudinho q está aí mamando de meu orçamento. ¿Q faço? Das duas, uma. Ou mato essa vadia desgraçada e seu filho da puta e fujo pro Brasil, ou simplesmente junto tudo q é meu e fujo pro Brasil.

QUAQUAQUAQUAQUAQUA

E ¿q dizer do filho? Lá pelas tantas, qdo ele faz 25 anos, a mãe num ataque de consciência decide revelar-lhe a verdade. O filho, q tinha o direito de não saber, logicamente tem por isso o direito de processar a mãe até o último centavo por lhe causar danos morais irreparáveis.

KAKAKAKAKAKAKAKA

As "supremas cortes" por aí estão dando vexame, hem? A dos EUA instalou o Arbusto na Casa Branca, a do Brasil está num chove-não-molha vergonhoso sobre o feto anencéfalo, e agora vem essa diretamente da Colômbia.

¡Casbófia das Protubálias!

11 dezembro 2004

O bloguipélago

Nosso empenhado Dr Plausível às vezes não tem absolutamente nada pra fazer. Tadinho. Fica ali na bergère no canto da sala relendo Darwin em voz alta, com seu sorriso Walter Brennan.

Mas outras vezes ele quer mais q sorrir, ele quer só rir (ugh!). Aí ele entra na internêta e surfa por blogues e blogues e mais blogues, rindo, gargalhando, casquinando e... e... ¿já notaram a humilhante escassez de verbos de rir no português?

Bem, voltando ao pô. Uma coisa q faz o Dr Plausível casquinar à tripa forra é ver como cada grupelho q junta mais de dez blogueiros se acha o mais iluminado, o mais influente, o mais genial e o mais central de todo o reino. ¡¡HAHAHAHAHA!! Ninguém nesses grupelhos percebe q está numa ilha q está num arquipélago: o bloguipélago. Há centenas de ilhas, e os habitantes de cada uma delas se acham os mais iluminados, influentes, geniais escritores e os mais promissores de toda a safra da inteligência brasileira: cada bloguilhota tem essa impressão de q "aqui, onde eu estou, é o lugar mais esclarecido da internêta." pffff

Os melhores blogues, de longe, são aqueles dos q têm um barquinho q nunca se atraca em nenhuma ilha: botes e jangadas q se cruzam no oceano, trocam algumas palavras, descem a âncora ao largo das praias, passeiam aqui e ali, e depois saem livres, se divertindo. Têm suas preferências, sim. Mas não se sentem agrupados. Já os bloguilhotas em suas ilhas são seres acossados e inseguros q se reconfortam mutuamente. Pois, pensem bem, meninos: só quem tem pavor de se afogar é q se fixa em ilhas, né?

Contra a hipoplausibilose não há vacina: só há tratamento. E demorado.

05 dezembro 2004

Uísque

Êi, ¿alguém aí era uma das outras 10 pessoas no cinema qdo nosso exigente Dr Plausível viu Whisky? ¡Como tem gente nesta cidade, hein! O doutor ficou impressionadíssimo q tanta gente tenha ido ver um filme totalmente plausível, cuidadoso e genial. O níver tá meiorando; a cada década q passa, mais e mais pessoas percebem a importância do detalhe. Já tem umas 20.

Não sei a opinião daquelas outras 10 pessoas, mas nosso envergadoiro entusiasta concedeu a Whisky o Selo de Garantia Dr Plausível, e com louvor.

Mas não é q o filme seja assim TOtalmente plausível. Aquela do cara triplicar a aposta na roleta dum cassino semi-vazio numa cidade uruguaya de veraneio durante o inverno foi abusar um pouco do... ãã... da sorte. Tinha lá uma boa razão de ser no enredo, mas mesmo assim... E nenhum dos atores nem passaria no vestibular prà Escola Superior de Dramaturgia Dr Plausível. Mas nesse filme em particular, isso é o de menos, já q a trama gira em torno da estolidez e do tédio. (Hmm... ¿Será por isso q só havia 10 gatos-pingados no cinema?)

Mas tem gente dizendo q esse é forte candidato ao Oscar de filme estrangeiro. É de matar, hem? ¡¡HAHAHAHAHA!! ¿Sabe quando ele vai ganhar um Oscar? Nunca! O pessoal da Academia vai achar chatérrimo. E ainda tem gente dizendo q ele é candidato porque é uma história sobre judeus. ¡¡HAHAHAHAHA!! Ao ver o Jacobo tendo sorte no cassino, vão querer é censurar o filme.

Tem gente q nem fazendo curso, né?

28 novembro 2004

Amanteigados, não!

Nosso estruturado Dr Plausível é realmente um cara pra lá de prafrentex. Ele não só é feminista (apesar de não-contumaz) mas também apóia todo e qqer capricho, desejo, mania ou legítimo anseio, contanto q protegido e vacinado contra o vírus da hipoplausibilose. Se vc quiser se sentar num formigueiro durante 3 horas sussurrando Manuel Bandeira e logo em seguida amputar vossa perna esquerda, fazer churrasco dela e oferecer o petisco à passarinho pros pobres, o doutor diz "Vá em frente. Só não venha me promover isso como cura prà sinusite." E olha q, dizendo assim, parece estapafúrdio, mas com certeza tem alguém no mundo q poderia ser convencido de q essa é realmente a cura prà sinusite. ¡¡HAHAHAHAHAHA!!

Agora vem a gueizada querer casamento gay. ¡¡HAQUAQUAQUAQUA!! A reação dos reacionários só podia ser a q foi e q é. E isso tudo é porque querem chamar alho de bugalho. É como (e já se disse isso várias vezes aqui) vc chamar margarina de manteiga só pra dizer q usa manteiga. Pois vejam só:

¿A união legalizada e regulamentada entre duas pessoas do mesmo sexo é um um conceito novo? É. ¿Está devidamente vacinado e protegido contra a hipoplausibilose? Está. Então pra que cacete (ops) ficar rechafurdando na mesma lama dum conceito antigo, estabelecido e até, digamos, rançoso? ¡Chama de outro nome!

E é pra q o pobrema seja resolvido o qto antes –e todos os gays e lésbicas possam ser felizes pra sempre numa união legalizada, regulamentada e plausível – q nosso eloqüente doutor oferece a todos, gratuitamente!, o belo, expressivo e plausível termo "parelhamento" pra substituir esse horrendo, inútil, polêmico e desgastado termo "casamento gay". É só chamar dum termo novo, é só aumentar o vocabulário do povaréu, q as coisas vão se ajeitando.

Assim, nos formulários do porvir, no ítem "estado civil", haverá mais duas opções: solteiro, estável, casado, parelhado, divorciado, desparelhado, viúvo.

Vejam q frases lindas de morrer:
-¿Vc quer se parelhar comigo?
-O q Deus parelhou, q ninguém desparelhe.
-Cara, esse é o teu terceiro parelhamento. ¿Qdo é q vai sossegar?
-¡Q parelha linda vcs fazem! ¡Feitos um pre outre!
-¡Mas essa biba não tem jeito mesmo, hem! ¡Só pensa em parelhamento!
-Nosso parelhamento já perdeu aquele encanto de antes.
-¡Não me parelho com essa fanchona mas nem morta!

E esse foi mais um serviço de vosso dedicado Dr Plausível.

26 novembro 2004

Nomencracia

Êi, ¿viram o barraco q está a Ucrânia? Vergonha, hem? O Dr Plausível já tinha avisado, "¡Vai dar urucubaca esse negócio!" Eu perguntei, "Mas ¿qual é o problema?" E a clarividência da resposta só poderia ter brotado do gigante cérebro desse visionário: "¿Como é q não vai dar xabu qdo os dois candidatos se chamam Viktor?"

Dá o q pensar, ¿não dá? ¡Imaginem a guerra civil em q teria mergulhado o Brasil se o Serra se chamasse Polvo!

24 novembro 2004

Frique chou

Aqui no Brasil, poucas pessoas sabem o q é o festival de música do canal Eurovision. Pouquíssimas sabem do EuroJunior, o festival pra crianças de entre 8 e 15 anos. E pouquizíssimas já sabem qual vai ser a nova frente de vendas da indústria de cosméticos. Nosso embasado Dr Plausível sabe as três coisas. Vodzêprucê, ¡ô cara informado!

Este ano ganhou o EuroJunior uma espanhola de 9 aninhos chamada María Isabel: uma artista nata, realmente impressionante, uma fúria no palco, uma voz de flamenco já pronta, um arraso total. A engraçadíssima letra da música vencedora - Antes muerta que sencilla (Antes morta q sem-graça) - foi allegedly escrita pela própria María Isabel. Segundo a ãã autora, a música fala dela mesma, de como é vaidosa, não sai na rua sem maquiagem e não liga pra o q dizem dela. Veja o vídeo e a letra. (Aviso: aos olhos brasileiros, vai parecer um freak show.)

Mas cá entre nós. À parte o seriíssimo e visível talento da moleca, o Dr Plausível só dá risada. Ano q vem, todas as cosmetarias vão lançar produtos pra pré-púberes. Afinal, as meninas também têm todo o direito de se sentir bem consigo mesmas e com seus corpinhos, não? ¡¡RARARARARA!! E o preconceito contra a feiúra das menininhas é muitíssimo mais sério q o contra a das adultas, não é? A crueldade infantil é notória, não é? E se as menininhas de 8 anos podem aumentar seu poder de sedução, melhorar sua auto-estima e potencializar seu diferencial de conquista, ¿por que não? Aprender desde cedo a cuidar de si seria bastante educacional, não? ¡¡pfffrrrRUÁRUÁRUÁRUÁffmmm!!

É pra facilitar a vida dessas crianças q a Lancôme vai lançar um creme hidratante infantil com o revolucionário mXL-09, q não agride a pele pré-púbere, justamente na época da vida em q ela precisa se preparar pràs grandes mudanças q virão... Já a BodyShop vai lançar o desfibrilador facial com glucomostóide de amendoim, o componente ativo nas pinturas faciais das crianças da tribo Finhoquós do Camboja.... E a Clinique vai apostar numa linha completa de cosméticos infantis de última geração q promete amenizar as marcas da idade, preservar a infantilidade da pele e permitir q as meninas brinquem, dancem, chorem e se lambuzem de chocolate sem perder o charme...

Haja saco.

¡E isso q nem falei dos cosméticos masculininhos!

21 novembro 2004

As meia muié

Ei, ¿já viram essas muié emancipada, liberal, intelectualizada, &c q ficam tirando sarro, escrachando e arranhando as feministas? ¡¡HAHAHAHAHA!! ¡Coisa mais implausível, sô!

Nosso embevecente Dr Plausível não é um feminista contumaz. Mas nem é preciso ter faro pro vírus da hipoplausibilose pra sacar q absolutamente toda mulher ocidental de hoje tem muito q agradecer às feministas de ontem. A mulher ocidental de hoje pode votar, pode ter qqer emprego, pode ter propriedades, pode herdar e deixar herdeiros, pode fazer faculdade, &c &c, coisas q 150, 100 ou até 50 anos atrás eram reservadas às pessoas com duas bolas entre as pernas; e isso tudo só foi conseguido porque muita feminista teve q lamber sabão. Ajudou q houve progresso tecnológico, é verdade, mas se aquelas feministas não tivessem fincado o pé, hoje haveria carros, computadores, foguetes, micro-ondas e o escambau, mas as mulheres ainda não poderiam votar, ter empregos e propriedades, não poderiam herdar ou deixar herdeiros, nem fazer faculdade, &c &c. Ou ¿vcs acham q os homens iam dar tudo assim de mão beijada? Quem acha q sim está precisando se consultar com o Dr Plausível. ¡¡HAHAHAHA!!

Mas então ¿por que é q essas meia muié escracham as feminista? ¡Gente mais mal-agradecida! É exatamente como se os negros de repente dessem de xingar os abolicionistas. E as muié pensam q o trabalho das feministas já acabou, q já deu, q já tá bom. Como se, pros negros, já tivesse acabado o racismo. Êita. E aí ficam fazendo pouco, esculachando, chamando as feministas de mal-amadas, dando uma de q sabem mais. Êê, acorda!! Muita mulher q hoje escreve contra as feministas só sabe soletrar porque houve feministas q insistiram pra q ela aprendesse. Se depender dessas emancipetes, a mulher de amanhã não vai ter muito q agradecer às feministas de hoje. Porque ¡vai atrapalhar assim lá na casa do caralho! (Ops!)

18 novembro 2004

As câmera nas câmara

Restabelecendo-se após seu prolongado coma, nosso elástico Dr Plausível não pode ter emoções fortes e deu de ficar zanzando pela casa procurando fios pra forrar, ceroulas pra cerzir e louça pra lavar. Às vezes, qdo precisa descansar dessas fatigantes tarefas, vê-se obrigado a assistir a algum programa sub-sináptico na tv; e é por isso q vez ou outra estaciona nos canais políticos.

Dia desses, lá estava nosso elegante pensador vendo uma sessão da câmara federal, qdo retumbou pela rua uma gargalhada como há muito não se ouvia no mundo. PLAAAH-QUA-QUA-QUA-QUA!! HAHAHAHA!! BLAS-BLA-BLA-BLA-BLA!!!

Não era pra menos. O doutor ficou intrigado por que a câmera teimava em focalizar uma pequena cena de cada vez e nunca abria um plano geral. Pouco a pouco, observando o q rolava à volta de quem tinha a palavra, o motivo disso foi ficando evidente. ¿Alguém aí já assistiu a esses canais por mais de 10 minutos? ¡Não admira q este país não vá prà frente! Aquilo é uma baderna permanentemente à beira do caos total. Há alguns microfones espalhados pelo plenário, e qdo um deputado tem a palavra pra (por ironia) levantar uma "questão de ordem", à volta dele ficam uns gatos-pingados de pé olhando pro nada, conversando, rindo. O deputado dirige a palavra ao presidente da câmara, (por ironia) Inocêncio de Oliveira, q fica sentado ali controlando os microfones, ladeado por dois ou três deputados de aparência totalmente enfastiada. Atrás do presidente, duas, três, às vezes quatro assessores de pé ficam ali desviando a atenção dele, enfiando papéis pra ele assinar, cochichando em seu ouvido, &c. Às vezes passa alguém por trás falando num celular. A câmera só focaliza ceninhas pequenas porque se mostrar o plano geral, deve ser deprimente: um monte de gente distribuída ao acaso num salão enorme, cada um cuidando de sua vida. HAHAHAHAHA!!

A maior gargalhada de nosso excelente doutor aconteceu qdo um deputado mineiro falava no púlpito sobre o perigo de dirigir na estrada de BH até sua cidade natal, e lá no finalzinho mandou ver uma pérola deste quilate: "E sendo hoje 16 de novembro, quero parabenizar minha Luciana belezinha q tanta alegria me dá. ¡Um beijo!" Abriu um sorriso de orelha a orelha e saiu de cena. ¡¡QUA-QUA-QUA-QUA-QUA!! ¡Impressionante, não? Dá até pra ver o nobre deputado negociando sua subida ao púlpito naquele dia,

"Pô, dá uma brechinha aí, ô Inocêncio, é o niversário da minha filhinha."
"Mas ¿vc vai falar do quê?"
"Ah, tem uma estrada lá q o pessoal tá me enchendo o saco pra falar..."
"Tão tá. Sobe lá depois do Fulano, q vai dar uma indireta prà sogra."

O mais engraçado mesmo é q vira e mexe tem alguém chamando aquela paçoca de "parlamento". ¡Ê, peraí, parlamento é coisa organizada! Isso é como chamar margarina de manteiga só pra dizer q vc come manteiga. Aquilo q o doutor viu na tv está mais prum parlapatório.

Mas não é curpa dos deputado. Eles são só as vítima de algum ataque de hipoplausibilose idealista q assolou os constituinte. Só pode ter sido isso. Pois ¿quem, em sã consciência, acharia plausível q uma câmara assim montada seria eficiente?

11 novembro 2004

É pó, é powder, é o Vim no ralinho

Ei, ¿já notou q muitas canções não são mais q listas?

Alguns anos atrás um jornal paulistano com falta de assunto fez uma enquete com várias personalidades da música e outras artes, q responderam à pergunta "¿Qual a melhor canção brasileira?" ou algo assim. Qual não foi a surpresa do Dr Plausível qdo ganhou de lavada aquele monótono paradigma das letras-lista, "Águas de Março" (Tom Jobim) -setenta e oito ítens, um atrás do outro. O doutor achou engraçadíssimo q uma letra q não diz nada, num ritmo semi-hipnótico, sobreposto a uma harmonia q fica girando em círculos, tenha sido a mais citada entre os enquetados. Cada coisa, não? Como música, "Águas de março" é boa, mas pra ser a melhor canção brasileira teria q empilhar muita pedra.

Uma lista de ítens só é plausível se há algum propósito conteudista. Veja "Every breath you take" (Sting): é uma lista plausível exatamente por falar duma obsessão. É só usar o cucuruto –coisa q antigamente se fazia mais amiúde na mpb. Em "Conversa de botequim", por exemplo, Noel Rosa pedia ao garçom pra:

1 trazer
   1a uma boa média
   1b um pão com manteiga
   1c um gardanapo
   1d um copo d'água
2 fechar a porta
3 perguntar o resultado do futebol
4 parar de ficar limpando a mesa
5 pedir ao patrão
   5a uma caneta
   5b um tinteiro
   5c um envelope
   5d um cartão
6 trazer
   6a um palito
   6b um cigarro
7 pedir ao charuteiro
   7a uma revista
   7b um cinzeiro
   7c um isqueiro
8 telefonar pra 344 333
   8a pedir um guarda chuva
9 emprestar algum dinheiro
10 pendurar a despesa

O Rosa teve o bom senso de usar um contexto humourístikü: o fato de a letra ser na verdade uma lista de pedidos é exatamente pra mostrar q o freguês é um abusado. ¿Ou tou errado? Hoje parece q pra produzir um grande sucesso é só começar cada verso com a mesma palavra e terminar com alguma rima. HAHAHAHAHA ¡Bico! O único trabalho necessário é pesquisar num dicionário de rimas. ¡Ê preguiça mental, hem! Olha só "Águas de março":

é pau / é pedra / é o fim do caminho / é um resto de toco / é um pouco sozinho
e assim por diante

[total: 78 ítens]

q tem o mesmíssimo enredo q se fosse:

é um / é dois / é trezentos e nove / é duzentos e quatro / quatrocentos e seis

Isso é uma lista porque a ordem dos fatores não obedece a nenhum propósito semântico ou tramático: misture a ordem dos versos e o conteúdo continuará o mesmo. A ordem dos versos é imposta pelas rimas. ¡Q coisa mais sem nada, sô! Olha outra:

COMEÇAR DE NOVO (Ivan Lins, Vitor Martins)
começar de novo e contar comigo
vai valer a pena ter amanhecido
sem o ítem u-um
sem o ítem do-ois
sem o ítem trê-ês
sem o ítem quatroooo
sem o ítem cinco
sem o ítem se-eis
sem o ítem sete
sem o ítem oitoooo


Olha esta de nosso ministro da curtura:

SE EU QUISER FALAR COM DEUS (Gilberto Gil)
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que fazer assim
Tenho que fazer assado
Tenho que fazer aquilo
e assim por diante

[total: 25 ítens]

Essas duas ainda tinham um certo tino legal, tal como a sacadinha metafísica do Gil terminar dizendo "tenho q caminhar decidido pela estrada que ao findar vai dar em nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada do que eu pensava encontrar". Mas as letras mais recentes q são chamadinhas de geniais, ¡vou te contar! Que vergonha. Veja só:

À PRIMEIRA VISTA (Chico César)
quando o ítem um, blablabla
quando o ítem dois, blablabla
quando o ítem três, blablabla
quando o ítem quatro, blablaaaaaa
e assim por diante

[total: 12 ítens]
Amara, dzaiá, soi, ei, dzaiá, zaia, aiii ingado, rã ã
Oh! Amara, dzaiá, soi, ei, dzaiá, zaia, aiii ingado, rã ã


E esta outra, uma seqüência incoesa de imperativos agrupados pelas rimas:

DO IT (Lenine)
aconteceu o ítem um? faça isto
aconteceu o ítem dois? faça aquilo
aconteceu o ítem três? faça tal coisa
aconteceu o ítem quatro? faça tal outra coisa
e assim por diante

[total: 40 ítens]

¿Quié quié isso, minha gente? fábrica de salsicha? ¡¡HAHAHAHAHA!!

Mas não se engane o leitor: nosso esfíngico doutor tem um respeito quase serviçal por esses compositores. Só q eles fazem composições e composições; e o q o intriga é o gosto por esse tipo de maçaroca em série, essa repetitividade sintática, uma frase após a outra dizendo praticamente a mesma coisa. ¿Será dificuldade de concentração? ¿Déficit de atenção? ¿Será... alguma coisa na língua portuguesa?

Acho q é conseqüência do sucesso fácil. Outros compositores não se rendem assim tão fácil ao público. O Chico Buarque, por exemplo, tbm é um grande listador. Só q ele tem suficiente bom senso pra estruturar muitas de suas listas num todo entrelaçado q parece uma coisa só e muitas vezes não poderia aparecer em outra ordem. Quisera seguissem seu exemplo.

Mas, ¡ó prosaico paralelismo! ¡ó anáforas anencéfalas! ¿Q esperança?

10 novembro 2004

O doutor tira o enfezado da reta

Pra evitar q nosso eclético doutor seja injustamente acusado de ter comparado islâmicos a baratas, é preciso esclarecer umas coisas. O Dr Plausível só disse q o fundamentalismo islâmico é a barata das religiões apenas no aspecto q tanto o islamismo qto as baratas compartilham: a extraordinária capacidade de sobreviver em condições inóspitas. E se o leitor acha q expressar essa opinião é ofensivo, é porque ainda não ouviu a opinião de nosso empático terapeuta sobre as outras religiões originadas naquela terra infértil.

Só pra manter a discussão num apropriado nível entomológico, considere isto:

O cristianismo é o gafanhoto das religiões: de tempos em tempos, sem motivo aparente, o gafanhoto cristão vira uma praga q invade aos milhões uma região qqer do planeta, dizima sua cultura, devora suas riquezas e ainda fica fazendo aquele barulhinho irritante. Daqui a um século, os iraquianos poderão fazer coro com os africanos: "Antes tínhamos a terra e os cristãos tinham as bíblias. Agora temos as bíblias e eles têm a terra."

O judaísmo é a aranha das religiões: estende uma rede invisível em lugares estratégicos, e qqer inseto q entre em seu território tá ferrado. E ai de quem pisar num de seus oito calos.

Mais do q esclarecer esses pontos, é preciso deixar claro algo fundamental: o Dr Plausível, em seu entusiasmado ecumenismo, nunca poderá ser acusado de preconceito, uma vez q sempre insistiu q qqer vítima, absolutamente qqer vítima, da hipoplausibilose merece todo respeito, consideração e tratamento. Como sempre diz, "o bom de ser agnóstico são as gargalhadas". Mas essas gargalhadas são dirigidas ao vasto edifício erigido pela imbecilidade humana pra justificar algumas metáforas sobre o mundo natural, e não às humildes e ignorantes vítimas dessas religiões, q são convencidas a crer, matar e morrer em prol de tantas idéias implausíveis. A essas vítimas, o Dr Plausível só dirige seu mais compassivo sorriso Walter Brennan.

08 novembro 2004

A palestra do doutor

Alguns dias atrás, no auditório do Instituto Internacional para a Erradicação da Hipoplausibilose, o Dr Plausível proferiu uma palestra intitulada "O Fundamentalismo Islâmico e os Portadores de Pênis Alheios", transcrita abaixo:

"Toda religião pretende de algum modo padronizar o viver de seus seguidores, e para isso as religiões em grande parte se pleiteiam como conjuntos de regras. As regras religiosas são, por assim dizer, uma resposta pseudo-mística à imbecilidade humana. Não poderia ser diferente, pois para q qqer grupo heterogêneo de pessoas seja economicamente viável, é preciso haver regras q controlem as atividades de gente burra, desonesta ou mesquinha - ou seja, a maior parte da população, senão toda ela em algum momento. Qqer gerente ou supervisor num acesso de raiva (e muitos a qqer hora) concordaria com essa definição de 'regra'.

"Mas não é qqer tipo de regra q serve às religiões. C Nordberg-Schulz, em seu livro Genius Loci, citando fenomenólogos cujos nomes não recordo, demonstra q as características básicas das diversas religiões são influenciadas por aspectos geográficos dos locais onde se originaram. Por exemplo, as religiões monoteístas se originaram em locais amplos e pouco variados, onde se vê o céu de horizonte a horizonte - locais tais como o Oriente Médio, as geleiras Árticas e as tundras Asiáticas. Em contrapartida, as crenças politeístas se originaram em regiões acidentadas como a península Helênica, ou de muita vegetação como a Índia e os bosques europeus. Se as religiões são maneiras q os grupos encontraram de adaptar suas vidas às condições dos locais onde viviam, então pode-se dizer q uma religião q perdura num local está muito bem adaptada a ele e aos problemas sociais advindos das condições ali reinantes. Os problemas sociais são atenuados com regras, e embora as fábulas religiosas entretenham o povaréu, o q ele gosta mesmo é das regras derivadas dessas fábulas, se essas regras prometem ou ajudam a estabilizar a vida do grupo. Depois q as regras "pegam", elas acabam se tornando ainda mais potentes q as condições geográficas locais ao determinar a identidade e o comportamento do grupo ali instalado. O q acontece depois, qdo as regras se disseminam extra-localmente, é outra história, geralmente absurda ou ridícula: vê-se desde ingleses convertidos ao islamismo até cariocas celebrando um rito mitraico em pleno verão com a imagem dum velhinho vestindo peles e viajando de trenó.

"É irônico ver tantos conservadores reclamando de religiões q "pararam no tempo", mormente fazendo pouco do islamismo, como se conservar fosse uma qualidade e permanecer imutável fosse um defeito. (Vale dizer q não tenho a menor simpatia por ou empatia com essa religião, o qqer outra em particular.) O fundamentalismo islâmico está tão perfeitamente adaptado ao local onde foi criado, q sofreu poucas modificações desde então: não se pode dizer q 'parou no tempo' porque após sua época áurea não precisou mais modificar-se, e só precisará fazê-lo ou se o ocidente invadir de vez aquela cultura, ou se as condições climáticas e geográficas do Oriente Médio se modificarem - algo q ocorrerá se a poluição industrial (que começou no ocidente, diga-se de passagem) confirmar as previsões de aquecimento global. Se, como se sabe, a barata é o animal melhor adaptado às condições deste planeta (até atravessar o caminho dum sapato) e se o Islã é a religião melhor adaptada à imbecilidade humana tal como se manifesta numa região quente e semi-inóspita (até deparar-se com ideais ocidentais) então o fundamentalismo islâmico é a barata das religiões desertícolas - com todo respeito tanto pelos islamitas como pelas baratas. Aliás, se os países islâmicos "pararam" no século XV, qual é o problema? Não faz o menor sentido achar q estamos melhor agora do q antes.

"É até compreensível q o atentado ao WTC tenha sido perpetrado por fundamentalistas islâmicos - se é q o foi - qdo se considera as mudanças quase impostas ao mundo islâmico por um credo estrangeiro e estranho ao Islã: o credo da democracia capitalista industrial. Esta já se transformou em religião no ocidente - e uma religião tão sem nexo, provas ou honestidade como qqer outra. Com a mesma veemência com q religiosos invocam a Deus ou Alá, hoje invoca-se a democracia como um conceito abstrato q vai resolver todos os problemas, qdo ao mesmo tempo todos sabemos q democracia real não existe em lugar algum. Muitos islamitas se sentem traídos.

"O q não se diz sobre o abominável atentado é q cada uma das 50 mil pessoas q trabalhavam no WTC tinham orgulho em participar de alguma forma nas decisões q influenciavam cegamente as vidas, costumes e culturas no mundo inteiro. Pode-se no mínimo dizer q, nascida nos EUA ou não, nenhuma das vítimas se ofendia ao ver um adolescente muçulmano trajando t-shirt e blue-jeans, ouvindo ou fazendo uma adaptação grotesca de rap, comendo cheeseburgers, ou utilizando qqer outro objeto cobrável de aculturação. Cada uma daquelas pessoas se orgulhava em trabalhar num dos maiores edifícios já construídos na história, na q talvez seja a cidade mais influente do planeta. Viam-se talvez a si mesmos como os "Masters of the Universe", na expressão cunhada por Tom Wolfe. O q essas cegas decisões globalizantes ignoram contumazmente é q cada lugar tem sua coisa própria, e q é natural q em toda parte se criem radicais imbecis contrariados, pessoas q se outorgam as rédeas dos acontecimentos. Não admira q um "outside-insider" como bin Laden tenha se revoltado (se foi isso mesmo o q houve); como também não admira o bombardeio da mídia ocidental q há décadas "denuncia" e ridiculariza a cultura muçulmana (¿lembra do Indiana Jones fuzilando o árabe q o ameaçava com a cimitarra?). O ser humano é naturalmente imbecil: torna-se radical qdo seu modo de vida lhe parece superior: torna-se contrariado qdo o impedem de gozá-lo a seu bel-prazer. (Os próprios EUA são um caldeirão de radicais imbecis q só não jogam aviões em outros países porque ainda não estão suficientemente contrariados.) O q temos então é a receita da catástrofe: dum lado o orgulho ignorante, do outro a imbecilidade esclarecida. Só pode dar nhaca.

"Ao tentar modificar forçosamente os costumes de qqer região, o rebote é certo e certeiro. Imagine, por exemplo, q algum estrangeiro venha querer forçar você a concordar q comer com talheres é moralmente (ou politicamente, ou economicamente) impróprio e q o certo é comer com um aparelhinho moderno, prático e higiênico que, veja só, ele mesmo vende por uma bagatela. Se você tem a mídia do mundo contando tua história, você joga propaganda no sujeito. Se você não tem, você joga um avião na fábrica de aparelhinhos. É o q os indígenas tupis e tamoios teriam feito a Portugal se houvessem tido a tecnologia; é o q as baratas fariam às fábricas de sapato se soubessem pilotar aviões; é o q algum estadunidense faria à Bahia se o ACM tivesse meios de forçar o tio Sam a comer vatapá.

"Não querendo de forma alguma ser chulo ou ofensivo, mas apenas valendo-me duma idéia bastante expressiva, classifico eufemisticamente a defesa do ideário dos poderosos estadunidenses por estrangeiros idólatras como 'gozar com o pau dos outros', servir de 'porta-pau'. Os jornais brasileiros são porta-pau qdo publicam anonimamente artigos visivelmente (e often mal) traduzidos de jornais "americanos" ou ingleses; a Veja é porta-pau toda vez q traz na capa o mesmíssimo assunto q a Time da semana; o brasileiro médio é um porta-pau qdo prefere ouvir músicas com letra numa língua q não entende; já o brasileiro ãã culto é um porta-pau qdo assina ou compra a versão "latinizada" da Time; e assim por diante passando por todos os porta-pau em todo o mundo q se sentem maiores, mais potentes, mais penetrantes e mais sedutores toda vez q envergam a verga da envergadura estadunidense."

......

Ao terminar a palestra, o Dr Plausível foi entusiasticamente aplaudido de pé por todos os três ouvintes presentes. (Ãã... bom, o porteiro do auditório já estava de pé.)

05 novembro 2004

Êta...

Como alguns leitores mais dedicados sabem, nosso endiabrado Dr Plausível, após voltar do coma em q esteve desde o dia das mães, foi tratado com uma versão acelerada do tratamento adeuslênin. Conta com uma equipe dos melhores médicos de todo o mundo, q o têm visitado regularmente. Não era pra menos: os dedicados serviços q nosso enobrecido humanista já prestou à medicina mais do q o... mais do q o... (pausa) ué?... Estou procurando uma palavra q expresse o mesmo q entitle do inglês, q significa ´dar direito a´. ¿Não tem essa palavra em português?

(pausa pra procurar em vários dicionários)

Não, não tem.

Hm. Continuando ... os dedicados serviços q nosso enobrecido humanista já prestou à medicina mais do q o jfhxzqlizam a esse tratamento especialíssimo.

Só hoje ele recebeu alta e pôde emitir sua ressonante, fulgurosa gargalhada ao saber do comunicado de bin Laden aos americanos 4 (quatro) dias antes duma eleição q os republicanos tinham pavor de perder. Não foi 4 meses antes, nem 4 dias depois. Foi 4 (quatro) dias antes. ¡¡¡QUAQUAQUAQUAQUAQUA!!!

Convenhamos. Ou esse bin Laden é muito, assombrosamente, humilhantemente BURRO, ou esse cara tá de sacanagem. Porque ¡vá produzir hipoplausibiloses desse tamanho lá na central de novelas! A Globo tem q contratar esse cara: só fala lugares-comuns na hora mais imprópria e tem uma audiência de 54 mihões de bocós. ¡¡HAHAHAHAHAHAHA!! E ainda tem gente q acredita! ¿Pode, uma coisa dessas?

Aliás, o centrão dos EUA tá bem precisando de mais clínicas Dr Plausível. ¡Êta povinho sem simancol!

¿Será q ninguém mais percebeu o sorrisinho de satisfação literalmente na cara do Bush três anos atrás durante a ovação de pé q recebeu do congresso apenas dois dias depois de 9/11? E se alguém percebeu, ¿dirá q era um sorriso até simpático? HAHAHAHAHA!! Cada uma q me aparece.

04 novembro 2004

Um país embuchado

O Dr Plausível acha os EUA um país engraçadíssimo, uma infindável fonte de gargalhadas. Só na história recente, pra citar os casos mais hilários, teve o da Estagiária Otária, o do Eleito Suspeito e o do Pânico Sadânico. Agora o centrão tonto achou por bem re-eleger pra presidente um leitor de discursos. E ¿sabem qual é uma das qualidades mais citadas do suspeito? Q ele parece boa companhia pra tomar umas cervejas no bar da esquina. ¡¡HAHAHAHAHAHAHA!! Como sempre diz nosso espontâneo luminar, "Qto maior o bicho, menor o vírus."

Mas ¿será q nenhum estadunidense percebeu nada estranho comparando os comícios? O Bucho lia tudo q falava (menos nos debates, onde... ãã... deixa pra lá...), com aquela lentidão q seus treinadores acharam por bem incutir nele pra q não se confundisse, e com uma entonação adestrada por um fonoaudiólogo. A julgar pela freqüência com q ele virava as páginas q lia, as letras deviam ser bem grandes e espaçadas, com instruções de pausas, &c. Não é preciso ter o ouvido clínico do Dr Plausível pra certificar-se dessas coisas: basta comparar o Bush de 4 anos atrás com o deste ano. Pode-se dizer do Bush o q se dizia da Xuxa: pelo menos ele aprende.

Já o outro candidato, o senador acostumado a debater idéias e contrapor opiniões, falava o q vinha de seu próprio cérebro. Baita diferença.

No entanto, ganhou o leitor de scripts. ¿Vcs não acham estranho q em anos recentes, três leitores de scripts (dois atores e um pateta) tenham sido selecionados pela cúpula republicana pra se candidatar a cargos executivos? Hmm... Como lá se diz, I smell a rat.

Bom mesmo é o sistema parlamentar britânico: ali, o Primeiro Ministro TEM q ser um cara inteligente e bem acima da média dos parlamentares. O PM tem q contrapor suas opiniões cara a cara com a oposição em debates semanais; alguém sem tino, inteligência, lábia e cultura não teria a menor chance. Um pedestre cerebral do calibre do Bush seria massacrado em menos de meia hora. No entanto, nos EUA, ele é eleito presidente fomentando o medo, a desigualdade, o rancor e a pieguice. ¡Êta bucheiro da peste! Como se diz aqui na terrinha, cada país tem o governo q merece.

Mas ¡ô demora democrata! ¡ô réprobo republicano!, ninguém me escuta...

28 outubro 2004

Jornalista caturra morre de velhaco

Ué? ¿Agora ninguém mais pode morrer? Um futebolista cai morto no gramado e ¿tem q haver um culpado?

O eclipsante Dr Plausível já está podendo dar umas risadas, e esta tarde deu uns fufunhos bem saudáveis com os noticiários - aqueles em q um engravatado empostado se pavoneia pra lá e pra cá moralizando sobre as várias desgraças do povaréu incônscio.

Todo mundo sabe q a morte, qdo vem, vem. Não há escapatória. Mas ¡qta besteira, qta imbecilidade, qto despautério tem q rolar pra q uma morte renda alguma audiência! Ficam procurando alguém pra culpar, fazendo perguntas 'informativas' aos médicos ("¿O senhor sabia q a cada minuto sem o defibrilador, as chances de vida ficam menores?"), tudo com aquela cara de justiceiro buscando "a verdade". hu-hu-hu-hu-hu

Esse é o jornalismo napalm: botam fogo em tudo, esperando queimar algum culpado. Cogitaram culpar os dirigentes, os médicos, o ambulatório, a ambulância...

Mas acontece q o futebolista q morreu, mesmo sabedor de q tinha um problema cardíaco, estava em campo por sua livre vontade pois queria continuar jogando até o fim do campeonato deste ano - uma informação q levou um desses empolados, o Datena, à ESPANTOSA conclusão de q o jogador não tinha o direito de "dispor da própria vida". ¡Isso é q é jornalismo, hein!

Mas o pior não é a estultícia fabricada. O pior, o mais hilário é a mensagem q fica, a mensagem apreendida e aprendida pelo populacho febril: ¡ABAIXO O ACASO! ¡Todo fato deve ter alguém responsável! ¡Ninguém pode morrer! HAHAHAHAHA!!

¡Ô joça de jornal! ¡Ô néscio da notícia!

22 outubro 2004

Mas ¿escrever o quê?

¿Já viram a última boçalidade dos lingüistas & gramáticos brasileiros? Querendo mostrar serviço, e em sintonia com toda a boçalidade com q o Brasil 'culto' em geral lida com a língua, vão tentar decretar mais uma mudança ortográfica no português, desta vez unindo-se aos portugueses boçais pra "padronizar" a escrita nos dois lados do Athlãtxiku. Cada um q me aparece…

Nosso encomioso Dr Plausível ainda não pode gargalhar mas já recebeu autorização médica pra arfar uns pigarros e gorgolejar o bafo, se for estritamente necessário. E foi o q fez ao ler a notícia acima. Pobre Dr Plausível. Ele foi ruborizando, roxeando, tampando a boca com a mão e segurando o ar nos pulmões. ¡Q cena ferinte!

Não era pra menos. Pra êsse erudito militante, o maior empecilho disparado, o mais perverso e insidioso obstáculo ao progresso brasileiro são os gramáticos e os dicionaristas desta terra. Êta gentalha. O Brasil só não é "um país q vai prà frente" porque sua evolução é perenemente tolhida, abortada e acuada por um bando de caga-regras da língua. Em vez de se ocuparem de coisas realmente importantes, ficam aí tirando tremas e circunflexos por decreto. Nada contra tirar tremas e circunflexos por decreto; mas ¿por que não fazem algo realmente útil pra variar?

Mas ¿o q seria realmente útil? Às vezes é difícil seguir o raciocínio de nosso esterlino doutor. Vamos ver se consigo explicar.

Pense bem antes de responder: ¿Quem tem uma vida mais difícil, um mendigo ou um médico? Já fiz essa pergunta a dezenas de pessoas e todas elas responderam q obviamente o mendigo tem uma vida mais difícil. Mas a resposta está ¡eeeeeeeeeeeerraadaa! Obviamente o médico tem uma vida muito mais difícil. A vida do mendigo pode ser desconfortável, desagradável, humilhante &c, mas com certeza é uma vida facílima. Não é preciso nenhum talento especial pra pedir esmolas e dormir na rua. É trocentas vezes mais difícil ser médico, e é por isso q o médico ganha mais do q o mendigo.

Mas ¿qual é a principal diferença entre os dois? Antes q vcs fiquem aí dando cabeçadas, já vou responder: a diferença entre os dois é o vocabulário. Decheu enfatizar: a principal diferença entre os dois é o vocabulário. Aquilo q o médico adquiriu em anos e anos de formação escolar e profissional se resume a pouco mais q a lista de palavras q ele é capaz de reconhecer, utilizar e associar a outras palavras ou a objetos concretos ou abstratos no mundo, formando uma estrutura mental q espelha a realidade. Ou seja, a principal diferença está no grau de complexidade de suas mentes, uma complexidade fomentada e mantida por seu vocabulário. A educação não existe pra simplificar a vida: existe pra torná-la mais complexa.

Do mesmo modo, o Brasil e Portugal só não criam, produzem e disseminam um padrão de vida mais confortável, mais revigorante, mais multifário, mais complexo —ou seja, só não são países do Primeiro Mundo— porque o português é uma língua q ficou pra trás, uma língua q, por obra de seus capangas tira-tremas, não se desenvolve, não descobre e não cria novos conceitos: em resumo, não aumenta seu vocabulário, e se vê obrigado a repisar um léxico ultrapassado, canhestro e imaleável —qdo não copia as idéias alheias apenas.

Os exemplos do exemplar Dr Plausível são em alemão, sueco, japonês, inglês, e todas essas línguas de países mais complexos. Eu não saberia repeti-los. Vou citar um exemplo duma língua q conheço bem, o inglês. Como se já não bastasse q grande parte do jargão de inúmeras tecnologias vem do inglês (já q essas tecnologias são criadas, produzidas ou disseminadas em inglês), o português tbm carece de inúmeros conceitos q são moeda corrente em inglês. Tomem a palavra accountability. Essa palavra não tem equivalente português. O tradutor é obrigado a acochambrar traduzindo-a por 'responsabilidade'; mas não é a mesma coisa. Seria um conceito muito útil no Brasil. Minha esposa, a Bebel, teve a sacada de q accountability é quase o exato oposto de impunidade. "No Brasil, todos falam do 'problema' da impunidade," diz ela, "e ninguém consegue falar da solução (accountability) porque o português não tem a palavra." Ou seja, o português tem o conceito de 'impunidade', mas não tem o de seu oposto. Nem imputabilidade, nem imputação, nem punibilidade dão conta de accountability. ¿Talvez punidade? Mmm… não. Mesmo assim, procure punidade no dicionário. Não tem. Portaaaaaaaanto, a palavra "não existe". No entanto, accountability e accountable são conceitos comuníssimos em inglês. Qqer adolescente conhece e usa.

Como essa, existe uma miríade de palavras e conceitos em inglês q dão complexidade, vigor e progresso aos países de língua inglesa. E pra cada palavra q tem no português e não no inglês, tem três palavras no inglês q nem sequer são possíveis de se imaginar em português. ¡E isso q nem falei das locuções inglesas, os grupos de duas ou mais palavras, a tortura do tradutor!

A questão levantada pelo Dr Plausível é q o Brasil e Portugal se encontram à margem da evolução social, cultural e industrial do planeta porque são países q têm uma lingua complicada mas não complexa. Em particular, o Brasil, além disso, é um país complicado mas não é um país complexo. Pra erguê-lo da lama, bastaria permitir-lhe ou dar-lhe mais palavras.

Mas, ¡ó grasnante disparate!, ¡ó descredinte gravame!, os gramáticos e dicionaristas brasileiros e portugueses, em vez de tentar ajudar a tirar o português (e o Brasil) do vexame em q se encontra, ficam aí perdendo tempo cagando decretos sobre picuinhas, enquanto restringem, censuram e castram a pouca semântica q o português tem.

20 outubro 2004

Cefaléias

Entre as sessões de fisioterapia, nosso ebúrneo Dr Plausível, ainda convalescendo do coma, encadeia as horas relaxando com leituras revigorantes de Darwin, Dawkins e Rorty. Mas de vez em quando, liga a tv pra ver algum movimento - tomando o cuidado de não colocar num canal muito popular, pra evitar as gargalhadas. Seu médico o proibiu de rir durante uma ou duas semanas. Gargalhar, nem pensar. Por enquanto só pode sorrir. Êta sofrimento.

Hoje, passando os canais, parou na tv Senado. Era a sessão do Supremo brasileiro em q os juízes votavam por manter ou não a liminar q permite o aborto de feto anencefálico. Vou dizer uma coisa pra vc: nosso escolado luminar penou, viu. ¡Qta estupidez! A maioria decidiu contra a liminar. Ou seja, segundo aqueles gaguejantes, tortuosos, monocórdios e empolados coiós, uma mulher grávida q carrega um feto sem cérebro pode fazer uma de duas coisas: (1) ficar nove meses com aquele vegetal na barriga crescendo, estropiando seu corpo, sua rotina, sua vida, dando lucro pra médicos, gastando dinheiro público ou privado inutilmente, engolindo o orgulho ao explicar a todo mundo q não é menina nem menino, aguardando ansiosa o momento em q seu "bebê" vai inevitavelmente morrer, passar as dolorosas horas de trabalho de parto, dar à luz um monte inerte de carne e ossos, registrá-lo, dar um jeito de se livrar dele gastando mais dinheiro com um enterro e túmulo ou cremação, e depois passar o resto da vida com o trauma e as seqüelas físicas da gravidez; ou (2) durante a gravidez, gastar tempo e desmiolar os nervos pedindo a um juiz q aprove um aborto, arriscando-se obviamente a confrontar um juiz q não o aprove e a obrigue a seguir o ítem (1) à risca, sob pena de até 3 anos de prisão.

Pra conter o riso, o Dr Plausível ficou pensando na penúria dessas mulheres. Mas q teve vontade de soltar uma gargalhada, isso teve. Principalmente porque, contrastando os juízes q eram contra a liminar e a minoria q era a favor, estava tão na cara quem estava enrolando e quem estava dizendo algo inteligível. Os contra, todos eles, tentavam enrolar com um palavrório vago, vacilante, viciado, velhaco e vaidoso. Os afavor, todos eles, foram claros, diretos, fluentes, pertinentes. Mas malgrado a clareza e o bom senso destes, a liminar acabou revogada pela tacanhez das múmias-que-andam.

Nosso encefálico analista estava a ponto de esbugalhar a testa às gargalhadas. Felizmente, uma enfermeira entrou e desligou a tv, e o Dr Plausível sobreviveu pra ver o amanhã.

¡Ó cefalópodes sem senso! ¡Ó suprema cefaléia!

30 setembro 2004

não:[de cama em coma]

Já era tempo.

Nosso ebuliente Dr Plausível finalmente saiu do coma e já ambula seus primeiros passos pelo quarto. Em todas as Clínicas Dr Plausível espalhadas pelo país, grande foi a comemoração q se seguiu ao auspicioso evento.

24 junho 2004

Vende-se religião

Inúmeros leitores deste blogue têm quase diariamente reclamado q não escrevo mais. O motivo é compreensível, pela gravidade: o Dr Plausível entrou em coma no Dia das Mães e não dá sinais de voltar à consciência.

Pra nosso enaltecido doutor, o único meio de transporte q retém um mínimo da dignidade do pedestre é a bicicleta. Qqer ser humano q se preze não pede mais q o suave deslizar das rodas e a emoção de infinitos perigos a 15 por hora. Mas, assim como são atividades incompatíveis assoviar e chupar cana, tbm é impossível pedalar e gargalhar. Primeiro, q as duas ações requerem generosas lufadas de ar. Segundo, q as lágrimas vão turvando a vista, e daí a um acidente, basta uma pedrinha.

No fatídico dia em q entrou em coma, nosso empírico humanista viu-se entre o pedalar e o gargalhar, e obviamente entregou-se ao segundo. Estava passeando calmamente sem pensar em lhufas, qdo ao virar uma esquina viu-se perante um outdoor com o Padre Marcelo apregoando um vídeo sobre a vida da Virgem Maria com o slogan "Chegou o presente que toda mãe pediu a Deus." Ao sentar-se na sarjeta pra rir, foi rindo rindo rindo até ter um piripaque e ali mesmo entrou em coma.

Como não conversei com ele a respeito do outdoor, mas conhecendo suas opiniões como conheço, só posso conjeturar q o motivo de tanta risada foi o fato de um clérigo rebaixar-se tão profundamente na lama do comercialismo a ponto de cometer três pecados numa só frase:

(1) mentiu descaradamente, pois sabe q é ínfima a porcentagem de mães q pediriam a Deus um vídeo de Maria - tanto pelo fato de q há outras religiões no Brasil e no mundo, como pelo fato de q pouquíssimas mães católicas seriam cretinas o suficiente pra "pedir a Deus" um presenteco duma fita de vídeo;

(2) foi ímpio, profano e sacrílego (e sem-vergonha e de mau-gosto) ao aliciar o nome de seu deus numa campanha q tencionava evidentemente aproveitar-se duma efeméride comercial pra surrupiar uns trocados do povaréu beato;

(3) e o pior de tudo, perpetrou um ataque agudo de hipoplausibilose ao deixar implícito q Deus nem atenderia o pedido das mães, visto q o vídeo não é dado pela Magnificência Divina, e sim vendido por quem se considera seu representante comercial, o Padre Marcelo.

A Igreja Católica há muito está precisando duma consulta com o Dr Plausível, não acham? Mas talvez ele esteja bem em seu coma, porque do jeito q a coisa vai, logo entraria em colapso de novo.

21 março 2004

Democrasso

Um leitor deste blogue enviou a seguinte proposta de pauta:

Antes da eleição do ano passado, surgiu a polêmica sobre o nosso presidente não ter curso superior, mas para candidatos a fiscal da prefeitura de SP isso era uma exigência. Muitos anúncios de vagas para empregos exigem nível superior (...) Há alguma hipoplausibilose ou há fundamento?

Quero crer q o leitor perguntava a nosso esmerado doutor se não é implausível apoiar e eleger um presidente prepedeuta.

Ao ouvir a pergunta, o Dr Plausível sorriu meio de lado e quis esquivar-se. Pra ele, política é como espinha de peixe: ou vc consegue engolir, ou ela fica entalada na garganta, ou então vc nem põe na boca; e esta última é a opção dele. Mas insisti, argumentando q não se tratava duma questão meramente política, mas uma questão de princípios. Sua resposta – como sempre – iluminou as trevas de minha ignorância.

Vc não pode ter democracia e não ter o Lula. Sorry. (Democracia significa q a vontade momentânea da maioria determina temporariamente a sujeição de todos a uma corte provisória. A democracia é a sábia admissão de q vivemos todos na mais completa ignorância, de q ninguém tem a solução final de coisa alguma, de q a prioridade número um de todo cidadão é tirar o cu da reta.) Vc pode até preferir outra forma de governo, mas não pode negar q há inegável justiça no fato de q, se todo e qqer pé-rapado é obrigado a aturar o governo imposto pela maioria, então deve-se dar ao pé-rapado o direito tanto de votar (crer-se na maioria) como de se candidatar (apostar-se como maioria).

Em tese, o próximo presidente do Brasil, contanto q brasileiro alfabetizado maior de 21 anos, pode ser não um torneiro mecânico (uma profissão, aliás, bastante complexa) mas um coveiro de Catingópolis ou uma mendiga de Futum do Sul. A questão aqui é q pro cargo de fiscal, curso superior é exigido; pro cargo de presidente, não é. Se a lei for modificada de modo a q tbm seja exigido pra este último, então não fará o menor sentido dar ao pé-rapado o direito ao voto e será completamente compreensível se os pé-rapados se revoltarem e cortarem a cabeça de todo e qqer sujeito q já pôs os pés numa faculdade.

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Nenhum presidente ou partido manda e desmanda: os resultados de sua presidência são determinados pela dinâmica entre os governantes e os governados. O problema com a do Lula é q o Brasil está esperando muito passivamente q ele "faça alguma coisa". O povo tem q dar um feedback ao governo, nem q seja um tabefe no meio do cachaço.

Mas, ¿q esperança? O Dr Plausível não tem a menor.

16 março 2004

Super desinteressante

¡Êta mormaço cerebral! Tem umas revistas por aí ¡q vou te contar! Uma q só tratamento de choque pode começar a consertar é a Super Interessante. Aposto q quem bolou esse nome quis dar uma de perverso. Só conseguiu ser involuntariamente irônico, pois a revista é pouco mais q uma coletânea de informações em terceira mão.

A capa do número agora nas bancas traz estampada pra todo mundo rir a manchete:

"Michael Jackson acabou. Entender a trajetória dessa queda espetacular é fundamental para compreender o mundo em que vivemos"

BRUHAHAHAHAHAHA ¡Imprêssionante, não é mesmo? ¿Em q mundo vivemos, meu Santo Excrúnfio? ¿Quer dizer q agora só vou compreender de verdade o mundo se eu "entender" a vida de um dançarino egonecrófilo? HAHAHAHA ¡Cada idéia...!

O título é de uma hipoplausibilose q roça, esse sim, o perverso. O Dr Plausível riu às bandeiras despregadas, mas não quis ler o artigo. Testar a tese da capa sobrou pra mim, q após várias páginas com a tal da trajetória do rapaz, ainda não 'entendi' como sem conhecê-la eu não conseguiria 'compreender' melhor a política, a economia e a proliferação de ácaros.

No máximo, o artigo serve pra evidenciar como funciona uma boa parte do 'jornalismo' brasileiro: os dois 'autores' foram colhendo textos estrangeiros de várias fontes e com eles requentaram uma gororoba de miúdos mal traduzidos temperada com citações 'nacionais'. O corpo do artigo em si, à parte as citações, é tbm em sua maior parte (mal-)traduzido. Vejam esta frase: "Custa acreditar que só tenha feito duas cirurgias plásticas, como ele clama." ¡¿CLAMA?! ¿Como no inglês claim? HAHAHAHAHA

Q vergonha.

Sofre de hipoplausibilose até mesmo a seriedade de dar dó em mula com q foi redigido o artigo, com citações de sumidades da antropologia brasileira. ¡Tenha a santa! ¿Esse pessoal não tem senso de humor?

13 março 2004

MadRi o centro

O Dr Plausível é um sujeito desconfiadíssimo.

11 março 2004

Farte

O Dr Plausível tem ido a muitos coquetéis ultimamente. Nessas situações ['nessas ocasiões' é bom demais pra coquetéis], a falta de assunto leva muita gente a falar de alguma arte. Qdo ouve a palavra arte em maiúscula e sem artigo, nosso epigramático humanista sempre leva o maior susto; endireita a espinha, faz cara de atleta feio lançando dardo, olha fixamente pro canto esquerdo da boca de quem disse "Arte", alinha um sorriso iluminado, terno, quase Walter Brennan, e com a voz embargada, quase gagueja "A-Arte?" O interlocutor sempre pensa q ele exclama "A arte!" ou, "Ah, arte!"

Pois é. Muitos anos atrás, em seu livro seminal "Tratamento Sintomático da Hipoplausibilose Artística e outras Afecções do Córtex Frontal", já esgotado, o doutor já preconizava q "toda arte é caricatura; (...) todo indivíduo q reaja negativamente a essa observação factual deve ser encaminhado ao hopital imediatamente, à força se necessário, e mantido em decúbito ventral (...) até q o sintoma desista".

Tenho q concordar. A caricatura é a forma mais pura de arte. A vontade de caricaturar está na origem de toda arte. ¡Q sete artes, o cacete! A poesia é a caricatura da fala. A literatura e o teatro são caricaturas dos fatos. Pintar ou esculpir é caricaturar as aparências. A música é uma expressão caricata dos sentimentos e sensações, e a dança é uma caricatura grotesca dos movimentos. Todo 'artista' fica fazendo pose, fingindo-se de sabichão e prodigete, qdo na verdade o verdadeiro artista - aquele q todos copiam e nunca citam - é o caricaturista, esse esquecido q ilustra artigos de jornal e conta seu pão-de-ló em centímetros.

Qta injustiça, não? A preferência popular pelas imitações ornamentadas - a literatura, a música &c - é indício claro e inequívoco de q a civilização está milhões de passos aquém de sua realização plena. A imaculada pureza estética e crítica duma caricatura ainda está muito longe da compreensão desse semi-símio q emporcalha o mundo com seus dejetos 'artísticos' e escatológicos.

Mas num coquetel, ¿q se há de fazer? O Dr Plausível então finge q engasga de azeitona.

01 março 2004

Dez mil camelos e uma sardinha

Sardinheiro ou sardinha é o punguista q age nos ônibus lotados. O Dr Plausível já presenciou vários deles sendo pegos com a mão numa bolsa, antes de roubar. Qdo um é detectado naquele empurra-empurra, comoção geral; todo mundo fica metaforicamente com um pé atrás: vai q o meliante está armado ou tem um comparsa enfaqueado, então a pessoa q seria a vítima acha melhor só dar uma bronca e virar a cara. O q se segue é tão clichê q é quase um ritual: o sardinha se faz de ofendidíssimo, brada ferozmente q está sendo insultado, alvo estressado duma acusação maldosa; aos poucos vai se acalmando; a vítima então resmunga alguma coisa pralgum vizinho de aparência honesta; o sardinheiro rebota "¿q foi q disse?"; há um bate-boca onde ele parece ainda mais furioso, implicitamente reafirmando sua virtude ferida; se há espaço, é possível até q ponha a mão dentro da blusa fingindo q vai tirar uma arma, mas é puro blefe; no próximo ponto, o sardinha desce, xingando e praguejando.

O consultório de nosso efígico doutor fica na Av Paulista. Hoje foi surpreendido pela gritaria duma passeata em direção à Câmara. Até aí nada de surpreendente. Na Paulista, centenas de pessoas reclamando em uníssono já faz parte da paisagem: ninguém mais presta muita atenção. Geralmente o q se ouve é só a voz de alguém se destrambelhando monotonamente e os ecos roucos pela avenida. O doutor nunca entende nada: o som é sempre tão ruim q o puxador pode até estar recitando Castro Alves. Mas desta vez, o Dr Plausível se surpreendeu com a fúria, a cólera, o ódio mortal na voz do puxador ao microfone. Trabalha há anos na Paulista, e não ouviu ferocidade assim nem nas Diretas Já, nem nos comícios contra o Collor. Como não entendia nada, desceu pra ver de perto. Era uma passeata da Força Sindical contra o fechamento preventivo da bingaiada. Hmm, pensou, quem sabe descolo algum paciente. Foi seguindo a passeata. Centenas de faixas impressas em offset da melhor qualidade. Hmm. Lá na rua, ainda sem entender o q bradava o puxador, ouviu outra coisa em sua voz: não era ódio sincero nem fúria real; era o tom do subalterno querendo mostrar serviço ao chefe. É triste, mas é verdade.

320 mil desempregados, dizia um cartaz lindamente impresso. Hmm. ¿A Força Sindical tem dinheiro imediato pra encomendar faixas e cartazes de qualidade especialmente prà ocasião, mas não tem dinheiro pro investimento mais generalizado q seria adquirir um som de melhor qualidade? Hmm.

Lembrem-se q estou falando de plausibilidade. O fechamento bingal foi talvez um erro tático e com certeza um erro social do governo, mas mesmo assim a passeata dá o q pensar, não dá?

28 fevereiro 2004

Insuspeito

Muitos pacientes inseguros têm medo de se consultar com o Dr Plausível. Sempre q possível, consolo essas pobres almas assegurando-as de q não há o q temer além do irremediável; ou, no caso da mídia, além do irrecolhível. Parece q nosso espartano letrado vive de passar atestados de hipoplausibilose, mas na verdade ele é como um cardiologista da lógica interna: tbm se maravilha e deslumbra ao testemunhar o funcionamento dum coração impecável. De vez em qdo aparece em seu consultório um artigo, um livro, até mesmo um filme de tv completamente irretocável: nada sobra, nada falta. Desta vez foi o episódio em duas partes The Last Witness da séria britânica Prime Suspect.

Se algum dia passar no canal q só seu vizinho encardido assina, não hesite: faça amizade com ele nem q seja pra humilhar-se oferecendo-se a lavar a louça encardida em troca duma gravação numa fita igualmente encardida. ¡Caspálfio, vá ser bem feito lá na espúntula! São mais de três horas de total autenticidade, milimétrico equilíbrio e brilhante segurança. Além do Selo de Garantia Dr Plausível pela trama e pelas centenas de detalhes invulgares, esse episódio ainda conta com um elenco formado nada menos q na Escola Superior de Dramaturgia Dr Plausível. Nenhum dos atores ganharia um concurso de beleza, mas ¿vc se importa? Todos - até o terceiro coadjuvante no fundo à esquerda - vão direto ao alvo, sabem exatamente a q vieram, o significado e a proporção de cada gesto, fala ou pausa; não há sequer um grunhido sobrando, sequer uma ironia despercebida.

É só uma história de detetives, mas o padrão geral do cinema e da tv (sem falar do néscio padrão global...) aparentemene teria q comer muita lama na Bósnia pra chegar ao profissionalismo desse episódio. Mas na verdade, não: é super fácil ser plausível; é só fazer o q fizeram o escritor, o diretor, os atores e outros profissionais trabalhando em Prime Suspect: nada mais do q sua obrigação, ou seja, usar a cachola pra equilibrar-se entre a arte e a realidade.

Se vc chegar a presenciar a exibição dessa obra-prima e não gostar, só pode ser pq não enxergou direito e precisa achar um vizinho menos encardido.

23 fevereiro 2004

De rachar

Tem publicitário q não aprende nunca. ¿Já viram aquele anúncio da geladeira com desaguador na porta? ¿Qual é mesmo a marca? Prosdócimo? Eletrolux? Bem, não importa. A historinha dá a entender q tem um casal se refrescando dentro da geladeira, e daí a mulher pede ao homem q pegue um copo d'água – tarefa q exige a desconfortabilíssima operação de abrir a geladeira, colocar o braço pra fora com um copo e apertar uma alavanca. O microcéfalo q bolou esse anúncio já começou errando, pois tem q ser muito burro pra se comprar uma geladeira q não precisa ser aberta qdo se quer água e depois ter q abrir a porta pra pegar água, não? Além do quê, se o casal entrou na geladeira pra se refrescar, ¿por que cargas d'água a mulher fica com sede? E ¡antes mesmo de ficar sem ar! ¡Tenha dó, meu!

Se fosse só isso, já estaria ruim, mas a trouxeza não pára por aí, não: o anúncio termina dum jeito triunfalmente troglodita. Depois q o homem põe o copo pra dentro e a mulher supostamente bebe a água, ela exclama algo como "¡Ai q delícia de água geladinha!" HAHAHAHAHAHAHA Mas ¡qui porcaria de geladeira, hem? Se a mulher acha a água geladinha, deve estar um calorão lá dentro, não?

Aliás, o cliente deveria ficar satisfeitíssimo por eu nem ter lembrado qual é afinal a marca anunciada... HAHAHAHAHAHA

21 fevereiro 2004

Aliás,

¿q história é essa de esperança? O Dr Plausível já tratou diversos casos seríssimos de esperancite – uma doença recorrente como a herpes, variante da hipoplausibilose. Perniciosíssima, ataca populações inteiras do Terceiro Mundo. Nesses lugares, 'esperança' é a palavra q mais ressoa qdo falta empenho, método e lucidez. Enaltecer a esperança só pode ser coisa de gente mal-intencionada q, à custa de martelar a palavrinha, pretende manter o status quo: "Educação ¿pra quê? Conforto ¿pra quá? Produção ¿pra qüé? ... ¡Onde há esperança, há voto!"

Dizem q 'a esperança é a última q morre', mas afirmo com toda a certeza: o último q morre é o doente. Se eu tiver um ente querido na UTI e alguém vier me falar de 'esperança', eu grito "¡Ôô, vira essa boca pra lá, seu agourento!" Esperança é quase um atestado de óbito. E tbm é assim qdo se trata dum povo: o Brasil sofre uma epidemia de esperancite q já dura mais de um século; tanto q a expressão "a esperança do povo brasileiro" já virou piada internacional.

Durante a última campanha do Lula, qdo surgiu a boçalidade do medo duartino, logo alguém do PT saiu-se com a bazófia da esperança. O Dr Plausível se ofereceu à cúpula petista pra gratuitamente desativar a catástrofe socio-semântica q se seguiria, mas foi tarde demais. Cresceram pústulas de esperancite nos cérebros de dezenas de milhões de brasileiros, q já carregavam o vírus desde nascença, com o resultado de q o candidato certo foi eleito pelos motivos errados.

Nosso exuberante pensador tem uma receita contra a esperança: vontade e empenho. Toda vez q um político (ou algum de seus apadrinhados entre os religiosos, poetas mal-informados e aspirantes a elite) vier linguarungungular sobre esperança, você olha firme nos olhos dele e diz: "Não, não tenho esperança porra nenhuma. Tenho vontade e empenho." A seguir, vc sai correndo de perto dele o mais rápido possível, antes q, à la Göring, ele saque o revólver.

16 fevereiro 2004

O esperranço é o último q corre

¿Alguém aí acredita q as eleições existem pra promover a democracia? HAHAHAHAHAHA Quêisso, gente. Eleição é só um caça-níqueis pra publicitário, dono de gráfica, fabricante de brinde, montador de palco e entregador de papel. Tem nada a ver com democracia, não. É só mais um negócio cuja razão de ser é financiar férias na Europa, casas na praia e arroz, feijão & mistura. Eu nunca vi; mas aposto q, qdo vem chegando uma eleição, as agências enviam aos candidatos prospectos alardeando seus serviços. Eleições deviam ser a cada 10 anos. Melhor: 20. Assim encheria menos o saco e não viraria essa indústria sazonal q não produz nada.

Em 1989, durante a primeira candidatura do Lula à presidência, o Dr Plausível encontrou uma amiga petista no metrô. A petista estava cheia daquela esperança ranheta característica de toda pessoa politizada q não compactua com o status quo. Dizia ela q já era hora de mudar. Nosso equidistante luminar concordou - quem já leu o I Ching sabe q é sempre hora de mudar; até mesmo parar de mudar é uma mudança. Mas pro douto senhor, partido no poder é q nem carcaça de cachorro podre na estrada: em vida, corria em suas veias o sangue das idéias, ideologias e ideais - ou seja, todas essas pataquadas hipoplausibiléticas; depois de eleito, vira uma gosma fedenta no asfalto q é bom nem chegar perto, mas q com o tempo vai se achatando. No fim, a chuva leva.

Em política, o Dr Plausível discorda e duvida de tudo, e portanto sempre está com a razão. Percebendo o esperranço da amiga, ele contou uma anedota q resume sua posição: Num vagão de trem, uma senhora diz a um senhor, “Cavalheiro, poderia abrir a janela? Se ficar fechada, vou morrer sufocada.” O cavalheiro abre a janela. Logo em seguida, outra senhora diz ao mesmo senhor, “Cavalheiro, poderia fechar a janela? Se ficar aberta, vou morrer de frio.” O cavalheiro fecha a janela. Após alguns minutos, a primeira senhora volta a pedir ao senhor que abra a janela, e ele abre; a segunda pede que feche, e ele fecha, &c. A situação vai ficando enfadonha, até que uma criança que está ali tentando ler sua revista se levanta e sugere, “Faz assim: abre a janela até esta dama morrer de frio, depois fecha até esta outra morrer sufocada, e aí a gente pode viajar em paz.” Política é assim. A cada dois anos é aquela encheção de saco, nhénhénhé pra cá, nhénhénhé pra lá, e o resto do país, q só quer fazer uma viagem tranqüila, tem q ficar aturando. Melhor dar uma chance pra todo partido. Os outros partidos já morreram no frio da incompetência, e agora é a vez do PT morrer sufocado. A criança foi até educada: eu teria jogado as damas pela janela. Nem precisa dizer q nosso estável doutor perdeu a amiga.

O PT, eleito, se transformou em tudo q sempre quis ser: um partido político brasileiro no poder, ou seja, um partido político, um partido brasileiro, um partido no poder (se é q isso existe) e tem agora sua chancezinha de aplicar sua própria versão de incompetência. Lenta e gradualmente, quem estava esperrançoso já vai vendo q cachorro atropelado fede, não importa a raça. Agora agüenta a inhaca.

Ao fim do mandato do Lula – um rapaz até q bem intencionado – não vai faltar quem cite as últimas palavras de um livro do George Orwell: "e olhavam de homem pra porco e de porco pra homem, e novamente de homem pra porco, e já não sabiam qual era o homem, qual era o porco". É triste mas é verdade.

10 fevereiro 2004

¿Ai né quem?

O Dr Plausível não bebe cerveja. Acha os hábitos alcoólatras de seus contemporâneos uma perda de tempo. Mas como ninguém é totalmente coerente neste mundo, ele tbm perde tempo vendo tv, e ainda por cima perde mais tempo ainda vendo reclames de cerveja. Tem alguns q só bebum pode gostar de. ¿Já viram aquele da Heineken em q uma atriz famosa tenta pegar o último engradado da prateleira superior num supermercado, aí vem um cara ajudar e leva o engradado pra si? HAHAHAHAHAHA A Heineken devia processar o miobócio q inventou essa necedade. Vejam só a lista de mensagens implícitas:

A Heineken não é uma boa cerveja: Nas estantes dos supermercados, as cervejas mais procuradas ficam em prateleiras acessíveis. A Heineken está na mais alta.

A Heineken pode até ter clientela, mas seu serviço de distribuição é péssimo: ¿Como é q esses bagres da ditribuidora foram deixar a prateleira esvaziar? Até a Skol tem gente mais competente.

Só antas preferem a Heineken: A base da prateleira é uma grade. Qqer guanaco subnutrido teria puxado o engradado por baixo em vez de ficar pulando q nem mico tentando alcançá-lo por cima. HOHOHOHOHO E a cara de dãã q a moça faz no fim não deixa dúvidas: ela é mesmo uma anta.

Quem bebe Heineken é cretino: Revoltante a desonestidade do cara q vem ajudar e acaba roubando o engradado. ¿Q espécie de cretino bebe essa cerveja? Além de desonesto, é um babacão: a chance de paquerar uma gostosa cai do céu ¿e ele prefere levar a cerveja pra casa? com certeza vai bebê-la se masturbando vendo filme pornô de terceira. ¡Trompa! Aliás, a cara de dãã q a atriz faz no fim tbm evidencia a cretinice dela: ela faz cara de quem não entende como é q alguém pode preferir beber toda a cerveja em vez de dividi-la com uma gostosa. pfff-ff-ff-ff-ff A resposta é simples: o cara é babaca q nem você, sua tomba.

Essa gente parece q bebeu, não?

05 fevereiro 2004

Pra lá de Basra

¿Viram só essa 'revelação' de q o Nixon mandou a CIA dar um jeitinho no Allende? HAHAHAHAHA O resto do mundo sempre soube q os EUA estavam por trás de tudo, mas pros gringo a verdade só aparece décadas mais tarde, qdo vira best-seller ou blockbuster. Estadunidense é assim mesmo. Se o Dr Plausível abrisse uma clínica lá, com certeza ela seria bombardeada, como as de aborto.

Sobre as armas do Iraque vai ser a mesma coisa. Aguardem o livro e o filme daqui a duas décadas. O mundo todo sempre soube q a justificativa prà invasão do Iraque foi mais cara-de-pau q outra coisa, e lá vem o porta-voz da CIA dizer q o Saddam podia não ter as armas, mas q ¡tava com uma vontaaaade! Qta cretinice...

O Dr Plausível não vai parar de rir tão cedo. Já antes da invasão, nosso elevado estudioso rachava o bico qdo a BBC mostrava claramente q o Iraque não tinha nada. Depois q o Colin Powell envergou a cara de funcionário público caturra na ONU mostrando as fotos com supostas fábricas de armamentos, a BBC visitou um dos lugarejos suspeitos e perguntou aos poucos gatos-pingados q restavam por que foi q o local se esvaziou. A resposta foi de matar de rir: "¿E vc acha q essa gente é louca de ficar aqui servindo de alvo?" HAHAHAHAHA A Globo mostrou a reportagem mais hilariante de todas: uma matéria sobre a Bolsa de Valores de Bagdá. É um salão dividido ao meio por uma grade até o teto; dum lado, os compradores e vendedores quase maltrapilhos se amontoam atrás da grade, e de outro lado alguns 'operadores' registram os negócios com giz na parede oposta pintada de preto. BRUHAHAHAHAHA ¡Vê se um país com uma bolsa de valores desse estilo tem cacife pra fazer mísseis nucleares! Impagável!

E agora a BBC é desmoralizada por um pau-mandado. ¡Imprêssionante! É por essas e outras q o Dr Plausível não perde o noticiário político. Ê tchurminha hilariante...

¡Caaacilda!

02 fevereiro 2004

A norma estulta

Pra deleite da platéia, aqui vai um exemplo da estulta 'norma culta' em ação.

O contexto é o seguinte: Minha esposa faz traduções pra legendagem. Um de seus empregadores menores é um intermediário q fornece traduções para, entre outras, uma empresa sediada em Miami q se gaba de produzir traduções num português "da melhor qualidade", isto é, seguindo os padrões canhestros, retrógrados, ineficientes e contraditórios da infame 'norma culta'.

O intermediário no Brasil encomendou a minha patroa uma tradução q seguisse o padrão de outro cliente, um padrão mais natural e abrangente. Terminada a tradução, esta foi revisada por outra pessoa, seguindo o padrão daquele cliente retrógrado de Miami. Ato seguido, esta revisora enviou um email a minha digníssima cônjuge, apontando alguns "erros". Veja algumas legendas, os "erros" apontados pela revisora (q tbm vê o filme) e os comentários dela. Não estou criticando a revisora: ela está apenas seguindo normas do cliente:

[1]
Fulana, preciso tomar uma decisão importante hoje. Me responda.

"Não se pode iniciar uma frase com os pronomes átonos, pronomes pessoais do caso oblíquo: me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. (...) Não adianta argumentar que é assim que se fala. Isso é mais do que sabido, porém não é gramaticalmente correto. Não passa."

Notem o "não se pode"; notem tbm q "é mais do q sabido q é assim q se fala, porém não é gramaticalmente correto". BRUHAHAHAHAHAHA There is no cabbiment!!

[2]
- Seu irmão está feliz?
- Acho que sim. Mas anda meio obcecado com as coisas de Fulano.


"Quem anda?"

Isto é, se a legenda não diz explicitamente 'ele anda', vai "confundir" o espectador. HAHAHAHAHA Como se este fosse tão estulto qto os defensores da norma culta, ou como se toda frase em português devesse ter sujeito, como no inglês. Ainda mais q, se o sujeito oculto em 'anda' pode ser qqer pessoa, então o sujeito explícito em 'ele anda' tbm pode, ¿ora pois não?

[3]
O casal principal, à porta de sua casa afastada da cidade, se despede dum empregado q vai embora a pé, passando entre os dois carros do casal. A mulher diz ao marido:

Devíamos oferecer uma carona.

"A quem?"

¿Como assim, a quem? ¿O espectador por acaso é cego? Se fosse, não estaria lendo legenda.

[4]
Duas crianças de mais ou menos 10 anos estão brincando de pega-pega. Uma pega a outra e grita:

Peguei. (¡Ponto de exclamação é proibido!)

Correção: "Eu o peguei, ou Eu a peguei."

HAHAHAHAHAHAHA Imaginem uma criança pegando a outra e gritando "Eu a peguei, eu a peguei!" ¡Qta cretinice! Esse pessoal da norma estulta deve ser de outro planeta. Outra coisa ridícula é a tradução 'oficial' de 'I love you', q é 'Eu o amo' ou 'Eu a amo'. Só q, na burrice estratosférica desse pessoal, esquecem q, como não se usa mais o tu em português, as traduções 'corretas' seriam tbm equivalentes a 'I love him/her'. Se a patroa me disser 'Eu o amo', já vou logo perguntando '¿Quem é esse filho-da-puta?'.

[5]
- Não sabe perder, é?
- Cale a boca.


Correção: "Você não sabe perder, sabe?"

Ai, ai. Explicar esta me faz sentir como o Louis Armstrong respondendo àquela mulher q lhe perguntou o q era jazz. Qqer diretor de tradução q não percebe a diferença entre "Não sabe perder, é?" e "Você não sabe perder, sabe?" deveria procurar outra profissão: caixa de banco, magnata do petróleo, jardineiro.

[6]
Um homem demonstra o uso dum martelo munido dum ferrão pra abater ovelhas.

Meu avô e um ferreiro inventaram estes martelos. Veja só este ferrão. Entrava direto no cérebro. Abria um buraco no crânio.

"Quando o verbo está na 3a pessoa do singular, é importante colocar o sujeito, para facilitar para o espectador. Quando está no passado, ainda mais, porque a forma é igual para a 1a pessoa também."

¡Té parece q tem tanto espectador com o nível de tacanhez dessa gente! É simplesmente ridículo acreditar q qqer um dos 170 milhões de brasileiros entenderia "Veja só este ferrão. Eu entrava direto no cérebro. O Zé abria um buraco no crânio." Pois então ¡tenha a santa! Aliás, se é pra ser tão específico, a tradução mais explícita seguindo o padrão dessa empresa seria "Veja este ferrão. Ele abria buracos nos crânios delas. Ele entrava diretamente até os cérebros delas." ¡Ah vá catá coquinho, sô!

Um dos padrões dessa firma é nunca citar o nome do tradutor. Minha mulher (q aliás nem faz idéia de q estou escrevendo isto) acha ótimo, pois teria vergonha de ter seu nome associado publicamente a essa firma.

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O típico defensor da norma culta é como um burrico q não consegue viver sem arreio e cabresto. Além de exigi-los pra si, exige-os pros outros. Tem ouvido de lata pràs infinitas nuances da língua, seus infinitos níveis de expressão, sua flexibilidade e seus climas. Não sabe q as palavras servem tanto pra expressar o pensamento como pra escondê-lo; não enxerga q o objetivo duma única frase pode ser insultar, esclarecer, confundir, desprezar e seduzir um interlocutor, tudo ao mesmo tempo. E o pior de tudo, acha q está seguindo preceitos lógicos e inescapáveis. ¡Essa é de matar!

O diretor de traduções dessa empresa (q, pasmem, é brasileiro) precisa não de um, mas de dois arreios pra viver e ser feliz: o arreio da norma estulta e o dos usos da língua inglesa (todo verbo exige sujeito, todo verbo transitivo exige objeto). Transforma suas traduções numa gororoba culta e feia, composta de atropelos ao bom-senso, insultos à sensibilidade e ataques agudos de hipoplausibilose.

O Dr Plausível só se recosta na poltrona e ri. Simplesmente ri. Pois ¡como é engraçado assistir os últimos estertores dum bicho ridículo em extinção!

01 fevereiro 2004

Lobby de bode

Digo e repito: o bom de ser agnóstico são as gargalhadas. Pro Dr Plausível, a expressão 'comédia humana' é mais concreta do q metafórica: se o mundo todo é um palco, então nosso efervescente humanista e alguns outros privilegiados são a platéia repoltroneada. É triste mas é verdade. HAHAHAHAHA

Um dos comediantes mais engraçados é o lobbyista, o sujeito q se sente o próprio monitor de acampamento infantil. Ele quer ir dormir às 11h; mas como as crianças querem ir à meia-noite, ele finge q impõe cama às 10h. As crianças chiam, negociam, e no fim todo mundo 'concorda' em ir às 11h.

Pois ¿vcs acreditam q tem gente fazendo lobby em Brasília pra implantar uma lei que obrigue os canais de TV a "veicular no mínimo três horas diárias de programação religiosa", inclusive no horário nobre?

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Eles ficariam contentes com apenas uma hora, mas mesmo assim, ¡q idéia mais estapafúrdia! ¿Quer dizer q se o projeto virar lei, os lobbyistas vão ficar contentíssimos se um canal passar três horas por dia de programação budista? HAHAHAHAHAHA ¡Ah, não, aí não, né? ¿Por que não dizem logo 'programação católica ou evangélica'? ¡Té parece q há algum muçulmano, judeu, sikhista, ou besourista nesse lobby! E até parece q algum canal, ãã, secular vai aceitar uma imposição desse tipo: o autor dessa idéia deve ser parente espiritual daquele q ergue cartazes com coisas como "A IRA DE DEUS O MUNDO SE CURVA AOS DITADORES".

¡Ô bode de domingo! ¡ô bode no meio da sala!

26 janeiro 2004

São Papudo

Ontem fez aniversário um gordaço inchado careca espaçoso cascão sujo grosso feio mal-humorado cínico e peidorrento. Prestaram-lhe homenagem as traças q se fartam bebendo o suor viscoso q lhe escorre dos poros. Dá pra desconfiar, ¿não dá?

Quem se alimenta do suor de São Paulo vive dizendo q ama a cidade. O gozado é q esses são justamente os paulistanos q mais tempo passam fora dela: têm casas na praia, férias na Europa. Citando as virtudes de SPaulo, falam na verdade do primeiro mundo: ¿onde mais no Brasil pode-se passear por Picasso, almoçar uma trufa, ver um Truffaut, admirar um guerreiro de Xi'an, conversar com Ray Charles, ouvir Stravinsky, jantar um sushi, tudo da melhor qualidade, tudo no mesmo dia? Esse pessoal não gosta de SPaulo. Gosta é de achar q está em outro lugar.

No outro lado estão os q odeiam SPaulo porque são eles os q suam seu suor. Soltam o verbo reclamando da "exclusão" social, das desigualdades e o escambau a quatro desta cidade, como se ela tivesse q ser diferente do resto do Brasil. Ou pior, como se SPaulo devesse ser o carro-chefe, o modelo pro resto. ¡Tenha a santa! A turgidez desta cidade é a mais clara evidência de q o Brasil inteiro não tem se mostrado uma proposta viável. SPaulo cresce como um tumor absorvendo o povo q não se deu bem no resto do país, pessoas vindas de regiões de onde nunca teriam saído se de lá não houvessem sido excluídas em primeiro lugar. SPaulo é antes de mais nada o entumescimento dum tipo de inclusão social: aqui é onde vai parar o jovem sem perspectivas de Aracupirangonhó, aquele lugar onde não há exposições, restaurantes, hotéis, teatros, cinemas ou livrarias onde ele pudesse começar a vida como porteiro.

Então deixem de besteira ufanista ou idealista. Deve-se falar de SPaulo como os ingleses falam do tempo: está ruim, vai ficar pior e nada se pode fazer em contra, além de abandoná-la às traças.

23 janeiro 2004

As glórias da sorte

Vendo nosso epifânico doutor verter lágrimas extasiadas ao ouvir a inenarrável perfeição e insopitável precisão de “O Futebol” do Chico Buarque, qqer pessoa acharia q o futebol está em seu sangue, q seus membros ardem pela seiva redentora da vitória.

Ilusão treda. O Dr Plausível não torce pra time de nenhum bairro, cidade, país ou planeta. Jamais se verá nosso equilibrado humanista fazendo auê em arquibancada, babando na frente da tv ou soltando rojão toda vez q um assalariado de uniforme colocar uma bola num lugar improvável.

Dia desses, passando sem querer por um canal de esportes, ouviu o locutor se empanturrar de emoção e falar na glória do time vencedor. Quê? Glória?... ¡¿GLÓRIA?! O Dr Plausível ergueu a testa e sorriu.

Mas ¡que gente exagerada, não? Pois vejam só.

Fazer mais pontos q o time adversário pode ser fácil ou difícil. Ganhar fácil não pode ser chamado de ‘glória’. Vendo um time dar de, sei lá, dez a zero, aquele mundo de gente chorando de alegria ¿está festejando o quê? ¿Que glória pode haver em ganhar de lavada dum time mais fraco? A torcida festeja é a sorte de o adversário, dessa vez, não ter juntado um time de brutamontes q lhes quebre as canelas e os deixe na lama. Admitam.

No outro extremo, tão as ‘vitórias’ difíceis, qdo não se sabe o placar final até o último segundo − tipo numa partida de vôlei: depois de dezenas de match-points pra lá e pra cá, até o torcedor mais roxo fica meio entediado e se perguntando qdo é q vai acabar o chove-não-molha. A verdadeira dimensão da glória fica evidente: num jogo difícil, vence o time q tem a sorte de fazer dois pontos seguidos primeiro; ou, em jogos por tempo, vence aquele q tem a sorte de tar com mais pontos no momento do apito final. ¿Isso lá é glória, catso?

Tem um pessoal aí q não sei, viu. Quer se descabelar, descabele-se. Quer espargir a muxiba, esparja. Mas manera nos termos, aí ô. Como já disse o Tom Stoppard, “Don't clap too loudly. This is a very old world.”

17 janeiro 2004

Foto digital

Começo a pensar q não sou boa companhia pro Dr Plausível. Dia desses, levei-lhe as primeiras páginas de alguns jornais brasileiros pra diagnóstico e tratamento. Foi só apontar a foto do piloto apontando o dedo, e nosso excepcional especialista repimpou-se de gargalhadas, tossiu, engasgou, espirrou, tudo ao mesmo tempo. Só se acalmou lendo gibi.

E não era pra menos. O piloto foi detido por desacatar a PF com um gesto obceno, e no dia seguinte ¡a foto do delito me aparece estampada nos jornais de todo o país! HAHAHAHAHAHAHAHA ¡Q estrambotice! Pois sendo este um episódio momentaneamente importante nas relações entre o Brasil e os EUA, ¿será q ninguém se tocou de q a publicação do gesto obceno implica em q ele não é tão ofensivo assim? Se o piloto tivesse abaixado as calças, revelando uma ereção do dito cujo do qual o dedo é apenas símbolo, ¿a foto do evento teria sido publicada assim mesmo? Então!

A decisão do juiz brasileiro foi galhardamente apoiada pelo Dr Plausível. À parte a inegável justiça, o aspecto da coisa q o convenceu foi a promessa de alegres momentos vendo o noticiário. E não deu outra: permitir q o piloto emoldure a foto e a pendure na sala de visitas foi de longe a idéia mais hilariante q a PF já teve em toda sua história. Sem falar q perdeu uma bela chance. Se tivesse mantido a foto em sigilo, o efeito da acusação teria sido maior: todo o mundo imaginaria algo pior do q o q de fato aconteceu. Ver a 'prova' foi quase um anti-clímax. Fora q alguém já vai ter a idéia de entrar no Brasil vestindo camiseta com a foto do babaca estampada.

Por uma módica fortuna, o Dr Plausível ministrará cursos de Plausibilidade I, II e III também prà PF.

15 janeiro 2004

Pague-se o pagão

Os canais religiosos de tv são muito vulneráveis a epidemias de hipoplausibilose. Têm tantos problemas q nenhum plano de saúde saudável se arriscaria a segurá-los. E muito embora seu emotivo coração se apiade diariamente, o Dr Plausível nem se mete. Os programas passam e o doutor nem ladra.

Mas pelamãedoguarda!, alguém tem q encaminhar o dj da igreja Universal até um cantinho escuro e dar-lhe um belo piripapo no pé do ouvido. Pois nesse canal, nem bem um pastor termina de exorcisar um demônio, dar graças a Deus e conclamar os devotos a louvar Jesus, lá vem o dj e tasca "o fortuna" do Carmina Burana na vitrola. HAHAHAHA que ridículo...

¡Parece até q esse pessoal não lê jornal! Pois ¿como é q um programa q se diz religioso não dá uma pesquisadinha no q diz a letra do fundo musical? Êêê, dj! Acorda! O CB é todinho composto encima de poemas profanos, odes em louvor ao jogo, à gula e à bebida, referências a rituais pagãos, esse tipo de coisa. Na certa, o cara ouviu aquele coral todo e achou divino, qdo na verdade a mensagem da letra é algo como "a sorte e o azar regem esta vida detestável, aguçando a pobreza e dissolvendo o poder". Pois então. ¿De q adianta rezar, se a própria trilha sonora diz q não adianta nada? HAHAHAHAHA cada coisa...

Digam se eu não tenho razão: ¿o Dr Plausível não deveria receber um alto salário?

09 janeiro 2004

The Church Snow Ball Igreja

Apesar de o Dr Plausivel dizer q vive no melhor dos tempos possíveis, temo por sua saúde. Algum dia vai explodir de tanto rir. Pra ele, a raça humana está pouco a pouco mutando de Homo sapiens pra Homo insipiens. É simplesmente estupefaciente o número de humoristas q proliferam como coelhos enviagrados.

Dia desses, subiu ao palco dum programa de auditório uma ex-coelhinha da Playboy vestindo metade dos seios pra fora, anunciando q agora é casta pois se converteu à (pasmem) Igreja Bola de Neve Church.

[silêncio]

hmm

Segundo a nova adepta, é uma igreja q "atrai principalmente surfistas", sediada no Alto da Lapa.

hmm

[pausa]

ãã...

[silêncio]


Deixa eu me recompor.

¿Por onde começo?

Observem os sintomas:

- não é só uma igreja: é uma igreja "church"
- atrai surfistas e se chama "Bola de Neve"
- atrai surfistas e está sediada no Planalto Paulista

É direito de cada um crer no q lhe der na telha e nosso estrondoso doutor está longe de ser idiota a ponto de se meter com a crença alheia. Por ele, vc pode seguir qqer fé: pode até acreditar piamente q o universo foi criado pelo Sílvio Santos e é atualmente governado por um besouro gigante perneta q mora em Moçambique; vc tem toda a liberdade até de criar uma igreja e abrir uma poupança no BankBoston com o lucro, mas ¡¡pelamordizeus, põe um nome plausível nessa igreja!!

(nota: Antigamente os cultos inventados procuravam dar um ar de respeitabilidade assumindo termos científicos. Hoje se consegue isso facilmente enxertando uma palavra inglesa. Mas ¡q coisa, não?)

Se ninguém achar a vacina contra o febehipoapá, alguém algum dia vai ter a brilhante idéia de criar o Templo Cristo na Crista da Onda Temple, atraindo principalmente alpinistas e sediado no Pantanal Matogrossense.

¡Ó nua nomenclatura! ¡Ó praia de palavras!

05 janeiro 2004

O golpe baixo do salto alto
e o truque sujo da cara limpa

¿Já viram coisa mais imbecil do q roupa? Vira e mexe aparece algum 'especialista' em moda com uma teoria xoxa sobre roupas: q é uma identidade grupal, q é uma expressão da personalidade, do momento emocional, do escambau a quatro. Pfffrrr... qta besteira. Eles falam dos vários usos do vestuário; mas 'uso' é um termo muito geral: igualmente pode-se 'usar' uma camisa pra enforcar um jacaré, ou uma meia pra coar café. Essa conversa mole de q roupa protege do frio e do calor tbm não convence: os aborígines da Terra do Fogo, aquele lugar frio como a peste, andavam nus. O Dr Plausível é q sabe das coisas: as roupas não existem pra tapar. Existem pra tapear.

Todo bicho usa alguma tapeação visual pra conseguir uma trepadinha. Os humanos - esses bichos pelados e sem penas, monocromáticos e sem graça -, usam apetrechos pra tapear o sexo oposto: roupas e navalhas.

Vejam o salto alto, por exemplo. ¿Já assistiram a uma mulher 'vestindo' um salto alto? Ela escala os sapatos, primeiro um, depois o outro, e de repente ela toda se eleva cinco ou dez centímetros mais perto do teto. Muita gente acredita q as mulheres usam salto alto pra competir entre si, ou pra igualar-se aos homens, mas essa explicação não esclarece nada. O salto alto é na verdade uma estratégia pra deixar a vagina mais acessível ao pênis por trás, tanto por erguer a vagina alguns centímetros como por arrebitar as nádegas. Note como o salto alto fica melhor qdo a mulher usa saia do q qdo usa calças. Óbvio: a saia é outra estratégia pro mesmo fim. O desejo precisa duma visualização do coito como objetivo. O colorido e as formas da roupa atraem o olhar como penas coloridas, mas escondem o corpo. A visualisação do coito é então facilitada se a mulher usa saia e salto alto e o homem usa calças: a vagina aponta pra baixo e é só levantar a saia; o pênis aponta pra cima e é só abaixar as calças.

Já o homem tapeia a mulher qdo faz a barba. Fica se esforçando pra conseguir, ainda q temporariamente, aquela pele de mancebo transbordando testosterona e vertendo esperma pelos poros. ¡Q espetáculo deprimente! Toda a tecnologia das navalhas, barbeadores e cremes, todo o 'esforço' de marketing, todas as horas e horas perdidas na frente do espelho estão aí apenas pra ajudar o homem a enganar, ludibriar e conseguir umas trepadinhas. Pois mulher q se lembra de seus malhos de adolescente não vai querer pele q pinica nos lábios e nos lábios.

Mas ¿q é q nosso evocativo doutor acha de implausível em tudo isso? Ora, ¿e precisa dizer? Qdo qqer botijão fica sexy encima de dois tocos e qdo qqer vassoura rejuvenece depois duma navalha, ¿q tipo de aberração resultará daqui alguns milhões de anos? ¡Mulheres cada vez mais gordas e baixinhas precisando de saltos cada vez mais altos e homens cada vez mais barbudos precisando de barbeações cada vez mais freqüentes! ¿Será esse o destino da raça humana? ¡Q vergonha!

¡¡E isso q eu nem falei de depilação e maquiagem!!

03 janeiro 2004

O Senhor dos Escarcéis

Muita gente diz q Dr Plausível é bitolado e atrasado, e às vezes até dá pra entender por quê. Vejam só: a trilogia do Senhor dos Anéis já está quase virando uma série, e apenas agora é q ele se dispôs a enfrentar as três longas horas do primeiro filme, não sem reclamar em altos brados na locadora. E não deu outra. Três horas de chatice entrecortada de acochambraduras implausíveis.

Filme de aventura é sempre um saco: vc sabe desde o começo q durante as próximas três horas, o herói pode cair num rio de lava, pode-lhe até cair um piano na cabeça, q absolutamente nada vai lhe causar qqer dano físico, emocional ou intelectual duradouro: ele vai continuar ileso como qdo sua digníssima mãe o pariu, vai continuar senhor de si e vai aprender rigorosamente nada sobre coisa alguma q seja de qqer utilidade seja pra ele ou pra nós.

Pois digam-me uma coisa: se um demônio gigante cuspindo fogo por todos os poros está em teu encalço já há alguns minutos, e vc sabe q algumas palavras enérgicas podem dissuadi-lo de devorar vc e teus amigos, ¿vc esperaria até estar no meio duma ponte de pedra sem corrimão acima dum precipício infinito pra virar-se pra ele e usar todo seu poder de persuasão? E depois q metade da ponte cai, levando o demônio, e vc fica pendurado na borda, ¿vc não esperaria q teus amigos (¡q vc acaba de salvar!) dessem um jeito de puxar vc pra cima com algum truque dentre os milhares ao alcance de quem anda por aí levando pianadas na cabeça? ¡Ora façam-me o favor!

¡E são três horas... não: NOVE horas desse tipo de coisa...!