02 novembro 2003

Ingrêis é essenciar

Nestes tempos sacrificados, ecoa garbosa por todo o Brasil uma frase destinada a erguer dos recônditos e pútridos lamaçais da ignorância as almas desgastadas dos herdeiros de Cabral; uma frase, um refrão, um lema, um moto por todos entoado, cuja mera repetição consegue curar, empolgar e encher de esperança o coração brasílico: "O inglês é essencial."

Essencial, quédizê, pra ganhá uns trocado fazeno pose de inteligente chupano a produção intelectual dos otro. No Brasil, o público monoglota mal suspeita q uma das principais características da imprensa brasileira é a enorme porcentagem de frases, parágrafos ou até artigos inteiros pseudo-autorados por brasileiros mas na realidade traduzidos do inglês (principalmente; mas tb do espanhol e do francês), jamais mencionando-se a fonte original, claro. Por exemplo, grande parte da produção de Paulo Francis, um dos jornalistas mais ãã... célebres da história da imprensa brasileira, foi chupada e (mal) traduzida dos vários jornais q lia diariamente: além de parágrafos e parágrafos obviamente traduzidos, nos artigos assinados por ele tb notava-se uma clara diferença estilística entre as partes sobre assuntos brasileiros e aquelas sobre assuntos estrangeiros - evidência de q as duas não eram farinha do mesmo saco. E isso não acontece só na imprensa, obviamente. Tb a produção ãã... "acadêmica" brasileira chupa descaradamente. Eu já ouvi em primeira mão da secretária dum pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) q as "pesquisas" dele eram na verdade peneiradas por ela na internet. Da chupação no mundo dos negócios, melhor eu nem falar.

Mas qdo o mundo acadêmico e a imprensa se juntam pra ganhá uns trocado, sai de baixo. Li hoje no caderno Mais da Folha um artigo sobre o cientista inglês Robert Hooke, pseudo-escrito por um físico professor da UFRJ. Mesmo sem conhecer o original, é fácil ver q grande parte do artigo foi chupado do inglês. ¿Como é q eu sei? Entre várias outras evidências menores, veja estas frases:

"[...] muito pálido e magérrimo, cabelos longos e malcuidados escorrendo pela face, seu aspecto só era atenuado pelos vivazes e grandes olhos castanhos."

"A relação entre Newton e Hooke oscilou entre silêncio obsequioso, escaramuças leves e disputas pesadas."

"Newton gastou semanas para responder e mostrou toda a sua capacidade argumentativa e também suas garras."

"[...] a contribuição de Hooke foi bem mais importante do que Newton estava preparado para admitir."

"Pesquisadores [...] têm mostrado que Hooke chegou a essas idéias não apenas por adivinhação ou intuição [...]"

Q vergonha, ¿não? Dá pra ver nitidamente o inglês por trás das "escolhas" de palavras, das linhas de raciocínio, dos tempos verbais. Logicamente, o artigo não tem bibliografia.

E os trocado q o professô ganhô fôro surripiado dos borso docê.

3 comentários:

PAULO AUGUSTO disse...

Estou aqui repercutindo as coisas que você falou.
Nós vamos estar verificando as suas acusações de ordem a proceder as cargas na Justiça, você pegou?
O que estraga a Academia no Brasil são os shopping centers.
Existem muitos vagabundo na Universidade que finge para as elites que trabalha, mas muitas vezes só fica copiando as coisa. Na China, a coisa mais legal da vida acadêmica é a própria pesquisa e a dificurdade de ser um cientista. Aqui no Brasil, o mais legal da vida está nos shopping center... É lá que nóis copia as coisa.
Copiá o trabalho dos otro é fácil. Nóis é esperto. O Brasil é a Terra de Gerson.
O ingrêis é o mais legal parte do pobrema.
O ingrêis é só um.
Na China, o melhor da vida como profissional científico

Chang disse...

Jornalistas não são criadores, são fofoqueiros com diploma, portanto tem todo direito de chupar a fofoca alheia. Acadêmicos também não se propõem serem novos poetas, são seres práticos. Aliás, se você tem tanta bronca de gringo, não devia usar computador, nem Web e nem Blog (tudo invenção dos"greengos"). Vá catar coquinho e arrancar mandioca, como bom jeca frustrado e invejoso.

Permafrost disse...

Chang: ¿o q em todos os infernos você viu no meu texto q lhe deu a idéia de q eu tenho bronca de gringo? ¿Será q você entende português?

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