09 setembro 2003

Conversação fiada

Ao contrário do q pensa a maior parte do planeta, o Dr Plausível não é um sujeito muito bem informado. Já foi ouvido dizer q "manter-se bem informado é a maneira trabalhosa de ser neurótico", opinião esta q adoto e professo. É bem desculpável, portanto, q nosso experto doutor não tenha a menor idéia de quem se trata qdo o nome Luciano Szafir aparece num reclame de escola de idiomas, e tb ignore o apelo psicopopular do slogan q supostamente brotou espontaneamente da laringe do LS: "Se eu fosse estudar idiomas em São Paulo, entraria na Escola Universal." (¡Então tá!)

Mas para atender um caso agudo de hipoplausibilose, o Dr Plausível não precisa mais do q a protuberância produzida -- tanto faz se o autor for criador de gambás ou herói nacional. O fato é q a mente q produziu a frase acima deve ter pouco apego à realidade. A frase mais cria dúvidas do q esclarece. ¿O LS já fala outros idiomas ou não? ¿Se ele fosse estudar idiomas, estudaria em São Paulo? Afinal, ¿ele mora em São Paulo ou não? ¿Existe uma Escola Universal na cidade onde ele mora? Se não, ¿que respaldo tem pra apregoar as virtudes das EscUni? Aliás, ele não diz o motivo q o levaria a estudar na Escola Universal: ¿será pq ele tem desconto especial? ¿pq é parente ou amigo do dono? ¿pq a escola fica perto da esquina onde ele escorregou numa banana?

Todas essas perguntas são apenas pontos nebulosos; não são implausibilidades agudas. A hipoplausibilose maior reside no próprio fato de citar uma pessoa (supostamente) famosa dizendo algo q é clara, patente e obviamente mentira e trajá-la numa frase condicional como se, satisfeita a condição improvável, se seguisse uma afirmação inverificável. Mesmo q o tal do LS seja um especialista no assunto e o público saiba q ele sabe do q está falando, ou mesmo q seja uma celebridade nacional da música ou (ao q parece) da tv, ou talvez exatamente por esses motivos, ele jamais será ou seria um aluno da Escola Universal. Uma citação mais plausível seria: "Se eu não fosse rico e famoso, se a localização e os preços da EscUni me fossem acessíveis, e se já não soubesse inglês ou espanhol e quisesse aprender numa escola, é provável q eu estudasse na EscUni, pq o dono é meu amigo."

Pois é, frase condicional dá nisso. Enquanto nenhuma escola de propaganda & marketing tiver curso de Plausibilidade I, II e III, vai ficar essa bagaceira q aí está. Q vergonha.

Um comentário:

Nianderthal disse...

1) Acho que seria mais plausível se ele falasse:
"A Escola Universal me pagou R$ XXXX,XX para dizer que, se eu fosse estudar inglês em São Paulo, estudaria lá!"

2) Depois de tanto sermos assolados por famílias Dorianas, pastas de dentes cremosas e telefones celulares "in", ocorre o fenômeno das "barreiras cognitivas" (aprendi na aula de marrrrketing). Propagandas inteligentes conseguem "penetrar" por essas barreiras e atingir o alvo. A propaganda citada seria geralmente descartada pela mente.

Como diria o Júlio Ribeiro (Talent): "As emissoras não dão desconto quando o comercial é ruim." E, considerando que os custos de mídia são muito mais altos do que os de criação e produção, vale a pena investir um pouco mais na qualidade.
Lembro-me de um exemplo interessante: a campanha da Fiat: "Está na hora de vc rever os seus conceitos.", que de certo modo admite as falhas passadas da montadora e promete melhorar. O comercial dessa campanha de que mais gosto é aquele em que o casal está tomando café da manhã e de repente aparece um garoto desconhecido que começa a se servir, deixando o casal meio desconcertado. Logo em seguida desce a filha e o apresenta.

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