04 julho 2003

A contabilidade da alma

Voltando à vaca fria das implausibilidades religiosas, o Dr Plausível recomenda tratamento prà oração de S Francisco de Assis q virou letra de música obrigatória em tantos encontros de jovens religiosos: "fazei com q eu procure mais consolar q ser consolado, compreender q ser compreendido, amar q ser amado, pois é dando q se recebe, é perdoando q se é perdoado e é morrendo q se vive prà vida eterna."

Parece uma oração imbuída dum sentimento altruísta e duma beatitude edificante, ¿não?

Mas observem o q está fazendo aquela palavrinha escondidinha entre as duas partes da oração: a conjunção "pois". O autor da oração quer consolar, compreender e amar pois quer receber, ser perdoado e viver eternamente. A oração passa imediatamente de altruísta pra interesseira, de beata pra maquiavélica: o suposto beato caridoso e amoroso pretende assumidamente usar o outro em benefício próprio! ¿Isso lá é sentimento religioso q se apresente? O altruísmo de S Francisco, e das gerações e nações inteiras q repetiram e repetem sua oração, seria mais plausível se a segunda parte fosse abolida, ¿não acham?

Mas, ¡ó alma encalacrada!, grande chance!

10 comentários:

Belly disse...

A oração de São Francisco respeita as praxes do mercado, sabente de que as obrigações são sinalagmáticas e que vc pode constranger quase todo mundo a quase qualquer coisa com o seu maquiavélico pseudoaltruísmo (é com hífen?).

da casa disse...

É o que eu sempre digo...

Cam Seslaf disse...

E não é essa a essência do catolicismo romano? Veja as promessas...

Permafrost disse...

O Dr Plausível receita: procure evitar muito sal na comida, gases letais, doenças incuráveis e pseudo-altruístas c/ inclinações sinalagmáticas.

Belly disse...

(blushin')
Gostei...

paul disse...

Mas antes de tudo ele diz fazei, "fazei em mim", pede para receber a capacidade porque sabe na sua infinita humildade que não é capaz nem de ser bom. Não sou católico, mas me acho indigno de comentar uma personalidade deste tamanho. Será que no mínimo alguém aí já colocou as mãos em um leproso nas condições daquela época? Se ele for considerado interesseiro, pode ser que pelo menos o seu interesse seja nobre, e que força de vontade!

Permafrost disse...

Ah não: o "pois" desbanca tudo.

Ralf Wiedersehen disse...

As manifestações de religiosidade podem-se resumir a um bando de espertalhões convencendo um bando de ignorantes a serem "bonzinhos", pra que eles, os espertalhões, tirem o máximo lucro das situações. Não é essa a essência do capitalismo? Pois então, o Frei Francisco de Assis tratava de leprosos porque acreditava que assim estaria garantindo seu pedacinho no céu. Zilhões de pessoas pelo mundo afora acreditam nisso e, embora não tratem todas elas de leprosos, fazem o que podem pra agradar a paróquia. Enquanto Assis tratava de leprosos, o bispo tomava vinho e comia os coroinhas nas alcovas, pouco se lixando pro céu, que a coisa pra ele acontece aqui na terra mesmo. Bom, os dois morreram e foram pro mesmíssimo lugar: a pança dos vermes. E aí?

paulo disse...

Mas a origem dos sentimentos religiosos, tão louvados, não foi a barganha?! Exemplos: Abraão e Isaac, quase consumado, o sacrificou de Ifigênia em troca de ventos que levassem a Tróia, o sacrifício dos filhos, entre os fenícios, no comércio com o divino, o mesmo nas populações andinas pré-colombianas, etc.
Que coisa mais nobre, sacrificar os outros a deus para ganhar presentes divinos!
E são essas as pessoas religiosas, que bajulam deus para conseguir suas vitoriazinhas, os exemplos de virtude: Fulano é tão temente a deus!!! Que coisa mais bonita!... Sempre me fazem lembrar a "tropa de choque do Collor. Eles não querem saber a quem estão bajulando ou a quem estão prejudicando, eles querem é o deles!
Isso me lembra também a soberba das faxineiras "religiosas" que passaram pela minha casa. Se vingam da vida boa e ímpia que eu levo indo pro céu depois da morte...pena que não vão ouvir minha gargalhada no momento em que ela seria mais oportuna.

Permafrost disse...

Leia isto:

http://drplausivel.blogspot.com/2006/03/o-radstico-agnical.html

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