20 junho 2003

¡Kamchatka-bum!

Ou as bolas do protagonista e narrador de Kamchatka não desceram na adolescência, ou trata-se dum caso de hipoplausibilose melosa.

Vejam se não estou certo. O protagonista e narrador é um menino de 10 anos. Seus pais estão sendo perseguidos pela ditadura argentina (¿era pra entender isso? pode ser q o pai fosse um cafajeste criminoso de colarinho branco: o filme nunca esclarece esse ponto). No final, os pais deixam o menino a salvo com o avô e vão embora de carro se esconder em outro lugar. O menino sai correndo atrás do carro, vendo-o desaparecer no horizonte. O filme dá a entender q os pais foram pegos e mortos pelo governo (ou q foram constituir família em outro lugar, vá saber), pois a voz do narrador – ¡um menino de 10 anos! – diz algo assim como "nunca mais vi meus pais". ¿Mas como é q pode o menino dizer q nunca mais viu os pais? Ou esse menino tem um senso de fatalidade descomunal ou trata-se dum caso clássico pro Dr Plausível: personagem-diz-algo-q-não-poderia-saber. Ainda por cima, se a frase vem do menino, está na cara q o diretor quis fazer um truque barato pra ver se arrancava umas lagriminhas da platéia ignara.

O filme tb tem uns disparates anacrônicos; por exemplo, ao se dar bem num jogo de tabuleiro o menino faz, em plena década de 70, um gesto q só se popularizou nos anos 90, aprendido nos filmes americanos: com o punho fechado, joga o cotovelo pra trás e diz "¡Sí!" (americano diz "yesss!").

¡O tempora, o mores! ¿Custava ao diretor fazer uma consultinha com o Dr Plausível antes de se envergonhar em público?

2 comentários:

Belly disse...

Quanto ao problema do menino ter dito que nunca mais veria os pais, não subscrevo. Se fosse assim, quase todos os narradores seriam implausíveis, na sua onipresença. O doutor, além de Plausível, também é sensato, e há de achar tal consulta um pouco exagerada.

bel voluntex disse...

Muito bem, muito bem! Voto em Belly!

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