19 junho 2003

Desmandos

Desmundo é mais um filme em q as crueldades do destino são resolvidas ironicamente qdo um bebê é parido. Além desse defeito incorrigível, está precisando consultar o Dr Plausível pra resolver problemas menores. Segundo o filme, lá pelo século XVI bastava alguém falar uma língua e já se dispunha a matraquear nela pra algum estrangeiro presente. Se fosse só uma personagem, ainda vai: vc pode interpretar q o calor, a demência, &c ataquem sem avisar uma pessoa por filme; mas duas já é demais. Tem uma indígena q destrava a epiglote tupinambá à menor provocação em cima duma coitadinha recém-chegada de Portugal, e depois vem um africano com cara de circunspecto q solta o verbo bantu em cima da mesma. ¿Era pra ela entender? Ou ¿era pra a platéia entender q ali foi feita tooooda uma pesquisa lingüística? Vale dizer q nenhum esclarecimento é dado qto ao conteúdo das falas dos dois, apesar de q toda fala em português da época esteja desnecessariamente legendada pro português de hoje.

Na mesma consulta já pode encomendar tratamento pra uma seqüência em q a heroína – uma órfã portuguesa q nunca tinha saído do bairro onde nascera e terminou numa fazendinha no meio da mata atlântica – foge mata adentro no meio da noite (!) e encontra o caminho q a leva direto a uma praia (!!) onde está uma caravela q pode levá-la de volta a Portugal (!!!), praia esta povoada única e exclusivamente por dois marujos q imediatamente se dispõem a estuprá-la(!!!!).

¡Ó engulhos! ¡Ó arrepios d'alma!

4 comentários:

Belly disse...

Ficou fabulesca a história da menina que foge no meio da noite pela mata atlântica para chegar numa praia onde está a inusitada combinação de caravela com marujos tarados e estupradores.
Pois é, você ser do sexo feminino. Sua liberdade pode te transformar num objeto. Seja escrava, seja isaura, seja o MEU objeto, e não o dos outros.

valeria rueda disse...

Bem!!!
Ainda não tinha assistido o filme........
Aguarde um pouco para escrever sobre "O homem que copiava"
Abraços,
Valeria

Paulo disse...

Gostei do filme. Acho que dá para ter uma boa noção como era a Terra de Santa Cruz nos meados dos século XVI XVII. Achei o máximo eles terem feito uma baita pesquisa e tentando realmente falar o portuga arcaico, assim como, creio, um hebraico ou sei lá que lingua que os "impuros" falavam na época.

abraço,

Permafrost disse...

Não desgostei do filme. Só achei implausíveis e acochambrados o enredo, os personagens e as situações.

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